Anvisa proíbe venda de lote de frango de indústria de Jaú

Empresa enviou à agência comunicado de recolhimento voluntário do produto em razão da constatação da presença de uma bactéria

Por José Luiz H. Galazzini 21/04/2018 - 09:50

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nessa sexta-feira (20) no Diário Oficial da União (DOU) resolução que proíbe a distribuição e a comercialização em todo o território nacional de lote de peito de frango cozido desfiado congelado da marca D Alimentos, produzido em uma fábrica em Jaú, em razão da presença de uma bactéria.

Segundo a Anvisa, o lote 320 do produto apresentou a existência de Listeria monocytogenes, uma espécie de bactéria capaz de provocar febre, dores musculares e distúrbios gastrointestinais em seres humanos, além de doenças como a meningite.

O órgão ressalta que a própria fabricante do peito de frango cozido desfiado comunicou o recolhimento voluntário do lote. Na resolução, a Anvisa determina que a empresa recolha todo o estoque do produto existente no mercado referente ao lote.

RESPOSTA

Por meio de nota, a D Alimentos informou que, conforme estabelecido na legislação brasileira, emitiu voluntariamente um comunicado de recolhimento do lote 320 de frango desfiado à Anvisa no último dia 16 de abril.

A empresa ressalta que a mercadoria não foi comercializada para supermercados. "A D Alimentos reitera seu compromisso com a ética e a segurança alimentar e ressalta que estabelece rígidos controles em todo o seu processo, da industrialização à entrega", afirma.

"Todos os insumos utilizados passam por criteriosos e constantes processos de avaliação e análises, sendo adquiridos junto a fornecedores de primeira linha, tidos entre os melhores do país. A empresa é certificada e segue normas de qualidade e segurança alimentar que asseguram produtos de alta qualidade".

DESCREDENCIAMENTO

A existência do lote de frango contaminado produzido em Jaú veio à tona um dia após os Estados-membros da União Europeia (UE) decidirem, por unanimidade, descredenciar 20 unidades brasileiras exportadoras de carne, principalmente de ave, para o bloco.

Em nota, a Comissão de Saúde e Segurança Alimentar da UE afirmou que a medida foi adotada em função de "deficiências detectadas no sistema de controle oficial brasileiro". A decisão começará a valer 15 dias após publicação oficial.

Também por meio de nota, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) criticou a decisão da UE e cobrou "ações rápidas" do governo brasileiro para minimizar os danos aos avicultores. "Não há confiança num parceiro que cria normas sanitárias para disfarçar barreiras ao comércio", declarou.