DETALHES HISTÓRICOS DA CIDADE – 36

Agora no digital, ou seja, no Facebook e no site www.jaumais.com.br e na página da colunista Vera Lotto, vamos prosseguir com os enfoques pertinentes aos fatos históricos do município. Após um breve hiato, na semana passada, voltemos à saga dos escravos que pontilharam as terras jauenses, como em todo o Brasil. Baseando os relatos no livro do jornalista Waldo Claro, intitulado “Jaú, a semente e a terra”, obra editada por ocasião do transcurso dos noventa anos do hoje extinto jornal O COMÉRCIO DO JAHU, para o qual tive a honra de colaborar por 51 anos, acompanhando todas as suas transformações, do cata como era chamada a composição manual, ou seja letra por letra, à modernidade das novas técnicas editoriais. Por isso mesmo o saudoso diário ficará conhecido como arauto da história local.

                                      Retornemos, então, às histórias dos negros. Havíamos contado no último dia 30 que Joaquim Ferreira do Amaral abominava o regime infame da escravidão e que Tereza de Almeida Prado doara suas terras àqueles que a serviram. Waldo Claro conta ainda que: “os negros africanos jamais nasceram para serem escravos e privados da liberdade em vários países além do Brasil. Os escravos foram trazidos para as terras descobertas por Cabral, arrancados do Sudão, Angola e Guiné. Eles têm uma filosofia própria para encarar seus tiranos. Deixam-se escravizar e sofrer, certos de sua impossibilidade diante da dor. Essa imensa e comovedora capacidade de resignação diante do sofrimento rende-lhes, pouco a pouco a simpatia e o apoio dos que se horrorizam diante do lento holocausto que se pratica nas senzalas, nas malocas e nos mocambos...”.

                                      A narrativa do jornalista supramencionado conta ainda que: “...por volta de 1850 decreta-se o fechamento do tráfico negreiro no oceano Atlântico. O comércio escravagista passa, então, a ser interno, provocando a concentração de escravos nas províncias cafeeiras de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Na década de 1870, muitas províncias passam a legislar contra o rendoso tráfico interno e a Lei do Ventre Livre, datada de 1871, indica claramente que a libertação total e definitiva dos escravos está bem próxima...” É evidente que toda essa movimentação jurídica aconteceu a nível nacional, com profundos reflexos na lavoura de café não só de Jaú, mas de todo o Brasil.

                                      “Nessa ocasião o governo imperial e os fazendeiros, ambos desesperados, começam a estudar a possibilidade de substituir a mão-de-obra escrava pela dos imigrantes europeus nas plantações de café das províncias centrais e a reavaliar, também, que tipo de trabalho será ideal para atrair esses imigrantes. A nobreza agrária já tem consciência de que a coerção e a violência praticadas contra os negros têm que ceder lugar a um sistema negociado de contrato de trabalho, E a libertação chega sem ao menos esperar pela colheita do café. É o dia 13 de maio de 1888”, aqui também comemorado com júbilo pelos agora ex-escravos. São os “detalhes históricos da cidade...”.

P. Preto é jornalista.
p.preto@hotmail.com