“Nenhum político presta!”

Por Bruna Mano 01/06/2017 - 10:16

Quantas vezes já escutamos esta frase? Realmente, a crise política pela qual passamos desanima até o mais entusiasmado e otimista. Fica difícil confiar em algum ocupante dos cargos eletivos, ao passo que ligamos a TV e lá está uma enxurrada de notícias sobre corrupção, malas de dinheiro e tráfico de influências. Milhares, milhões, bilhões: são citações de cifras incalculáveis pra nós trabalhadores comuns, que estamos mais acostumados a contar moedas e boletos. Com indignação, sai a indubitável afirmação: “nenhum político presta!”.

Certa vez perguntei a um amigo em quem ele votaria. A resposta foi firme: “No fulano, claro!”. Continuei questionando os motivos que o levavam a votar no candidato: quais eram as propostas, a plataforma de governo? O que ele esperava do fulano? Logo veio a resposta: “Vou votar nele porque vou com a cara dele. O outro candidato, meu santo não bateu”.

Uma outra amiga me disse que votaria em outro fulano, pois ele havia conseguido um emprego para sua irmã. Outro conhecido tem um vizinho que ganhou uma cesta básica do candidato. Ele já tem o voto garantido de toda família pela “generosidade”. Uma senhora desesperada com a conta de luz vencida procurou um pleiteante a um cargo político que “bondosamente” pagou sua fatura. Também teve aquele político que conseguiu “ajeitar” uma cirurgia pro seu primo, furando a fila do SUS. Todos eleitos pelos belos gestos! E agora? Qual a nossa responsabilidade nisso tudo?

Primeiramente, é preciso entender a real função dos políticos. Nossos representantes possuem responsabilidade e comprometimento com a coletividade, ou seja, benefícios individuais e isolados não são atitudes desejáveis. Em outras palavras, o político não deve oferecer uma cesta básica a uma pessoa, mas sim, trabalhar por políticas públicas de assistência social que sanem as necessidades da comunidade como um todo. Conseguir uma vaga de emprego para um amigo também não é de interesse coletivo, afinal é um benefício pessoal. O ocupante do cargo público precisa pensar na comunidade. Que tal apresentar um Plano de Desenvolvimento Econômico para o município, visando a geração de centenas de empregos? Ou ainda, expor um Plano de Metas e Investimentos na Saúde para dar celeridade na fila de pessoas que esperam por uma cirurgia? Percebem a diferença do que é PESSOAL e do que é PÚBLICO?

Se você vota em quem faz favores pessoais para você e sua família, em detrimento de quem trabalha pela coletividade, sinto lhe informar que você está alimentando um velho “ciclo vicioso” de políticos paternalistas, que administram à moda da “velha política”, na qual o modus operandi é a troca de favores pelo voto.

Se queremos renovação, se estamos cansados de ver toda essa lama, está na hora de escolher nossos representantes com argumentos mais consistentes do que um simples: “não vou com a cara dele”. Não é a final do Big Brother Brasil, é o futuro do país, da sua cidade. É claro que pesquisar e acompanhar as propostas dos candidatos dá muito mais trabalho do que escolher um “santinho” aleatório no chão do colégio eleitoral. Porém, um bom político ganha espaço no momento em que os cidadãos começam a fazer as suas escolhas com maturidade, discernimento e responsabilidade.

Se você tem preguiça de pensar, vai eleger alguém com preguiça de trabalhar. Aí só nos resta reclamar que nenhum político presta.

*Bruna Mano é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Bauru, especialista em Comunicação Pública pela AVM Faculdades Integradas e especialista em Gestão Pública pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua como repórter na TV Câmara Jahu.