O CANO TORTO

Ele já foi um dos símbolos da cidade, quando era conhecido apenas popularmente por Canão, instalado no centro da cidade,na confluência das ruas Tenente Lopes e General Galvão, exatamente ao lado de onde hoje está o restaurante e churrascaria O Pizzaiolo.O prédio, que mais ou menos mantém as características anteriores foi, anteriormente, residência de um membro da família Pirágine, uma conhecida professora de piano. Serviu, por muito tempo, como fonte de água para moradores da cidade e, também, como local de brincadeira para estudantes da Academia de Comércio Horácio Berlinck onde, não raras vezes, alguns alunos foram parar dentro d`água, numa espécie de cuba que existia exatamente para possibilitar a alimentação dos animais. O precioso líquido jorrava exatamente de um cano grosso voltado para baixo. Quem quiser vê-lo, ele ainda existe, em um outro local, atualmente quase abandonado e desativado pelas administrações atuais., por suas águas estarem contaminada.

                                       O assunto de hoje é uma espécie de homenagem ao local e foi totalmente baseado em um texto do jornalista José Renato de Almeida Prado, nos áureos tempos do extinto, mas sempre lembrado, jornal O Comércio do Jahu. O citado autor conta quequem vinha a Jaú e bebia água do Cano Torto, certamente retornava à cidade. Era uma espécie de crença que muita gente jurava ser verdade. Essa história, verdadeira ou não, alastrou a fama do lugar por toda a região. Bebedouro para pessoas e animais, um dia mudou sua localização para uma espécie de praça ao lado do rio Jaú. Originalmente, há muitas décadas atrás, em seu local histórico, tornou-se ponto de parada para tropeiros e boiadeiros que vinham da região de Bauru para comercializar animais em Brotas e outras localidades.

                                      Esse movimento comercial era relativamente intenso, pois havia vários pontos de parada, pois antes da chegada das ferrovias, o café produzido nas propriedades locais, era transportado em lombo de burro até o porto de Santos, em uma jornada de aproximadamente cinquenta dias, conforme conta o professor José Rapahel Toscano em dois livros sobre a história de Jaú. Mas, ali no centro, por ser uma baixada, o local alagava-se facilmente nos períodos chuvosos. Com o decorrer dos anos, no entanto, o rio foi desassoreado e as enchentes diminuíram. Mas, infelizmente, isso ocorre com até uma certa habituidade.

                                      Então, em 1936, com a morte do proprietário de terras Miguel Russo, houve a doação do terreno para a prefeitura. Uma mina de água escorria pelas terras e desembocava no rio. A administração pública canalizou a água cristalina e construiu o bebedouro. Tinha origem aí o famoso Cano Torto, ou simplesmente canão, formado por uma cuba de aproximadamente 2,5 metros de diâmetros e uma pequena parede vertical com um cano que direcionava a produção da água. A popularização do local consolidou-se porque as tropas boiadeiras e transportadoras de café atraíam um grande número de curiosos. Começava assim a fama do “cano torto...”