Quem não pode ir à Câmara precisa saber...

Por Maria Toledo Arruda 23/05/2019 - 21:52

Apesar da voz sonolenta e entediada do presidente, as últimas sessões da Câmara foram bem agitadas nas declarações e requerimentos contundentes dados - tanto por vereadores da oposição como também da situação - sobre o gritante descaso administrativo refletido nos buracos, no mato alto, no lixo, nos galhos acumulados, nos excrementos dos pássaros e na deficiente ou inexistente iluminação de ruas, avenidas e outros locais públicos. São fatos que envergonham nossa cidade e cujas providências tardias, que começam agora a ser tomadas para minimizá-los, têm se mostrado incompletas, insatisfatórias e insuficientes. 


São fatos visíveis que afetam diretamente a saúde e a segurança da população e cuja importância a vereadora - que já teve pretensões ao plenário estadual - pareceu não compreender declarando que deveriam parar de falar em buracos, mato e lixo quando o que importava mesmo eram as pessoas! E mais uma vez se empenhou em gabar a Casa Rosa e falar sobre a fragilidade das mulheres que acredita defender, sem conseguir compreender a urgência de oferecermos em nossa cidade um abrigo para as mulheres. Na realidade, não bastam as leis de proteção como a Lei Maria da Penha, o acolhimento e o atendimento psicológico se essas mulheres, após suas denúncias, tiverem que voltar para suas casas e enfrentar as possíveis, violentas e perigosas consequências de suas delações - diante de companheiros desequilibrados! 


É realmente uma vergonha que um município do tamanho do nosso não ofereça um abrigo sequer para meninas que são abusadas, abandonadas e para mulheres em situação de risco. E também é vergonhoso que não tenhamos um abrigo permanente, uma casa de passagem para todos os que necessitam, principalmente em tempos de frio, chuvas e desemprego! Quando os parlamentares municipais se preocuparão de maneira eficaz com essas pessoas?


Também foi surpreendente ouvir o presidente criticar abertamente a ineficiência da Secretaria de Mobilidade Urbana! Certamente esse fato repentino, inexplicável e de difícil credibilidade levanta facilmente suspeitas sobre uma possível encenação combinada, às vésperas de um período eleitoreiro. Triste mesmo foi ouvir do Vereador Masson, a sugestão do uso das capinas químicas – quando estas já foram proibidas pela ANVISA pelos imensos danos que causam à saúde das pessoas! Sugeriu uma diluição, como se tirar emprego dos trabalhadores braçais, afetar lentamente nossa água subterrânea e a saúde da população fossem males menores.


Mas alguns fatos bons também aconteceram: a insistência do Vereador Chupeta para que se vote o seu projeto que impede a população de continuar a ser explorada pagando por significativa quantidade de ar junto com a água. O projeto de lei mais do que necessário, em vésperas de épocas eleitoreiras, do Vereador Pacheco, instituindo regras para coibir abusos nas propagandas municipais e o projeto do Vereador Bauab instituindo a obrigação de respostas aos vereadores por todos os funcionários públicos - um projeto bastante pertinente, uma vez que todos são servidores, pagos com o dinheiro público, e deveriam se sentir dignos de seus cargos ao responder com clareza e respeito aos que representam a população que mantém seus salários. Certamente, uma excelente ajuda para os vereadores que cumprem o dever de fiscalizar o bom emprego do erário.


Esperando que os eleitores fiquem atentos às votações de seus candidatos para que possam avaliar o empenho que demonstram em beneficiar esta cidade que tanto amamos, continuaremos a informar neste espaço, o que vemos, ouvimos e o que não podemos nem devemos calar.


Maria Toledo Arruda Galvão de França # Por Jahu