OS ENFOQUES SOBRE A ESCRAVIDÃO

Foram quatro textos a respeito da escravidão em Jaú, tomando por base o livro “Jaú a semente e a terra”, do jornalista Waldo Claro. O assunto teria se encerrado com as narrativas sobre a Lei Áurea que colocou um fim no perverso sistema em todo o Brasil. Mas diversos leitores enviaram suas opiniões a respeito e, por isso, vamos contar o que eles disseram. O jauense Celso Kuntz Navarro, residente no Rio de Janeiro fez o seguinte comentário: “não acho justo debitar a escravidão negra aos nossos antepassados jauenses, que conviveram com o problema por apenas trinta e cinco anos. Então Jaú “usufruiu” somente 0,001% da existência da cruel prática. Como não existem registros das maldades nem das bondades, acredito que nunca foram sádicos...”.

                                      Celso prossegue dizendo que: “...como você sabe descendo de um dos fundadores. Meu tataravô Bento, segundo histórias contadas de pais para filhos, por ser extremamente religioso, jamais maltratou seus empregados. A imagem pioneira de Nossa Senhora do Patrocínio, trazida por ele de Itu, em lombo de burro até Jaú, sem estradas, não faz sentido, pela sua religião, e, ao mesmo tempo, meter a porrada nos seus serviçais. Ao contrário, ele era até bondoso, segundo cartas e relatos que li. Não acho justo, portanto, execrá-los de forma geral...” Eurípedes Martins Romão também fez suas considerações: “... eu também tenho algumas observações sobre esse assunto, mas vou dizer apenas uma, meu avô também conviveu com escravos e o pai dele tinha alguns. Eles eram a    coisa” mais valiosa que possuíam, pelo menos nessa época de fim de escravidão. Não eram judiados, pois se o fossem não produziam...”.

                                      José Aleixo Marques enviou o seguinte comentário: “...o mano Osvaldo e eu consideramos esse assunto parte da História do Brasil. Quando crianças, aí em Jaú, nas noites frias ficávamos sentados ao longo do fogão de lenha- isso lá pelos anos 56, 57- ouvindo histórias contadas pela Tia Cota, uma senhora de 85 anos. Ela contava que viveu sua infância e juventude na época dos escravos. Acreditamos que ela tenha nascido por volta de 1870. Ela dizia que existiam dois ambientes para eles. Os que faziam parte da casa grande, gozavam de várias regalias. Chances de aprender um ofício. Apesar de escravos tinham regalias. Os que viviam nas senzalas, esses sim, eram submetidos a tratamento duro. Só serviam para o trabalho, com exigência absoluta e tudo sob a chibata...”.

                                      Juca, como é conhecido, prossegue contando, segundo as memórias da tia, que faziam arcos de bambu sem nenhum acabamento e, quando preciso, os escravos eram enrolados nesses arcos, como se fossem bolas eram empurrados ribanceira abaixo. Aquelas farpas penetravam na pele produzindo ferimentos. Outros colocavam o escravo em uma espécie de jaula. Se, luz, pouco espaço paras movimento, nenhuma higiene por vários dias, sem alimentação para forçar ao máximo a obediência. E veja bem, não posso garantir se foi assim mesmo, mas a tia Cota não tinha condições nem interesse algum em inventar essas histórias. Ela falava com tanta certeza que impressionava a todos nós, moleques da época, tanto que suas informações nos marcaram muito.

                                      E assim colocamos um ponto final desse capítulo que nada mais foram que “os enfoques sobre a escravidão...”.

 

p.preto é jornalista.

p.preto@hotmail.com