OS LEITORES E A RUA RUY BARBOSA

Os últimos textos sobre a rua da polenta mexeram com a cabeça dos leitores. Os comentários foram muitos e alguns cobraram a cronologia da rua de acordo com os anos. É verdade. A passagem do tempo modificou muito a ordem dos estabelecimentos. A última abordagem, há quinze dias, trouxe as memórias do Jorge Carloni que lá residiu por muitos anos, inclusive em sua infância e adolescência. Agora vamos ao que disseram aqueles que se manifestaram a respeito. Gercy Maria Di Chiachio, por exemplo, contou que lá nasceu e viveu por quarenta anos. José Ismael Alba relembrou o bar do Arlindo que não foi citado.

                                      Maria Conceição Ramazzini Marchi falou que quase na confluência com a Travessa José Veríssimo existe um prédio que foi o armazém do Périco e que ainda hoje é um mercadinho. Do outro lado da rua a construção era dos meus avós Jesus e Maria Diz e que por ali também existiram a fábrica de jacazinhos, uma lenhadora e transportadora. Ricardo Di Chiachio, mais conhecido como Cacão cobrou a menção ao armazém dos Di Chiachio, na confluência com a rua Tenente Navarro. Eurípedes Martins Romão, o popular Pipe disse que o relato estava com, mas misturou diversas épocas. Por exemplo, o posto de gasolina citado, anteriormente pertenceu a Alberto de Macedo, pai do Guido. Poucos sabem que José Paulo Vasconcelos também foi proprietário do mencionado estabelecimento. Não foram relacionadas, igualmente, a fábrica de botinas dos Crozera, que ficava vizinha à casa do cônsul, assim como faltou mencionar a casa do coronel José Veríssimo, bem como a alfaiataria Bien.

                                      Como já foi dito, no último texto faltou citar, ainda, o armazém de Braggion & Peralta que também ficava próximo à confluência com a rua Tenente Navarro. Alcides Bernardi Júnior, o dinâmico e respeitado diretor da Santa Casa, que desenvolve um exemplar trabalho junto à entidade, lembrou que o projeto da majestosa Igreja de São Sebastião foi de autoria do engenheiro Alcides Bernardi Júnior. Sônia Ronchesel Lanza conta que sempre morou nos altos da Rui Barbosa e que sua família reside no mesmo local. Lunalva Salati diz que Nélson Cirino ainda reside na mesma rua. A professora Maria Waldete Cestari informa que havia a padaria Rui Barbosa que era de seu sogro, Guilherme Cestari, que fazia os mais famosos biscoitos de polvilho da cidade, além de fabricar, também, Brevidades, Sequilhos, Cangalha e o delicioso Mantecau.

                                      A doutora Vera Maria Párice relembra que a nona, moradora da rua, fazia uma polenta enorme e a jogava sobre a mesa, num pano branquinho. Depois servia com escarola e frango no molho vermelho. Para o café da tarde fritava Crustule. Sílvia Ferreira conta que é neta de italianos do norte da Itália e que sua mãe herdou o costume da polenta. Se no domingo não podia faltar pasta com variedade de molhos, no sábado era sagrado a polenta com carne moída ou rabada. Até hoje curto uma bela e saborosa polenta com costela de boi. É a tradição. Esses e outros relatos que virão fazem parte da relação dos “leitores e a rua da polenta...”

P. Preto é jornalista.