Quem não pode ir à Câmara precisa saber... ARTIGO 2

Por Maria Toledo Arruda 11/06/2019 - 09:44

ARTIGO 2
O Estadão do dia 2/6, publicou o interessante artigo Cidades Saudáveis informando que Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou sete tópicos abordados por meio de estudos coletados em prefeituras do mundo todo para orientar gestores, urbanistas e cidadãos. São eles: saúde mental; acidentes de trânsito; violência urbana; atividade física; qualidade do ar; dieta saudável e terceira idade.

No momento em que se estudam mudanças no Plano Diretor da cidade seria bem interessante que os gestores e legisladores lessem esse artigo, onde alguns desses itens pedem tempo e custos altos, mas outros apenas um custo mínimo, conscientização, mudança de comportamento e ocupação dos espaços com novas idéias.

Fiquei pensando o quanto a nossa cidade está longe de ser saudável depois de meses de abandono, de falta de fiscalização e do descaso da atual administração com a limpeza, a saúde e a segurança da população – que embora sejam agora feitas no centro da cidade ainda continuam nas periferias e na zona rural do município. Fato que foi tristemente comprovado por vídeos e denúncias de vereadores da oposição e atém mesmo da situação nas últimas sessões. 

Como podemos falar em saúde mental quando a maioria dos representantes do povo demonstra uma total carência dela ao não conseguir compreender as consequências do lixo acumulado, do mato e da buraqueira do asfalto, na saúde e na segurança dos moradores? Não foi essa carência demonstrada por certa vereadora ao pedir que parassem de citar lixo e buracos e “dessem mais importância às pessoas”? Não é o que acontece quando a maioria dos vereadores se mantém omissa diante dessas gravíssimas falhas administrativas? Quando usa e abusa do dinheiro público em viagens curtas, sem qualquer iniciativa em promover a cidade, como fizeram agora na última ida à São Carlos?

Não é essa carência mental que os impede de alcançar o significado da democracia – conduzindo as sessões da Câmara de maneira acintosamente arbitrária no tratamento com os opositores e usando de medidas totalitárias e inconstitucionais como a ridícula tentativa de governar a liberdade de expressão popular como os aplausos: permitidos nas intermináveis moções, mas proibidos quando representantes da oposição refletem os anseios da população? 

Como poderemos considerar nossa cidade saudável na qualidade do ar quando não temos 1/3 da vegetação ideal e constatamos frequentemente que esta administração não se cansa de dilapidar nosso patrimônio verde por motivos irrelevantes? E como considerá-la segura com o mato alto, o asfalto esburacado ou mal reparado e falta de iluminação em inúmeras ruas? Como falar em terceira idade, inclusão de pessoas deficientes e em exercícios quando nossas calçadas não permitem nem as caminhadas seguras, pois não priorizam as pessoas e sim os veículos? Quando banheiros públicos para deficientes e idosos permanecem trancados? Quando parques, parquinhos, quadras e caminhos se encontram abandonados, sujos e inacessíveis?

Será saudável uma cidade onde se permite que a população seja roubada pagando junto da água que consome uma razoável quantidade de ar? Não deveria o projeto de lei em discussão na Câmara obrigar a concessionária a colocar a válvula que retira esse ar para que todos os consumidores ricos ou pobres deixem de ser roubados? Por que a concessionária teria o direito de permitir ou não a colocação da válvula que retira esse ar, como fala o projeto de lei?

Acredito que todos nós merecemos uma cidade saudável, mas para isso é preciso que todos nós saibamos escolher, cuidadosamente, representantes com mentes saudáveis.

Maria Toledo Arruda Galvão de França # Por Jahu

(republicado do Facebook da autora)