Epidemia de dengue: com mais 398 casos, prefeitura de Bauru tenta evitar mortes

Secretaria de Saúde diz que, com o aumento de registros e dentro de quadro epidêmico, prioridade é acompanhar pacientes para não ter óbitos

Por Paulo Grange 26/01/2019 - 11:35

A dengue não para de avançar em Bauru com números assustadores. Ontem, a Secretaria Municipal de Saúde, através do Departamento de Saúde Coletiva, confirmou mais 397 casos autóctones da doença e um importado, inserindo a cidade de vez em uma epidemia. Agora, em 2019, o município já contabiliza 612 registros, uma média de quase 25 novos casos por dia. Diante do quadro, a principal meta da prefeitura é acompanhar os pacientes para evitar que haja vítimas fatais.

Para se ter uma ideia, em todo o ano passado, Bauru teve 241 pessoas doentes com dengue. Só nos primeiros 25 dias deste ano, o número já é mais do que o dobro do contabilizado em 2018 inteiro. Um dos aspectos que mais preocupam é a entrada do vírus tipo 2 na cidade, que não circulava há sete anos no município.

O secretário de Saúde, José Eduardo Fogolin, lembra que os números já colocam a cidade em quadro de epidemia, um alerta que o JC antecipou ainda no ano passado. De acordo com ele, o crescimento é característico de epidemia. "O acompanhamento mostra que começamos a ter casos mais cedo do que em anos anteriores. E o aumento caracteriza epidemia. Ainda devemos ter um crescimento do número de casos, pois estamos em uma época de calor. A partir do momento em que a cidade entra nessa fase de epidemia, a prioridade é evitar mortes. A rede de atendimento está preparada para diagnosticar os casos e acompanhar as pessoas que chegarem com dengue a se atentar a sintomas graves, como os sangramentos. Esse acompanhamento é importante para evitar casos mais graves que podem levar a óbito. E a preocupação agora é essa", destaca.

AÇÕES

Com a epidemia já confirmada, algumas medidas vão ser tomadas. A UPA do Jardim Bela Vista é que está atendendo o maior número de casos, pois a região Noroeste ainda concentra os registros. A Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bela Vista, que fica ao lado da UPA, passará a atender das 17h às 23h. "O primeiro atendimento continuará na UPA, mas os casos menos graves serão encaminhados para a UBS, onde ficará uma equipe médica. Desta maneira, o atendimento ficará mais ágil", cita.

Na região Noroeste, o Parque Jaraguá, Santa Edwirges e Fortunato Rocha Lima são os que mais apresentam casos. Depois, a área Sudeste da cidade, na região do Jardim Redentor, vem tendo confirmações.

"Os casos estão principalmente na região Noroeste e, depois, na Sudeste. Porém, há registros em outras regiões, o que preocupa, pois os mosquitos estão na cidade inteira, o que é um risco", aponta. "Vamos manter as ações de combate que estão em andamento, com a nebulização feita nas ruas (leia mais abaixo), a nebulização nas casas e a eliminação de criadouros, com a aplicação de larvicida e orientação aos moradores. Vale destacar que outras cidades da região enfrentam situação de epidemia. A população precisa muito colaborar", lembra.

HISTÓRICO

Com esse quadro alarmante ainda no primeiro mês, 2019 caminha para milhares de registros. A primeira grande epidemia na cidade foi em 2007, seguido de 2011, ano em que o município registrou a primeira ocorrência de óbitos pela doença, quando seis pessoas morreram.

As pesquisas realizadas pela Secretaria de Saúde, que analisou o quadro envolvendo a dengue de 2000 até 2018, constatam que o aumento de casos se manifesta em períodos cíclicos, em anos ímpares.

Em 2013, o município apresentou 7.434 casos e dois óbitos. Em 2015, foram 8.482 ocorrências e seis óbitos. 2016 apresentou um número menor de registros, porém, houve um óbito.

Secretário de Saúde afirma que só a vacina será a solução definitiva?

Em entrevista ao JC nessa sexta-feira (25), o secretário de Saúde, José Eduardo Fogolin, frisa que apenas a criação de uma vacina resolverá o problema. "A eliminação de criadouros é fundamental, mas o mosquito se adaptou muito bem ao clima. Para reduzir o número de casos, o controle do mosquito é necessário, mas o que vai acabar de vez é a vacina. O governo federal deve encarar isso como uma prioridade. A febre amarela tem vacina. O controle é bem mais fácil. A partir do momento em que você consegue vacinar a maior parte da população, tem uma redução drástica de casos. A poliomielite é a mesma coisa, o que permite controlar é a vacina", afirma.

Já há uma vacina contra a dengue produzida por laboratório particular, mas que não chega a ter um percentual de imunização completo em alguns sorotipos da doença. O Instituto Butantã trabalha para desenvolver uma vacina que seja eficiente contra todos os tipos.

O secretário lembra, contudo, que, mesmo que uma vacina seja criada, o controle do mosquito continuará, pois transmite o zika vírus e a chikungunya, que não possuem vacinas em estado avançado de estudo. "Neste ano, não registramos essas duas doenças na cidade", conclui Fogolin.

 

LEGENDA

José Eduardo Fogolin, secretário municipal de Saúde, fala sobre ações que estão sendo tomadas

fOTO: Samantha Ciuffa