DETALHES JAUENSES

Entre os leitores assíduos deste espaço semanal cito as senhoras Ana Blandina Paes de Barros, Maria Aparecida A. Paes de Barros, Maria Luiza A. Paes de Barros e o senhor Joaquim Mario Paes de Barros Júnior, as primas Marilda Capinzaiki de Moraes Navarro e Suzana Capinzaiki Carboni, Ucha Souza e Silva, Regina Pavanelli Brandão e, agora minha amiga, a doutora Célia Matarazzo, uma nova moradora do Jaú. São admiradores das fabulosas e inesquecíveis histórias da cidade.

Existem coisas e trabalhos que desapareceram com o tempo. São aspectos da modernidade e acredito que, com o passar do tempo, outras profissões também desaparecerão. Acredito que muita gente ainda se lembra daquele pessoal que, há algumas décadas, fazia o trabalho de capina entre os paralelepípedos do calçamento. Geralmente era uma turma de jovens, capitaneados por Antonio Carrara, já falecido. As coisas eram mais ou menos assim: as ruas ainda não tinham asfalto e, evidentemente, entre os paralelepípedos apareciam algumas plantas, geralmente as tiriricas. Como naqueles idos à cidade era limpa e bem cuidada, era preciso tirar o mato antes que ele crescesse em demais, tornando o aspecto geral da cidade mais feio.

Além disso havia, também, o pessoal da varrição que removia o pouco de lixo que aparecia. É, naquele tempo o povo era mais educado e quase ninguém atirava as coisas a esmo. Ruas, praças e jardins geralmente eram bem limpos e cuidados.Como se fazia essa limpeza dos vãos? Os funcionários da municipalidade usavam uma espécie de faquinha presa a um cabo. Eles trabalhavam sob o sol durante toda a jornada e muitos fizeram carreira nesse tipo de serviço. Um deles foi o Antonio Aparecido Boaventura, mais conhecido apenas por Boaventura. Acredito que muitos se lembrem dele, não só por esse trabalho exaustivo, mas também pela sua obra ao Sindicato dos Servidores Municipais. Eleito presidente da entidade, ele a presidiu entre os anos de 1985 a 1992 e foi dele a ideia e o empreendimento da construção da sede do Sindicato, situada na rua Visconde do Rio Branco, número 1.280, obra da qual muito se orgulha.

                            Ele conta, além de outros casos ocorridos durante sua trajetória profissional que, entre os parceiros de trabalho, que eram muitos, um se destacou, era o Antonio Aparecido Serra, hoje eminente advogado. Isso nos tempos de moleque, claro. Boaventura lembra, ainda, até com certa nostalgia, que a rua 13 de Maio era a mais chata e difícil de ser trabalhada. Diz que, olhando lá de cima, parecia que ela não tinha fim. Era muito comprida, parecia que não tinha fim. E a gente lá, sob o sol, fielmente, cumprindo a nossa função. Naquele tempo era assim: tem que fazer? Então vamos lá, cumprir a nossa tarefa. Esses e outros assuntos quase esquecidos fazem parte dos “detalhes jauenses...”.

P. Preto é jornalista.