Quem não pode ir à Câmara precisa saber.... Artigo 13

Por Maria Toledo Arruda 17/10/2019 - 08:06

Talvez por ser uma simples dona de casa, inculta e sem qualquer formação acadêmica, que estou sempre me repetindo e precisando de explicações. Talvez por ter três quartos de século eu não consiga entender muitas coisas que hoje acontecem. De fato, não consigo mesmo entender esses parlamentares que se elegem para representar o povo e se esquecem dos mais humildes em atitudes que se revelam tão incoerentes e contraditórias aos princípios humanos e democráticos! Mas acredito que mesmo sem ter qualquer conhecimento técnico sobre hidráulica, todos nós conservamos sensibilidade para sentir o que é ético e o que não é. E agora, ao pegar em minhas mãos a lei 5.248, sobre as válvulas que tiram o ar que faz rodar nossos hidrômetros como se fosse água - ar que pagamos junto com a água consumida - a minha necessidade por esclarecimentos aumentou sensivelmente!


Que diria nossa maravilhosa e Santa Irmã Dulce - que teve sua vida inteira dedicada aos pobres - se lesse essa lei aprovada pela maioria dos vereadores, que obriga a concessionária de águas do município a colocar válvulas que retirem o ar, mas dá somente a essa empresa e aos por ela selecionados o poder de colocar e cobrar válvulas que antecedem a passagem da água pelo hidrômetro? Como ficam os mais empobrecidos que não podem pagá-las? Continuarão a ser extorquidos pagando uma razoável quantidade de ar junto com a água – como foi provado em vídeo exibido na Câmara? Essa lei ainda explica claramente que consumidores que quiserem colocar essa válvula e a válvula que impede o refluxo por conta própria - poderão colocá-las, mas somente depois que a água passar pelo hidrômetro! Por que somente depois do hidrômetro? Como o autor desse projeto pôde aceitar essa redação antidemocrática se queria beneficiar a população? Como os que se autodenominam representantes dela puderam aprovar e consentir em tamanha desonestidade e desigualdade? Não somos todos iguais perante a lei?


Que diria a nossa Santa Irmã Dulce se visse os bancos colocados por um vereador no novo parquinho público onde os andarilhos não podem sequer descansar o corpo? Aqueles bancos são anatomicamente desumanos em suas curvaturas e só podem ter sido desenhados por alguma mente insensível e egoísta. Quem colocou lá essas aberrações, que já se mostram avariadas e com ferros expostos, terá consciência do que é “bem público”? Quem derrubou árvores adultas para fazer aquele desnecessário parquinho, quase ao lado de outro parque público já existente, terá consciência do que quer dizer “meio ambiente” e de que precisamos cuidar dele pensando no futuro das crianças? Quem pode explicar porque a maioria dos vereadores que mostrou preocupação com o meio ambiente aprovando uma bonita lei de arborização em toda a cidade - na semana seguinte aprovou a capina química urbana, sem pensar nos perigos e consequências dela na saúde infantil - apesar de terem sido alertados sobre eles? Como podem parabenizar as crianças, como nesta última sessão, sem demonstrar preocupação com seu futuro?


Nesta última sessão também tivemos duas boas notícias: a de que Jaú foi considerada pela revista Exame como a 74ª entre as 100 melhores cidades do Brasil para investimentos. Embora vivendo numa realidade visível de retrocessos administrativos em muitos campos, - o que torna bastante difícil entender realmente como essa colocação foi conseguida,- não deixa de ser uma boa notícia, e talvez traga investimentos e empregos. E ficamos sabendo que a Faculdade de Medicina, apesar de particular, destina 10% de suas vagas para os que não podem pagar.


Mas ainda fico pensando no admirável trabalho da Santa Irmã Dulce, recentemente canonizada, pedindo que ela inspire a consciência desses parlamentares para que sejam justos e democráticos e legislem prioritariamente para os mais pobres e para a população. Peço que ilumine aqueles que se mostram sempre muito preocupados em construir uma nova câmara, uma nova rodoviária e consigo mesmos, sem atinar que apesar da qualificação na revista somos bastante desqualificados em assistência – carecendo, vergonhosamente, de abrigos para os jovens de rua, para meninas desamparadas e para mulheres ameaçadas. Peço saúde mental para aqueles funcionários que se mostram desprovidos dela - pois armados de motoserras estão, dia a dia, acabando com o patrimônio verde da cidade; e peço também por aqueles que, embotados pela ignorância, estão cimentando os canteiros públicos.

Maria Toledo Arruda Galvão de França - # Por Jahu