Quem não pode ir à Câmara precisa saber... Artigo 9

Por Maria Toledo Arruda 05/09/2019 - 21:57

Apesar de ter três quartos de século de vida bem vividos, ainda não consigo entender certas pessoas. Principalmente aquelas que são eleitas para representar a população e não conseguem compreendê-la. É muito triste que, enquanto o presidente eleito vem se demonstrando um político sem equilíbrio, sem preparo, sem noção do cargo que ocupa, do que fala e do que é um sistema democrático; verificarmos que aqui também, na Câmara, padecemos igualmente de egocêntricos e prepotentes que afirmam: “Aqui quem manda sou eu!”. Que aprovam leis desrespeitando agências e conselhos especializados como se fossem donos da cidade, do nosso ar e da nossa água, esquecendo-se da responsabilidade que devem ter com a saúde das pessoas e de que estamos numa democracia - onde essa falta de respeito e responsabilidade é intolerável para os eleitores! Aqui há também os “sem noção” - que falam sem refletir, ofendendo as pessoas à sua volta, como:” Podemos ter uma nova câmara ainda pior que esta!” ou “Se os aviões podem jogar o veneno em nós, porque não podemos usá-lo na cidade?”; e outros “sem noção” que usam a tribuna para se promover, cumprimentar pessoas, disputar a paternidade dos projetos e debater chatíssimas questões pessoais.


Até mesmo para homenagear tem os que agem com um totalitarismo egocêntrico - como se fossem donos da cidade - dando nome de parentes de políticos às instituições existentes, quando deveriam respeitar e lembrar as pessoas que a elas dedicaram suas vidas - como aconteceu recentemente no caso da inesquecível Dona Rosa e do seu longo e incansável trabalho em favor do Nosso Lar. Como entender a omissão dos vereadores no caso desta senhora cuja bondade deixou tantas marcas na nossa cidade? Como entender a falta de democracia com que foi negada a tribuna cidadã aos representantes da AMAI perante as enormes dificuldades que a entidade está passando? Como entender parlamentares que já deram o direito da tribuna a um jornalista para que relatasse sua vida pessoal, que só a ele interessava - negassem agora esse direito ao valoroso presidente que está lutando para salvar essa entidade de promoção social?


Nas moções da sessão desta segunda feira dirigidas aos voluntários da Casa Ronald Mac Donalds e a outros voluntários que lutam incansavelmente pelo bem estar dos doentes de câncer, vários vereadores subiram no plenário para louvar esse bonito trabalho. Um deles chegou a alardear como o voluntariado lhe tocava o coração! Teriam os homenageados conhecimento de que estes mesmos senhores votaram pela aprovação da capina química urbana? Digo isso porque conforme a publicação no Estadão ((https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,pesquisa-indica-que-nao-ha-dose-segura-de-agrotoxico,70002953956) a própria OMS – Organização Mundial de Saúde considera o agrotóxico glifosato – usado nessa capina - como um dos causadores do câncer. Como entender tamanha incoerência?


Incompreensível também foi a passividade do vereador que depois de ter alertado sobre todos os perigos da capina e reafirmado, nesta última sessão, que não deveriam ter aprovado o projeto, ao declarar resignadamente: “É assim, quem tem voto ganha, quem não tem perde”. Vai deixar por isso mesmo uma situação que ele próprio denunciou como prejudicial à saúde da população e proibida pela ANVISA? Não pensará mais nos moradores que representa e em todos que poderão sofrer os efeitos do veneno? Não poderia se mobilizar junto aos vereadores que votaram sensatamente contra a capina urbana (que também devem pensar em seus representados) procurando o Ministério Público?


E como compreender os que aparentam cuidar do meio ambiente e concordam agora em envenená-lo? Os que aparentam lutar pela saúde da população, por verbas para nossos hospitais e agora aprovam essa capina na cidade? Os que esbravejam contra a falta de fiscalização na administração da cidade e a aprovaram sabendo que a aplicação desse agrotóxico exige uma fiscalização rigorosa? Como ter confiança e credibilidade nesses parlamentares, depois de uma aprovação tão antidemocrática e irresponsável como essa?


Nessa sessão também foi apresentada uma lei sobre as calçadas esquecendo-se a Lei das calçadas ecológicas, já aprovada em 2009, onde os reparos seriam muito mais baratos e a segurança das pessoas cegas muito maior por causa das superfícies diferenciadas. Junto da ótima lei que obriga o plantio de árvores, também já aprovada, essas duas leis trariam certamente uma melhora significativa para a atmosfera da cidade, se forem cumpridas e fiscalizadas.

E falando em árvores, vale lembrar que dia 21 é o “Dia” delas e penso como seria bom se a “arborofobia” que parece dominar um vereador que obsessivamente pede seguidamente para cortá-las, apenas pelo seu tamanho, e também os funcionários que para “limpar” ruas e praças cortam desmedidamente tantos galhos e troncos que deixam esses locais áridos e ressecados – tivessem um pouco de conhecimento sobre a importância das árvores e do verde em nossas vidas. E como seria bom que aqueles, a quem cabe fiscalizar, pudessem responder a uma curiosidade da população: para onde vai toda essa madeira cortada?


Maria Toledo Arruda Galvão de França