A RUA DA POLENTA

O texto de hoje conta com a colaboração inestimável do amigo Sérgio de Souza Gomes. Ele conta o seguinte: “A rua Ruy Barbosa tornou-se conhecida como “a rua da polenta”, tendo em vista a grande concentração de imigrantes italianos, com suas numerosas famílias ao longo da via pública, que começava no entroncamento com a rua Tenente Navarro e terminava no “úrtimo gole”, um boteco que existia na calçada da direita de quem sobe, um pouco abaixo das propriedades rurais que se estendiam até a saída da cidade, lá por aquelas bandas, com seu leito carroçável coberto por paralelepípedos, antes simples chão batido.

                                      Moravam naquela rua, entre outros, os Carloni, Rosella, Rossi, Rosseto, Gasparotto, Meschini, todos amantes do futebol e apaixonados pelo Palestra Itália, transformado em Palmeiras, na década de quarenta, em razão dos efeitos da segunda guerra mundial. Por sinal ali nasceu no dia seis de janeiro de 1930, a Associação Atlética Palmeiras, uma equipe boa de bola, atualmente transformada em uma sociedade que ficou conhecida como “Palmeirinha”. Essa associação profissionalizou-se em fins dos anos 40 e início da década de 50, chegando a disputar o campeonato da Segunda Divisão, na mesma chave do XV de Novembro, eterno rival do tricolor da Vila Meschini.

                                      Quando o grande Palmeiras de São Paulo vinha enfrentar o XV de Novembro de Jaú, em campeonatos da Primeira Divisão de Profissionais, a italianada comparecia em peso no antigo Estádio Arthur Simões, patrimônio tradicional, atualmente desaparecido, para torcer pela equipe paulistana e era só festa quando os palestinos venciam. Porém, no dia em que perdiam, enrolavam as bandeiras e batiam em retirada, quietinhos, para seu reduto, na rua que ganhou o apelido de um dos mais famosos pratos da cozinha italiana.

                                      Assim foi nos jogos de 1.954 a 1.955, com duas vitórias seguidas do “Galo” por 4 a 2 e 3 a 0, respetivamente, em jogadas inspiradas no craque Nestor, que veio parar em Jaú, desprezado pelo alviverde paulistano, então comandado por Jair Rosa Pinto que, segundo os palmeirenses locais, “ficaria em Dois Córregos” para cobrar as faltas feitas contra o gol do XV, com seu potente chute de esquerda.

                                      O professor de português, que foi nosso colega no sempre lembrado COMÉRCIO DO JAHU, na casa atualmente toda grafitada, existente nos altos da Rui Barbosa, uma construção simples que mostra como era a conhecida via, ali residiram meus pais e avô em sua época de juventude. Célia Maria de Souza Gomes conta que tem saudades do tempo em que também residiu naquela via. Dona Dinorá Cesário Amessa conta que passava férias, quando criança, na casa de sua avó. Zilá Bassan informa que era criança e sua grande lembrança era o bebedouro que existia naquele largo onde está o Posto do Ismar Saggioro. Isso era a “rua da polenta...”.