Quem não pode ir à Câmara precisa saber.... Artigo 11

Por Maria Toledo Arruda 24/09/2019 - 21:10

Ultimamente tenho pensado em desistir de ficar comentando os fatos que vejo nas sessões da Câmara, para os que não têm tempo de assisti-las - como me propus fazer com meus amigos do grupo Por Jahu. Em primeiro lugar porque não gosto de generalizar, não tenho um conhecimento profundo do trabalho de cada parlamentar, e, por vezes, temo fazer avaliações injustas. Em segundo, porque está ficando cada vez mais difícil não ser repetitiva quando os fatos se repetem de maneira impressionante, fazendo com que essas sessões se arrastem com tão poucos resultados positivos para a cidade. E finalmente porque sinto que posso estar sendo chata, repetitiva e cansativa, como essas sessões.
Na última sessão do dia 23/9, essa chatice foi coroada por parlamentar de “sangue quente” (sic!), num esganiçado e demorado “desabafo” (sic) de ranços particulares e de auto-elogios. E auto-elogios é que não faltaram nesse dia, nas seguidas ocupações da tribuna por diversos parlamentares, seguidos até mesmo por citações bíblicas! É desanimador ver como tantos deles não conseguem ter “noção” de que não é nada adequado - e até mesmo uma falta de respeito com os ouvintes - que seus sentimentos particulares sejam levados naquela tribuna. Chatíssimos elogios ou ofensas aos governadores e ex governadores de seus partidos também não faltaram. Como também não faltou mais uma grave acusação quanto à maneira arbitrária e antidemocrática de como aquela Casa é conduzida, pois inacreditavelmente, um documento importante enviado aos vereadores pelo Ministério Público foi convenientemente esquecido e seu recebimento não foi divulgado para os parlamentares - uma vez que o M. P. sugeria - lhes a instalação de uma CEI!
Os requerimentos, acompanhados por vídeos incontestáveis, continuam demonstrando a ineficiência da administração no trânsito, na fiscalização da concessionária de águas e principalmente na operação tapa-buracos em vários bairros da cidade. São queixas e pedidos de esclarecimentos sempre repetidos e que na maioria das vezes parecem resultar inúteis. Não consegui assistir até o fim, mas até as oito horas não vi ninguém comentar sobre os tristes e recentes incêndios, nem sobre a constatação da luta heróica dos bombeiros para dominá-los diante da escassez desesperadora de brigadas de combate, de equipamentos e de veículos; demonstrando um descaso imperdoável com a vida da população e com o meio ambiente da nossa cidade.
Foi aprovada, em regime de urgência, a obrigatoriedade sobre a conservação das calçadas, mas ninguém falou sobre a obrigatoriedade das calçadas ecológicas já aprovada em Lei. Parecem insensíveis à secura do ar. Falaram sobre deficientes físicos, surdos e cegos e até mesmo em políticas públicas para eles, esquecendo-se que as normas das calçadas ecológicas priorizam o trânsito seguro de cegos, deficientes e idosos antes mesmo de favorecerem o meio ambiente. Falaram sobre a água suja e o abuso nas contas de água, mas não comentaram a lei – aprovada por eles - que deu à concessionária, - não a obrigação de colocar válvulas que retiram o ar como deveria ser, mas a exclusividade para a mesma vendê-las e colocá-las – esquecendo-se que as pessoas de baixa renda continuarão sendo roubadas pagando boa quantidade de ar junto com a água. Falaram novamente sobre a proteção das mulheres, a criação de um Conselho para elas, sem tocar no assunto de que a cidade não tem um só abrigo para acolhê-las. E falou-se até mesmo em uma nova construção para a Câmara e Secretarias. A vereadora, que nesta sessão se declarou candidata ao Poder Executivo, não mostraria mais “coragem” (sic!), vocação política e solidariedade cristã se preocupando primeiramente com a falta de um abrigo feminino na cidade em vez de uma nova Casa Legislativa?
Chego à conclusão que prefiro versejar a continuar comentando essas sessões, e é aos jauenses que amam esta cidade que dedico esse poeminha que fiz há um bocado de tempo e que fala de um pecado de todos nós: Omissão.

Se eu fosse um poeta, se eu pudesse, / se o bom Deus inspiração me desse, / em bons versos, faria esta oração: / “Senhor meu Deus, dá proteção / e olha por essa gente humilde que trabalha: / a gente analfabeta que se cala,/
que faz com fé a sua obrigação.
E perdoa-nos se podes, meu Senhor, / a todos nós, os alfabetizados, / os não doutores e os que são doutores: / porque somos nós os pecadores / somente nós somos os culpados, /
pois nos calamos e aceitamos.
E quem cala consente, / e é conivente! / E tão culpado quanto estes governos / que elegemos, / que criticamos, /
que não cobramos.
Somos omissos e submissos, / acovardados e acomodados.
Pois não sabemos? Não enxergamos: / a nossa Pátria tão saqueada?/ Tão aviltada a democracia? /
A juventude abandonada?/ A educação desvalorizada?
E a saúde tão esquecida?
E a massa enorme / de gente humilde e desempregada,/
que se consome / no desespero e na fome?
E a ignorância? / O não saber / nem mesmo como se defender?
Mas nós sabemos! / E acovardados e acomodados /
- o que fazemos? / Nós aceitamos... / E aceitamos como normal / tanta injustiça social!
Senhor, poeta não sou, / mas aprendi a rezar: / perdoa-nos se ainda podes, / mas se não podes / nos dá coragem para mudar.
Assim quem sabe / um dia possas / nos perdoar.

Maria Toledo Arruda Galvão de França # Por Jahu