DETALHES HISTÓRICOS DA CIDADE -43

No texto da semana passada, que resgata um pouco da história do município, mostrava que já no final dos anos negros da escravidão e já falando sobre os imigrantes que vieram para substitui-los, informamos que os italianos que começavam a deixar os campos, uma vez na cidade optaram por diversas profissões. Tornaram-se carroceiros, sapateiros, celeiros, marceneiros, donos ou empregados de cocheiras e que muitos tornaram-se artesãos. Uma vez abandonadas as fazendas, eles rumaram para a rua Ruy Barbosa que, em razão disso passou a ser conhecida como a rua da polenta. Esses detalhes estão no livro “Jaú, a semente e a terra”, de autoria do eminente jornalista Waldo Claro que, infelizmente deixou o nosso convívio e uma grande saudade.

                                               Mencionado livro conta que: “... na citada rua ao contrário do que acontece no centro da cidade, dominada pela elite do café, a terra é barata e os aluguéis módicos. No início, o local era habitado predominantemente por negros, um verdadeiro gueto, local onde a cidade rica esconde sua face pobre e discriminada. Surge essa zona de habitações pobres das terras que Theresa de Almeida Prado de Assis Bueno recebe como herançana segunda metade do século dezenove e lega, em testamento, a seu velho e fiel escravo Jonas. Dali em diante ele incorpora o sobrenome Assis Bueno ao seu nome. Originalmente, segundo a tradição oral, as terras da rua Ruy Barbosa, integrava dos domínios da Fazenda Pouso Alegre de Cima, antiga possessão de Antônio Dutra, que este passa para Francisco Gomes Botão que, por sua vez, a vende para a família Almeida Prado...”.

                                               O supracitado livro, atualmente uma relíquia para consultas históricas, prossegue contando que, aos poucos os italianos vão despejando os negros da rua Ruy Barbosa, comprando-lhes as moradias a preços módicos. É uma gente alegre e unida que fortalece os laços de amizade e origem nas festas de rua, nas procissões religiosas, nas missas, no culto à culinária da pátria distante, nas bandas de música e nas associações recreativas. Suas bandas de música ganham fama. Começam com a Giacomo Puccini, em 1890, que gera, em 1910, a banda Giuseppe Verdi, sempre sob a liderança do maestro Heitor Azzi. Criam os seus próprios jornais em língua italiana, como a Fieramosca e Il Citadino, este dirigido pelo polêmico Alfredo Volpi.Para se reunir, a comunidade italiana criou as suas sociedades. Os pequenos comerciantes, os artesãos e todos os que emergem dos campos agrupam-se na Societá Stella D´Itália, fundada em 20 de setembro de 1824 e no clube Vittorio Emanuelle. Em 1919 aparece a seção jauense da Sociedade Dante Alighieri.

Paulo Oscar F. Schwarz é jornalista