Globo de Ouro consagra 'Bohemian Rhapsody'

Globo de Ouro consagra 'Bohemian Rhapsody'

Por José Luiz H. Galazzini 07/01/2019 - 13:34

Numa noite com menos discursos engajados, o Globo de Ouro consagrou os filmes "Bohemian Rhapsody" e "Green Book", no cinema, e "O Método Kominsky" e "O Assassinato de Gianni Versace", na televisão.

A cerimônia de entrega das estatuetas foi realizada neste domingo (6), em Los Angeles, e deu a largada para a temporada das premiações de 2019.

A maior surpresa foi o fato de que o filme "Nasce uma Estrela", que despontava como favorito, perdeu nas principais categorias e ficou apenas com a estatueta de melhor canção original. Isso porque o troféu de filme dramático acabou indo para "Bohemian Rhapsody", cinebiografia sobre a banda Queen. 

A obra ainda rendeu a Rami Malek, que interpreta Freddie Mercury, o prêmio de melhor ator de drama. 

Foi uma edição com menos discursos inflamados, ao contrário da do ano passado, marcada por discursos politicamente inflamados, como o de Oprah Winfrey. Comentários mais engajados ou momentos realmente memoráveis foram poucos. 

No que foi mais próximo disso, Glenn Close, por "A Esposa", fez um aceno emocionado ao feminismo, Regina King, de "Se a Rua Beale Falasse", disse que empregaria mulheres emn suas produções, e o diretor Peter Farrelly, de "Green Book: O Guia", falou em "não julgar os outros pelas diferenças". 

Nas categorias cinematográficas, o filme de Farrelly largou com força depois de ter levado os prêmios de melhor filme de comédia, roteiro e ator coadjuvante (Mahershala Ali). A história, inspirada num caso real, acompanha um ítalo-americano (Viggo Mortensen) que aceita a tarefa de conduzir um jazzista negro (Ali) por rincões racistas do Sul dos Estados Unidos.

A vitória de "Green Book" não deixa de ser uma lástima, em certos aspectos. Num ano em que concorreram várias obras mais carregadas e mais contundentes sobre racismo (caso de "Infiltrado na Klan", "Pantera Negra" e "Se a Rua Beale Falasse"), a premiada foi justamente a mais condescendente e a única entre elas que tem um diretor branco.

Produção da Netflix, "Roma", que era uma das apostas mais certeiras da noite, ganhou as estatuetas de melhor filme estrangeiro e de melhor direção. A obra, baseada nas memórias dos anos 1970 do diretor Alfonso Cuarón, aborda o melancólico cotidiano de uma empregada doméstica num casarão abastado na Cidade do México.

"Muito obrigado, México", disse o cineasta, em espanhol. 

A gigante do streaming também se saiu com saldo bastante positivo ao levar outras duas estatuetas em categorias televisivas graças a "O Método Kominsky". A atração faturou os prêmio de série cômica e ator em série cômica, para Michael Douglas. A trama conta a história de um ator envelhecido (Douglas) que entra em decadência e vira treinador de outros atores.

s categorias de atores coadjuvantes em cinema foram dominadas por intérpretes negros. Além de Ali, saiu vitoriosa Regina King, por "Se a Rua Beale Falasse", de Barry Jenkins. 

King, que interpreta a sogra de um sujeito negro preso injustamente, foi ao palco e citou o Time's Up, mote que surgiu no ano passado e que faz uma crítica ao assédio na indústria. A atriz anunciou que produziria filmes em que metades das equipes seriam formadas por mulheres.

Das poucas surpresas da noite, Glenn Close tirou a estatueta de Lady Gaga e levou o prêmio de melhor atriz dramática por "A Esposa", filme de pegada feminista. 

Entre os atores de cinema, a associação de imprensa estrangeira privilegiou trabalhos que exigiram transformação corporal de seus intérpretes.

Rami Malek, que se transformou em Freddie  Mercury em "Bohemian Rhapsody", levou a estatueta de melhor ator dramático. 

Christian Bale levou o prêmio de ator em filme cômico ou musical por "Vice". Nessa comédia, que desanca o governo de George W. Bush, ele interpreta o ex-vice-presidente americano Dick Cheney debaixo de pesada maquiagem. "Agradeço a Satã pela inspiração", ironizou o ator. 

A única vitória de "Nasce uma Estrela" foi pretexto para que a cantora Lady Gaga, no centro do palco, falasse brevemente sobre a dificuldade que mulheres têm no showbiz e agradecesse a seus parceiros. 

"Homem-Aranha no Aranhaverso" levou o prêmio de animação. O desenho se aproveita do universo dos super-heróis para louvar a integração racial. O protagonista do filme, que estreia no próximo dia 10 no Brasil, é um adolescente negro de origem latina. 

Em televisão, o reconhecimento de "The Americans" como melhor série de drama, que é ambientada durante a Guerra Fria, veio a reboque do atual acirramento das tensões entre Estados Unidos e Rússia e das investigações sobre as interferências do governo de Vladimir Putin no resultado das eleições que levaram Donald Trump ao poder.

Rachel Broshnahan levou o prêmio de atriz cômica por "Maravilhosa Sra. Maisel". Foi a segunda vez que a intérprete americana levou esse prêmio e pelo mesmo papel, o de uma dona de casa que resolve virar comediante.

Já Darren Chriss, que era favoritíssimo em sua categoria, levou o prêmio por sua interpretação como o assassino de "O Assassinato de Gianni Versace: American Crime Story". A atração, sobre a morte do estilista, levou ainda o prêmio de melhor série limitada ou telefilme. 

Os britânicos Ben Whishaw e Richard Madden foram outros dos vencedores da noite.

O primeiro levou o prêmio de melhor ator coadjuvante por "A Very English Scandal", trama sobre um líder político que, durante os anos 1970, teve de ocultar seu relacionamento com um outro homem.

Já Madden, ator escocês de 32 anos é um nome cotado para viver o próximo James Bond, ganhou o prêmio de ator em série dramática graças à policial "Bodyguard". Sadra Oh, que foi uma das apresentadoras da noite, acabou sendo premiada como atriz dramática por "Killing Eve", desbancando a veterana Julia Roberts, elogiada por "Homecoming".

Das poucas surpresas, Patricia Arquette, de "Escape at Dannemora", tirou da favorita Amy Adams (de "Objetos Cortantes") a estatueta de atriz em série limitada ou telefilme. A obra de Adams, contudo, foi lembrada na categoria de atriz coadjuvante, que premiou Patricia Clarkson.