DETALHES HISTÓRICOS DA CIDADE – 40

No último texto a respeito do fim da escravidão e início da imigração dissemos que a chegada dos italianos tem início em 1886, aumentando a partir de 1870. Eles vinham da Calábria, Sicília e Veneza, com passagem paga pelo governo do Brasil e, segundo o livro “Vultos e Fatos do Jaú”, obra editada em 1953, por ocasião do centenário da cidade, “os primeiros trabalhadores estrangeiros já chegam em 1854. Eram portugueses que Francisco Gomes Botão leva para sua colônia de São José do Pouso Alegre, segundo documentos oficiais. Mas, dessa primeira tentativa aproveita-se apenas uma parte. Outros integram-se à comunidade e alguns deixam as terras do Jaú em busca de outras colocações. O restante permanece na propriedade até que Gomes Botão vende suas terras para os Almeida Prado, que passam a administra-las e, inclusive, desmembra-las.

                                      Ainda segundo mencionado livro, a proximidade da total abolição dos escravos, o fluxo imigratório se intensifica. Só em 1887 chegam 318, número que aumenta consideravelmente depois de 1888. Milhares de colonos, então, se radicam em numerosas propriedades, especialmente no Banharão, de onde se irradiam para outras zonas do município. No final dos anos 1800, já no raiar do novo século havia aproximadamente um total de 9.484 estrangeiros e, entre os anos de 1900 a 1909 esse número chega a 13.572. Agora com base no livro “Jaú, a semente e a terra”, do jornalista Waldo Claro que, infelizmente partiu recentemente, deixando muitas saudades, os detalhes sobre a chegada dos italianos. O primeiro grupo aporta na cidade a partir de 1886, com a finalidade de substituir os escravos na lavoura de café.

                                      A intensificação do movimento abolicionista leva o governo imperial de Pedro II e a aristocracia rural a convocar a mão de obra europeia e Jaú, na época, vivia a fase áurea do café, produzindo mais de um milhão de arrobas e cerca de 18 milhões de pés de café. A cidade lidera os embarques de café no porto de Santos. Assim, a chegada dos italianos se intensifica a partir de 1870. E o italiano, em terras brasileiras, ganha conforme o trabalho realizado, o número de pés de café que cuida, pelo volume do produto que colhe. Depende do número de braços que dispõe e uma família de italianos pode cuidar de dois até 15 mil pés de café. Tinha direito, igualmente, a um pedaço de terra para plantar e criar.

                                      Ainda segundo o trabalho de Waldo Claro, a vida dos italianos não foi fácil. O salário muitas vezes não é pago corretamente, a moradia sente falta de condições de higiene decente, a vigilância constante do patrão, inclusive sobre sua vida particular e, em muitos casos, a obrigatoriedade de cumprir um ano de trabalho antes de mudar de fazenda. Por isso mesmo, esse estrangeiro não desenvolvia qualquer ligação sentimental com a terra onde trabalha com a família de sol a sol, sente as dificuldades para sobreviver, vale-se de seu direito de plantar e criar em seu pedaço de chão. E tudo isso fez parte dos “detalhes históricos da cidade...”.

 

P. Preto é jornalista.

p.preto@hotmail.com