Quem não pode ir à Câmara precisa saber.... Artigo 10

Por Maria Toledo Arruda 17/09/2019 - 08:14

Tenho uma amiga do Grupo Por Jahu, que não vai mais às sessões da Câmara. Chegou à conclusão que o que ali se passa é um teatro, uma tragicomédia. Não gosto de generalizar, mas depois da votação retrógrada e irresponsável na aprovação do uso da capina química urbana, aprovada pela maioria dos parlamentares de maneira antidemocrática, prepotente e totalitária - ignorando a opinião de órgãos competentes e a saúde da população - tudo o que dizem e principalmente quando falam em falta de vacinas, cirurgias, meio ambiente, investimentos e ajuda aos hospitais soa falso, de impossível credibilidade! Confesso que nas últimas sessões cheguei a concordar com minha amiga. Como estas pessoas se acham no direito de envenenar nosso ar, solo e água e depois se mostrarem verdadeiramente preocupados com a população? Como podem agir tão irresponsavelmente ao ponto de esquecer os alertas de perigo e o fato de que ninguém comanda ventos - como os que recentemente trouxeram a fuligem negra das queimadas da região amazônica e escureceram a cidade de São Paulo? Serão tão obtusos que não lêem jornais ou não compreendem os estudos mundiais sobre saúde e previsões climáticas divulgados por comunidades científicas nas mais diversas mídias? Ou serão tão convencidos para se acharem superiores á isso tudo?
Em nosso grupo, nos propusemos a passar aos eleitores sem tempo, o que ali acontece para que no futuro possam fazer escolhas mais cuidadosas de seus representantes. Sei que estou sendo repetitiva, mas tenho enorme dificuldade em me conformar com a falta de democracia desses parlamentares; com as atitudes prepotentes, totalitárias, e com o visível partidarismo da presidência da Câmara, denunciado enfaticamente pela oposição na última sessão. Vale ler o artigo do Ex Secretário de Justiça, Aluísio Toledo César, que mergulha na psicanálise para tentar compreender esses comportamentos, inclusive o do atual Presidente do Brasil, publicado no Estadão em 31/8: “Essa conduta faz lembrar o psicólogo Erich Fromm, para quem o homem moderno está possuído de sentimentos de inferioridade, insegurança, impotência, solidão, humilhação e insignificância. Por isso é muitas vezes levado a aparentar superioridade, segurança, poder, integração, prestígio e glória na área política, especialmente por meio de ideologias e movimentos totalitários”.
Na última sessão levaram um tempão elogiando os avanços na proteção das mulheres. Sem dúvidas, é importantíssimo o trabalho feito em conjunto com a Delegacia das Mulheres, a OAB a Casa Rosa, mas quando se enfatiza e afirma – como aconteceu na sessão passada que mulheres agredidas devam sempre fazer denúncias – não se pode esquecer que não temos na cidade um só abrigo para mulheres! Ontem, a TV Cultura divulgou que de cada dez mulheres que denunciam, oito são mortas em suas próprias casas.
Levaram também um tempão com requerimentos sobre trânsito, pavimentação, limpeza, iluminação - que continuam a refletir a má administração da cidade. Fazem sua obrigação ao apontar essas falhas sem, no entanto, encararem com afinco problemas maiores como o desemprego, a insatisfatória concessão da água, o asfalto falho, fraco e oneroso que cria obstáculos para os cadeirantes por toda a cidade e o corte desenfreado de árvores que enfeia e a deixa árida e seca – sem que seja dada qualquer explicação sobre o destino de toda essa madeira cortada em pedaços regulares. Serão insensíveis ao calor, à aridez e à secura do ar em nossa cidade? Não estudaram a fotossíntese na escola? Desconhecem que não existe uma só máquina humana que possa emitir raízes com sensores capazes de se alongarem na procura de água no subsolo, bombear essa água através dos xilemas por alturas que chegam até sessenta metros e lançá-la na atmosfera através da evapotranspiração de suas folhas? Que, (segundo o biólogo Antonio Donato Nobre) cientistas do mundo todo descobriram que 90% da umidade do ar vêm da vegetação e somente 10% da evaporação das águas de rios, lagos e mares? Que uma só árvore grande pode lançar diariamente no ar cerca de mil litros de água? Que é essa umidade que torna possível a nossa vida na terra? Que em agrupamentos formam um inigualável painel solar e podem evitar desastres climáticos como tempestades violentas, furacões e tornados? Que suas raízes evitam erosões?
Apesar de alguns parlamentares incultos chegarem até mesmo a incentivar o trabalho das motosserras, é incompreensível a omissão da maioria deles diante dessas ações que decepam vorazmente galhos robustos, retiram sem critérios árvores e palmeiras, podam desenfreadamente centenas de folhas verdes como vimos ultimamente defronte à Prefeitura, atrás da Igreja de São Francisco e no Jardim de Cima. Até mesmo no Jardim de Baixo não é mais possível desfrutar metade do frescor que ele antes oferecia! Uma pena que essas motosserras da administração pública não sejam capazes de cortar também a ignorância insana dos responsáveis por toda essa aridez e destruição do patrimônio verde da cidade, presenciada por seus moradores, dia a dia! Como comemorar o “Dia da Árvore” quando essas maravilhosas máquinas de tecnologia divina, que nos dão beleza, umidade, sombra, alimento e morada para tantas aves cantoras são tão pouco respeitadas em nossa cidade?

Maria Toledo Arruda Galvão de França - # Por Jahu