Com 10 óbitos confirmados, dengue pode ter matado outras 9 pessoas

Além das novas suspeitas de vítimas fatais, balanço divulgado nessa terça (19) pela prefeitura aponta que Bauru já passa dos 6 mil casos oficiais da doença

Por Paulo Grange 20/03/2019 - 08:04

fonte: jc net

 

Os registros de dengue em Bauru não param de crescer. Nessa terça-feira (19), a Secretaria Municipal de Saúde contabilizou mais 1.133 novos casos da doença, totalizando 6.008 registros em 2019, com dez mortes confirmadas. Até a semana passada, três outros óbitos eram investigados, mas, nesta última atualização, outros seis casos suspeitos de vítimas fatais foram adicionados. Apesar de o quadro seguir alarmante, a boa notícia é que a epidemia dá sinais de retração, o que deve se consolidar com a chegada do outono.

Os exames de confirmação da doença são feitos por meio do Instituto Adolfo Lutz e levam de 40 a 45 dias, em média, para ficar prontos e serem repassados ao município.

Segundo o Departamento de Saúde Coletiva, dos 1.133 novos casos de dengue, 1.129 são autóctones, ou seja, contraídos no próprio município, e quatro são importados.

Os dados se referem aos pacientes que tiveram início dos sintomas entre 1 de janeiro a 19 de março.

EMERGÊNCIA E AÇÕES

Secretário municipal da Saúde, José Eduardo Fogolin ressalta o esforço do município, que tem realizado uma série de ações na tentativa de combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus.

Desde 29 de janeiro, quando a Prefeitura Municipal emitiu o decreto de situação de emergência n.º 14.143, foram realizados mutirões pela cidade, nebulização, houve a contratação de 90 agentes para auxiliar na fiscalização, foi iniciada a formação de agentes multiplicadores, um aplicativo para ajudar na conscientização e denúncia de lotes sujos foi desenvolvido (leia mais abaixo), um Comitê Ambiental de Controle de Endemias foi organizado e reuniões com entidades e empresários da cidade têm sido realizadas com intuito de unir esforços na luta contra o mosquito.

"As pessoas têm ligado e requisitado o 'fumacê''. Mas não é assim que funciona. É tudo feito de forma controlada. O ''fumacê' é veneno e qualquer veneno faz mal à saúde quando não usado de forma correta. Não podemos exagerar", comenta Fogolin.

Outras medidas, como a soltura na cidade de mosquitos transgênicos, conhecidos como "Aedes aegypti do bem", assim como ocorreu em Piracicaba há alguns anos, têm sido questionadas para o secretário. Geneticamente modificados, os mosquitos não picariam por serem machos e, ao se reproduzirem com as fêmeas selvagens, transmitiriam um gene que faria com que os filhotes morressem antes da fase adulta.

"Infelizmente, não houve um acompanhamento efetivo do estudo e ainda não há garantia de eficácia deste método", cita Fogolin, defendendo que a melhor arma contra a epidemia, no momento, é o combate ao Aedes e seus criadouros.

"A maioria dos criadouros está nas residências. Precisamos criar uma cultura de fiscalização nas pessoas. E isso pode começar dentro das empresas e instituições. Ao ajudar a combater criadouros na empresa, elas farão o mesmo em casa", ressalta Fogolin.

Inclusive, uma das campanhas é a "10 minutos contra o Aedes". Desenvolvida pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), baseia-se em uma ronda semanal de 10 minutos observando alguns pontos (veja no quadro).

HISTÓRICO

A primeira grande epidemia na cidade foi em 2007, seguido de 2011, ano em que o município registrou a primeira ocorrência de óbitos pela doença, quando seis pessoas morreram.

As pesquisas realizadas pela Secretaria de Saúde, que analisou o quadro envolvendo a dengue de 2000 até 2018, constatam que o aumento de casos se manifesta em períodos cíclicos, em anos ímpares.

Em 2013, o município apresentou 7.434 casos e dois óbitos. Em 2015, foram 8.482 ocorrências e seis óbitos. 2016 apresentou um número menor de registros, porém, houve um óbito.

DeMolay promoverá passeata neste domingo

 

Foi após perder um de seus integrantes que um grupo de cerca de 50 jovens da Ordem DeMolay, em Bauru, mergulhou na luta contra o mosquito. Capacitados como agentes pela prefeitura no último final de semana, eles replicarão parte de seus ensinamentos em uma passeata neste domingo (24), na avenida Getúlio Vargas. Munidos de cartazes e com um carro de som, eles convidam a população em geral para a passeata "Movimento Contra a Dengue", com concentração às 9h, em frente à Polícia Federal.
O trajeto irá até a Praça Portugal e o retorno se dará pela Getúlio Vargas. Os organizadores vestirão camisetas com a foto de Nickolas Antonio Bartholomae da Silva, morador da Vila Souto, que integrava a Ordem e morreu há algumas semanas com suspeita de dengue.

"Só acordamos para a gravidade da situação quando vimos que a morte por dengue chegou até nós, infelizmente. Nossa missão, agora, é lutar o máximo que podemos", cita Edmo Luiz Filho.

AÇÕES EM ESCOLAS

Além da passeata, os jovens se tornaram agentes multiplicadores e visitarão 16 escolas municipais para palestras. "Começamos hoje (terça-19). Esperamos conseguir visitar uma média de duas escolas por dia. Também visitaremos empresas", acrescenta Edmo.

O grupo se prontificou ainda a ajudar a prefeitura em outras ações de fiscalização.

A Ordem DeMolay é um grupo de jovens de 12 a 21 anos patrocinado e apoiado pela maçonaria.

DENUNCIE TERRENOS SUJOS

Outra forma de combate à dengue é por meio da denúncia de terrenos sujos e de criadouros do mosquito. Por meio de um aplicativo desenvolvido nos últimos dias pela prefeitura, é possível denunciar imóveis e terrenos com anonimato garantido.

O App “Limpeza Pra Valer” não está disponível na “Play Store” ou “Apple Store”. Mas seu uso é simples. Basta acessar o site da prefeitura (http://www.bauru.sp.gov.br) ou http://app.bauru.sp.gov.br e clicar no banner do aplicativo, na capa do portal.

Após a denúncia, o morador deve gravar as informações e anotar o número de protocolo para acompanhamento do caso. Caso a pessoa não consiga usar o aplicativo, a denúncia poder ser feita por outro canal, entre eles a Ouvidoria, pelo telefone (14) 3235-1156, das 8h às 18h, de segunda-feira a sexta-feira. Outra possibilidade é o e-mail ouvidoria@bauru.sp.gov.br e ainda no Posto de Atendimento da prefeitura no Poupatempo.