DETALHES HISTÓRICOS DA CIDADE – 42 (Ainda a Major)

A epopeia dos italianos em terras jauenses, como colonos, cuidando dos cafezais em substituição aos escravos e os detalhes já narrados do tratamento que recebiam em algumas fazendas, evidentemente apenas em algumas, tem merecido comentários dos leitores. O ilustre escritor e comentarista Sérgio de Souza Gomes enviou a seguinte observação: “Seu último texto publicado há algumas semanas foi ótimo, mas permita-me observar que nem todos os fazendeiros eram os carrascos apontados pelo autor do livro em referência. Entre eles o meu tio Amauri Barroso de Souza, pois ele cedia casa com água e combustível para acender os lampiões, comida farta colhida e beneficiada em máquinas próprias...”

                                               Sérgio prossegue seu adendo narrando ainda que eram fornecidos aos trabalhadores legumes, verduras, carne bovina e suína, bem como a gordura para o cozimento. Que o diga o professor Sebá, cujo pai foi administrador da Fazenda Santa Maria do Barreiro, no município de Bariri, que cresceu morando na referida propriedade e começou a vida escolar na escola que atendia os filhos dos trabalhadores...” José Aleixo Marques disse o seguinte: “...agradecimentos aos nossos antepassados, pois por causa deles hoje estamos aqui, pelo menos tendo uma condição de vida estabilizada. Eu, particularmente, de sobrenome Aleixo, puríssimo italiano, pois minha avó Ângela nasceu dentro de um navio, quando a família veio para cá e casou-se com Aleixo, meu avô, de origem portuguesa de meus avós paternos, mas a vó era Toledo, oriunda da Espanha...”.

                                               Após um breve hiato retornamos às narrativas sobre a saga dos imigrantes italianos no município, importados que foram de uma Itália conturbada e sem futuro do final dos anos 1.800. Continuamos nos baseando nas narrativas do livro “Jaú, a semente e a terra”, obra do jornalista Waldo Claro, de inesquecível memória, uma edição especial feita pelo jornal O Comércio do Jahu, por ocasião do transcurso de seu 90ºaniversário, em 1.998.O insigne articulista conta que após os primeiros tempos em terras brasileiras, sentindo as dificuldades inerentes aos campos, muitos italianos começaram a deixar as fazendas. Muitos sonhavam em retornar ao berço natal.

                                               Mas as famílias italianas, em grande parte, não permanecem por muito tempo no campo, trocando rapidamente as agruras dos cafezais pelas incertezas da cidade. Na vida urbana passam a dedicar-se aos mais variados ofícios para sobreviver. Tornam-se carroceiros, sapateiros, celeiros, marceneiros, donos ou empregados de cocheiras e até mesmo artesãos. Esses, exatamente os italianos, que vão se agrupando ao longo da rua Ruy Barbosa que, por razões obvias, logo fica conhecida como rua da polenta...” foram assim os “detalhes históricos da cidade...”.

P. Preto é jornalista.