DETALHES HISTÓRICOS DA CIDADE – 37

Prosseguimos os enfoques sobre a rica história deste nosso atualmente mal conservado e praticamente esquecido pelas autoridades municipais, haja visto o estado de conservação da Praça Barão do Rio Branco, ou seja, o local onde se situa o prédio da prefeitura, a Praça da Matriz que teve seu nome alterado, esquecido que foram os critérios de preservação histórica e a Praça Siqueira Campos, os três locais assaltados por bandos de pombos que ali defecam continuamente, despejando seus detritos sobre o chão, onde nem se pode pisar sob pena de transporte das fezes contaminadas para o interior dos automóveis e residência. A limpeza contínua seria, antes da estética, um princípio de higiene.

                                      Pois bem, após esse hiato sobre a triste realidade atual, voltemos aos detalhes históricos da cidade registrando, antes de mais nada, a opinião do amigo e leitor Celso Kuntz Navarro, importante jauense radicado no Rio de Janeiro. A respeito da epopeia dos negros, como a chamou o jornalista Waldo Claro, não há muito o que acrescentar, mesmo porque não existem documentos oficiais que narrem os possíveis relacionamentos dos senhores fazendeiros com as escravas. Ouve-se contar que tais coisas aconteciam como, aliás, ficou parte na novela “Terra Nostra”, atualmente em exibição no Canal Viva. Aliás, devo dizer que tive o prazer de conviver com um vizinho, afrodescendente, que levava o patronímico de importante família da cidade.

                                      Outros detalhes já foram abordados em textos anteriores, culminando com a chegada da libertação em 13 de maio de 1888, como diz Waldo Claro em seu livro “Jaú a semente e a terra”: “a eliminação da escravidão chegou sem ao menos esperar pela colheita do café. Ausente do trono o imperador Pedro II, a então regente do império, princesa Isabel, assina a Lei Áurea. Jaú conta, nesse dia com 1.384 escravos, sem contar as crianças que nascem sem o estigma, graças à Lei do Ventre Livre. Até março de 1888, mais de 800 escravos já eram alforriados por mercê de seus senhores ou pela compra de seu título de homem livre. Quando a libertação chega, os negros abandonam em massa as fazendas e as lavouras de café. Abrem-se então, em Jaú, os caminhos para a chegada dos imigrantes europeus. Os primeiros portugueses chegam com Gomes Botão em 1854, para trabalhar na fazenda São José do Pouso Alegre...

                                      Aí começa um novo capítulo na história da lavoura no município. Com esses europeus – e graças igualmente ao seu trabalho e sofrimento – Jaú passa a escrever uma nova e comovedora página de sua história, segundo o já citado jornalista, obra na qual estamos baseando esta nossa suscinta pesquisa, apenas como curiosidade, sem pretender que ela se transforme em uma espécie de aula, o que seria enfadonho. Bem, e aí chegam, também, os italianos, tão bem retratados na supramencionada novela. Terminara a escravidão? Não. Ela apenas tomou uma nova fase, inclusive nos dias atuais. Um grupo de fiscalização especializado na verificação do trabalho, empreendida pelos auditores do Ministério do Trabalho, hoje vinculados ao Ministério da Economia. O que eles têm encontrado nesse Brasil é impressionante. O trabalho escravo só tomou outra forma, sem correntes nem chibatas. Mas existente neste nosso Brasil do século 21.

 

P. Preto é jornalista.
p.preto@hotmail.com