Quem não pode ir à Câmara precisa saber... ARTIGO 6

Por Maria Toledo Arruda 06/08/2019 - 11:53

No final de julho, o Estadão publicou uma crônica divertida do psicólogo Leandro Karnal sobre a agilidade que todos temos em colocar a culpa nos outros. Segundo ele, esse costume vem desde Adão que colocou a culpa na Eva por tê-lo feito comer a maçã e não hesitou também em responsabilizar o Criador, pois Ele é quem tinha feito Eva de sua costela. Por sua vez, Eva culpou a serpente e só a coitada da cobra não pôde culpar ninguém! Fiquei pensando nos moradores da nossa cidade, que notam o seu abandono, a falta de democracia, de limpeza, de investimentos sociais e econômicos, de respeito à segurança das pessoas, ao meio ambiente; e me perguntei: - Quem eles culparão por tudo isso? Culparão o Prefeito? Os secretários? Os funcionários? Os vereadores? O Ministério Público? Ou culparão a população, às más escolhas feitas por ela, à sua acomodação, desinteresse e omissão?

Leandro Karnal pressupõe que diríamos: a culpa é de todos eles, menos nossa! Mas acredito que nossa consciência estará afirmando que essa culpa é de todos eles e sobretudo nossa! Somos nós que votamos, que não cobramos, que não nos preocupamos muito com o que acontece à nossa volta, acomodados naquela frase infeliz e sempre repetida: “não gosto de política!” E com isso a nossa sociedade civil segue, acomodada, submissa , desconhecendo a força que pode ter unida, a importância de estar atenta ao que acontece na cidade e na Câmara, ao papel que os eleitos pelo povo estão desempenhando em benefício da cidade, para que não erre mais nas próximas escolhas e possa ter uma cidade muitíssimo melhor.

 
Um belo exemplo dessa união está no livro publicado pela AMARRIBO – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, OSCIP: “O combate à Corrupção nas Prefeituras do Brasil” já na sua 5ª edição! A AMARRIBO é de Ribeirão Bonito, onde sua atuação foi intensa, mas cita exemplos de outras cidades que tiveram uma incrível mudança como Realeza. O livro considera como corrupção até mesmo a nomeação de parentes. Dá orientação sobre todos os meios legais para seguir administrações e conseguir que sejam transparentes. Outro exemplo incontestável e histórico de mobilização popular é a Lei da Ficha Limpa.


Aqui, não precisamos nos preocupar em avaliar nossos administradores – o estado da cidade revela, e de maneira contundente, o nível de competência da administração. Assistir às sessões da Câmara pode ser bem chato, mas dá para avaliar um pouco do desempenho dos chamados representantes do povo, embora na última sessão os comportamentos se mostrassem extremamente contraditórios. Vereadores e vereadoras que subiram na tribuna para condenar os ataques pessoais dos colegas terminaram suas falas fazendo exatamente o mesmo. Parece que nunca irão perceber que aquele não é o lugar adequado para questões pessoais.

Infelizmente, naquela sessão ficou escancarada a falta de responsabilidade da maioria dos vereadores com a saúde da população - na aprovação da capina química que já foi reprovada pela ANVISA! O Vereador Flores depois de ouvir o Vereador Segura, que é médico, falar sobre todos os perigos comprovados dessa capina, subiu na tribuna e inacreditavelmente, depois de muitos floreios disse “Se essa capina for aprovada será melhor para todos nós” Melhor para quem Vereador?! E depois dessa delirante afirmação passou a elogiar o Vereador médico dizendo que o respeitava e nele tanto confiava que “Se tivesse um filho iria pedir que o Dr. Segura tratasse dele”!

O Vereador Chupeta, autor do projeto, denunciava a existência de aviões que distribuem agrotóxicos na zona rural envenenando-nos pelo ar - como se isso justificasse a adição de mais envenenamento do ar e também dos lençóis subterrâneos de água da cidade!

O presidente da Casa pediu à Prefeitura que asfaltasse o final da Alameda Lourenço Avelino, sem constatar que naquele final existe quase um quarteirão de terreno sem calçadas, e onde, do lado oposto da rua, elas não existem ao longo da linha ferroviária – o que obriga os cidadãos a transitar pela insegurança do asfalto. Na penúltima sessão também tinha prometido que todos teriam oportunidade de falar, mas na sessão seguinte, mais uma vez, mostrou sua total falta de democracia, impedindo um vereador da oposição de usar o seu direito de falar interrompendo bruscamente a sessão.


Embora as eleições aconteçam somente em 2020, parece que já é tempo de começarmos a nos interessar mais pela administração e por tudo o que acontece nesta cidade - que neste mês faz 166 anos com tão pouco para comemorar! Acredito que nossa amada cidade e seus moradores merecem esse esforço de todos nós.


Maria Toledo Arruda Galvão de França # Por Jahu