Quem não pode ir à Câmara precisa saber.... Artigo 12

Por Maria Toledo Arruda 07/10/2019 - 17:16

No dia dois deste mês, vi no jornal da TV que o mundo comemora nessa data o ‘Dia da Não Violência”, em homenagem ao nascimento em 2 de outubro de 1869, do inesquecível líder pacifista indiano Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido como Mahatma - que significa “grande alma”, alcunha que lhe foi dada pelo poeta, romancista e dramaturgo indiano Rabindranath Tagore. Como advogado, escritor e jornalista Mahatma Gandhi lutou contra os ingleses pela independência da Índia de maneira pacífica e inteligente, desenvolvendo a técnica de Satyagraha, que prezava pela luta pelos direitos sem o uso de violência, apenas com base na desobediência civil e nas palavras. Além de sua luta pela independência da Índia, também ficou conhecido por suas frases e filosofia. Entre suas frases estão: “Bom seria se valorizássemos mais o poder do amor que o amor ao poder” e "Só se faz justiça quando se sabe a verdade”.
Fiquei pensando como seria bom se os representantes do povo tivessem mais amor à nossa cidade do que ao poder e em como os eleitores poderiam fazer uma escolha mais justa e consciente, se, naquela Câmara, prevalecesse sempre a verdade. No nosso grupo Por Jahu, - formado por pessoas apartidárias que amam esta cidade e que se preocupam com ela - fizemos a proposta de assistir semanalmente as sessões da Câmara e, infelizmente, chegamos à conclusão que nem sempre há verdade no que ali se fala e que o amor ao poder ali é ainda bem maior do que o amor à cidade e à população que neles confiou para representá-la.
Na sessão do dia 30/9, ouvimos de uma vereadora que as duas representantes femininas da Câmara representam as mulheres de Jaú, - o que certamente não é nada verdadeiro se contarmos as inúmeras mulheres que se proclamam descontentes com a administração que estas vereadoras sempre apoiaram - mesmo vendo nossa cidade regredindo visivelmente em desenvolvimento, em empregos, na limpeza, na saúde das pessoas e do meio ambiente! É natural que tenham muitas eleitoras, podem até ter bons projetos, mas certamente as duas parlamentares não representam a mulher jauense que precisa de emprego, de saúde, de um meio ambiente saudável e de um abrigo para se refugiar quando ameaçadas ou abandonadas. E assim também são muitos os vereadores que lá estão, mais apegados ao poder do que no amor à população que neles confiou - como os que aprovaram a capina química na cidade; e também na indiferença demonstrada pela maioria agora, nesta estiagem perigosa, com a falta de veículos e de pessoal capacitado - quando incêndios vêm acontecendo quase que diariamente, com enormes prejuízos para as pessoas e para o meio ambiente.
Tendo assistindo já inúmeras sessões, posso dizer que nunca notei e não me parecem verdadeiras as afirmações das vereadoras de que sofrem perseguições e preconceitos de outros vereadores por serem mulheres. No entanto, assistindo à essas sessões pode-se notar nitidamente que não somente elas como também vários dos outros parlamentares têm uma habilidade incrível para distorcer fatos e pronunciamentos dos opositores. Também nunca escutei ali grosserias dirigidas a elas por membros da oposição como foi afirmado. Alguns parlamentares realmente levantam muito a voz em seus protestos, esquecendo-se que bons argumentos são muito mais importantes que o volume em suas falas. Mas o que chegou a doer realmente nos ouvidos foi o pedido enfático da vereadora que agora é candidata ao Poder Executivo por “mais educação e respeito na tribuna”(sic), quando as mesmas usam e abusam da tribuna para rancores particulares, julgamentos descabidos, desabafos e auto elogios - esquecendo-se que isso sim é que é uma tremenda falta de educação e de respeito com os cidadãos que lhes pagam polpudos salários para que debatam as questões do município.
Também não soaram muito verdadeiros os autoelogios sobre a preocupação com acessibilidade na adaptação daquela Casa, que ainda conserva horários inadequados para os que trabalham e quando na pavimentação, em quase toda a cidade, o asfalto cria obstáculos para os cadeirantes, até mesmo diante de rampas de acesso - formando valetas que fazem entalar as rodas pequenas de suas cadeiras - sem que tenhamos ouvido um único protesto sobre esse fato nem sobre os banheiros públicos sem acessibilidade e horários adequados no Jardim de Baixo. Será que ao caminhar na cidade esses parlamentares não percebem quantos são os obstáculos criados nas ruas e calçadas?
Mas nessa sessão também houve momentos gratificantes como ouvir o protesto de um vereador da oposição que, a meu ver, naquele momento representou praticamente todas as pessoas da cidade que já sofrem a secura do ar sob o sol ardente - pelo o corte abusivo e arbitrário de árvores e a retirada das folhas que lançam umidade na atmosfera. Pelo número de árvores arrancadas e das marcas de galhos decepados que vemos quase que diariamente, acabamos supondo que os portadores dessas motoserras do CEPRON e seus superiores sofram de alguma paranóia compulsiva ou de uma ignorância gigantesca, que está deixando a cidade, dia a dia, cada vez mais árida, triste, feia e seca. Fato que se pode ver e sentir nos Jardins de Cima e de Baixo, atrás da Igreja São Francisco, atrás da rodoviária, defronte ao Colégio dos padres, à Prefeitura, entre outros locais e ruas. Um dos vereadores, ligado ao meio ambiente, pegou carona nessa questão dizendo que depois de avisado conseguiu salvar algumas palmeiras das muitas que foram cortadas pela Cia de Força e Luz. No entanto, algumas pessoas do nosso grupo tiveram a informação que a CPFL já havia avisado a Prefeitura, 30 dias antes, de que precisaria retirar as palmeiras por motivo de segurança - tempo suficiente para fosse providenciada a retirada e o transplante de todas elas.
Foi gratificante também ouvir Vereador médico se pronunciar novamente sobre os perigos da aprovação da capina química na cidade, afirmando que no ano que vem irá, se preciso, ao Ministério Público para anular essa aprovação. Como seria bom que ele não esperasse até o final do ano. Por que deixar a população sofrer por mais três meses os efeitos nocivos do glifosato? E como seria bom se os vereadores que aprovaram a aplicação desse veneno, altamente nocivo e reprovado pela ANVISA, tivessem a humildade de reconhecer essa atitude prepotente, arbitrária e irresponsável ( que certamente terá um peso grande e negativo entre seus eleitores) e voltassem atrás, demonstrando que para eles “o poder do amor (pela população da cidade) pode ser maior do que o amor ao poder” como aconselhou Mahatma Ghandi.
Eleitores jauenses, fiquem atentos! Pois quem ama - respeita! E se preocupa verdadeiramente com a saúde, a dignidade e o bem estar daqueles que representa.

Maria Toledo Arruda Galvão de França # Por Jahu