DETALHES HISTÓRICOS DA CIDADE – 38 (Imigrantes)

Encerrados os enfoques sobre a escravidão, rumamos para um novo capítulo, o dos imigrantes e aí tomo por base duas ótimas publicações históricas que sempre devem ser  consultadas quando se trata da história da cidade: Vultos e Fatos da História de Jaú, uma edição conjunta extraordinária comemorativa do centenário da cidade dos jornais Correio da Noroeste, Correio da Capital e Correio de Garça, elaborada em agosto de 1953 e Jaú, a Semente e a Terra, edição comemorativa dos noventa anos do hoje extinto jornal O Comércio do Jahu, elaborada pelo jornalista Waldo Claro. Note-se que os primeiros imigrantes chegaram em 1854m eram portugueses que Francisco Gomes Botão levou para sua colônia de São José do Pouso Alegre.

Os prenúncios da abolição da escravatura, iniciados com a alforria dos sexagenários e com a chamada Lei do Ventre Livre, por volta de 1895. Graças à colaboração do Ary Bauer Júnior, a redação dessa lei considerava livres os filhos de mulher escrava e, em seu artigo primeiro, informava que os ditos menores deverão ser por elas criados, sob autoridade dos senhores de suas mães até os oito anos de idade, e os senhores proprietários terão a opção de serem indenizados pelo estado ou utilizar seus serviços até a idade de 21 anos. Ou seja, o dono dos escravos não perdia nunca. Mas, mesmo assim, referida lei teve seus efeitos pois, a partir daí intensificam-se os fluxos imigratórios.

Em 1887 chegam 318 imigrantes e o fluxo aumenta muito com a promulgação da Lei número 3.353 Áurea, em 1888, assinada pela princesa Isabel, na ausência do imperador Pedro II, que se encontrava em viagem pela Europa. Waldo Claro, acima citado, em sua obra, conta que a campanha abolicionista inflama as consciências e ganha as ruas, fato determinante que leva o governo imperial e a aristocracia rural, de comum acordo, a convocar a mão de obra europeia, antes que os campos se esvaziassem e as colheitas se perdessem.

“Naquele final do século XIX, Jaú vive a fase dourada do café, produzindo mais de um milhão de arrobas do produto. É um momento de riqueza e redefinições. A cidade lidera os embarques de café no porto de Santos, de onde os grãos ganham o mundo a preços altamente compensadores. Mas também é o momento em que Jaú, como o resto do país, por força do Decreto 720, do Governo Provisório da República, vê-se na contingência de redefinir não só as bases jurídicas, como também as relações econômicas, trabalhistas e sociais que os donos da terra devem estabelecer com os trabalhadores livres...”.

E prosseguem as narrativas dos autores já mencionados: “...a chegada do imigrante italiano começa em 1886, aumentando muito a partir de 1870. Eles chegam da Calábria, Sicília e Veneza, com passagem subsidiada pelo governo do Brasil... ´É interessante a informação do ilustre jornalista: “..., mas não é fácil para eles, como não foi para o negro, a vida nas fazendas e a lida nos cafezais. Embora sejam livres, estão atrelados ao colonato, um novo sistema com base no trabalho executado. Eles ganham conforme o número de pés de café que cuidam, pelo volume que que colhem e pelos dias de trabalho especial...”. Essa situação foi observada em todo o país e não apenas em Jaú. Mas, sem dúvida alguma, eles fazem parte dos “detalhes históricos da cidade...”.

 

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