DETALHES HISTÓRICOS DA CIDADE – 41

No último texto a respeito dos imigrantes que participaram ativamente da histórica da agricultura no município, principalmente os italianos, abordamos o assunto com base no livro “Jaú, a Semente e a Terra”, capítulo IV dedicado exatamente a esse assunto. Mencionada obra do renomado jornalista Waldo Claro, destaca o seguinte: “o imigrante podia cuidar, com a família, de dois a quinze mil pés de café, dependendo do número de braços de que dispõe. Nem sempre, porém, a realidade condiz com o contrato e as promessas – aliás, acho que é assim até hoje, em muitos locais de trabalho. A ressalva é minha – O salário muitas vezes não é pago corretamente – qualquer semelhança com os dias atuais não é coincidência – as moradias são precárias, a vigilância diuturna do patrão sobre seus atos, seu trabalho e vida particular, fazem os italianos sentirem-se aprisionados...”

                                      Os imigrantes acabaram não sentindo qualquer ligação com a terra. Suportam as humilhações alimentando apenas dois grandes sonhos: o de voltar rico para a Itália ou, já enriquecido, permanecer por aqui nessa condição – e muitos conseguiram- A obra supramencionada conta ainda que: “... trabalha com a família de sol a sol no cafezal e vale-se de seu direito de plantar e criar suas galinhas e patos, além de plantar uma roça de milho, batata, feijão e algumas verduras. Engorda alguns porcos no mangueirão. Subsiste assim e vende o que sobra. Apesar das dificuldades, levas e levas de italianos continuam chegando ao Brasil.

                                      Uns fogem das turbulências políticas na Itália. Outros alimentam o sonho de fazer a América. No início do século 20. Bombardeado por informações alarmantes, o governo italiano baixao famoso decreto Prinetti, proibindo a imigração subsidiada para o Brasil, denunciando o regime de colonato, uma forma velada de escravidão. Outras razões também vão colaborar para a redução do fluxo imigratório essas, entretanto, dizem respeito à história da Itália, com o assassinato do Umberto Primeiro, em 1.900, quando o país entra em convulsão, criando uma crise política que leva a ascensão de Benito Mussolini e a instauração do fascismo.

                                      Essa nova situação faz com que o número de imigrantes italianos diminua e cresça o número de espanhóis que começam a chegar ao Brasil, seja com um ou outro elemento, os fazendeiros do interior paulista necessitam de um exército de aproximadamente 140.000 imigrantes para cuidar de mais de 330 milhões de pés de café. Essa situação toda faz parte integrante dos “detalhes históricos da cidade...”.

p. preto é jornalista.