Quem não pode ir à Câmara precisa saber... ARTIGO 4

Por Maria Toledo Arruda 04/07/2019 - 22:25

O filósofo italiano Domenico de Mazzi, autor do livro “O Ócio Criativo” comentava que homens sem criatividade ou qualquer capacidade inovadora que habitualmente trabalhavam em escritórios ou departamentos, por muitas vezes se ocupavam em criar regras inúteis, que se abolidas - não só não fariam falta alguma, mas possibilitariam um melhor desempenho dos que ali trabalhavam. Parece que esse fato se deu com os que formularam as normas do funcionamento da Câmara, e com os que atualmente dirigem aquela Casa onde o tempo é distribuído de maneira totalmente antidemocrática, existem regras ridículas como a permissão da direção dos olhares e da fala, mas onde também coíbe-se os direitos democráticos de livre expressão da população e é escancaradamente abusiva a existência de dois pesos e duas medidas. Segunda feira passada houve até um suplente que pediu uma mudança nas regras. 
As últimas sessões da Câmara têm sido chatíssimas e só mesmo o amor e a preocupação pela nossa cidade nos fazem assisti-las por causa do alarmante abandono causado por essa administração, que não dá para ser ignorado. Muitos parlamentares não se cansam de fazer intermináveis moções tomando o tempo em que poderiam discutir projetos necessários para a cidade. Não que as pessoas homenageadas não mereçam reconhecimento, mas isso poderia ser feito em uma só noite escolhida para todas elas. Assim os vereadores teriam mais tempo relatar suas ações de fiscalização, justificar publicamente seus vultosos gastos em viagens e refeições, divulgar claramente os resultados obtidos e quem sabe apresentar projetos bem mais significativos que criar homenagens para mulheres de destaque, dar nomes às ruas, dias e outras bobagens semelhantes. 
Os parlamentares deveriam ter a noção de que a tribuna não é feita para acusações, ofensas e julgamentos pessoais que não interessam à população e muito menos para se gabarem, como vem acontecendo. Quem aqui mora e vê praças, escolas e refeitórios cobertos de excremento de pássaros; vê lixo, mato, água parada, as periferias esquecidas, os reparos incompetentes e mal feitos na pavimentação, a má iluminação, a galharia seca perigosamente acumulada numa época em que incêndios são fáceis e a população sendo obrigada a pagar o ar que vem junto com a água - não consegue aceitar que o dinheiro público seja gasto com as gabolices e acusações mútuas entre os parlamentares - enquanto a cidade não oferecer limpeza e saúde dignas, abrigos decentes para homens e mulheres carentes, creches e escolas limpas com merenda saudável, e projetos reais contra o desemprego.
Muito ali se fala, e pouco se concretiza. Falaram ali sobre a casa de passagem tanto prometida mas ainda não concretizada. O presidente também falou em reaver o selo verde e azul para a cidade, o que seria muito bom para uma cidade com menos de 1/3 de vegetação ideal! E isso não seria tão difícil se cuidassem do lixo, se exigissem a obediência da Lei das calçadas ecológicas, já aprovada, mas totalmente ignorada, e, no entanto de fácil fiscalização! Como seria bom se para isso esquecessem as diferenças partidárias e votassem no projeto que obriga o plantio de uma árvore na frente das residências! E como seria bom se parassem de cortar tantas árvores por motivos arbitrários! Serão eles capazes de realizar essas propostas?

Maria Toledo Arruda Galvão de França # Por Jahu