MP investiga prescrição de receitas em Itapuí

Promotoria de Jaú oficia seccional para fornecer informações sobre o caso

Por José Luiz H. Galazzini 16/05/2018 - 07:36

O Ministério Público (MP) em Jaú instaurou inquérito civil para apurar eventual ato de improbidade administrativa envolvendo a prescrição de medicamentos a moradora de Itapuí pela vice-prefeita da cidade, Maria Clelia Viaro Pichelli, que também é diretora municipal de Saúde.

O fato foi denunciado na última sexta-feira (11) pela vereadora de Itapuí Tatiane Cristina Maia. Por meio de vídeo compartilhado nas redes sociais, a parlamentar acusa a vice-prefeita de preencher receita em nome de um médico da rede pública e entregar a uma paciente.

Na portaria do inquérito civil, o promotor de Justiça Rogério Rocco Magalhães cita que o ato da diretora de Saúde pode configurar, em tese, um exercício ilegal de medicina. Ele deu prazo de 15 dias a partir da notificação para que ela e a vereadora Tatiane Maia apresentem informações escritas sobre o caso.

O prefeito Antonio Alvaro de Souza (PTB), o Toninho, foi oficiado para informar no mesmo prazo se houve a instauração de sindicância administrativa para a apuração dos fatos. O promotor também solicitou à delegacia seccional de Jaú a cópia do inquérito policial instaurado para investigar eventual crime.

O CASO

A suposta prescrição irregular de medicamentos pela vice-prefeita de Itapuí também é investigada pela Polícia Civil. Na semana passada, os envolvidos prestaram depoimento e um boletim de ocorrência de falsificação de documento público foi registrado. A polícia também coletou material grafotécnico do médico e da diretora de Saúde para análise pericial.

Na ocasião, o delegado Ricardo Martines, que está respondendo pela Delegacia Seccional de Jaú, contou que a vereadora acusou a vice-prefeita de utilizar receituário do médico para prescrever medicamentos para pacientes.

"A diretora de Saúde, que é enfermeira, diz que realmente fez o pedido, mas conversou com o médico antes e simplesmente escreveu o que o médico mandou na receita, e que a assinatura é do médico", declara.

"O médico foi ouvido e também disse que ela (vice-prefeita) foi procurada por uma paciente, que teria ido até o posto de saúde, e, como era um remédio que necessitaria de receita, ela foi atrás da receita com ele e ele autorizou a fazer a receita e assinou a receita". O prefeito de Itapuí negou qualquer irregularidade. "Quem chamou a polícia foi a vice-prefeita, a receita foi assinada pelo médico, o médico confirmou que assinou e a paciente confirmou que a Clélia saiu da sala e foi até o consultório do médico pegar a receita", disse.