PEGA O RODO
Entre o discurso e a poça d’água: combate à dengue exige coerência em Jaú
Imagem recebida pela redação do Jaumais traz um contraponto preocupante. A foto, registrada na manhã de domingo passado mostra uma grande extensão de água acumulada dentro do Parque de Lazer instalado no antigo kartódromo

Imagem recebida pela redação do Jaumais traz um contraponto preocupante. A foto, registrada na manhã de domingo passado mostra uma grande extensão de água acumulada dentro do Parque de Lazer instalado no antigo kartódromo
Com a chegada das chuvas, a Prefeitura de Jahu reforça as ações de combate à dengue e pede a colaboração da população para eliminar possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti. Em materiais oficiais e campanhas nas redes sociais, a orientação é clara: não deixar água parada, manter caixas d’água vedadas, colocar areia nos pratinhos de plantas, verificar ralos, lajes e quintais após as chuvas e dedicar ao menos dez minutos por semana para a prevenção.
“Água parada vira convite aberto para o mosquito da dengue, da zika e da chikungunya. E ele aceita.” A frase, usada nas campanhas, resume o alerta. E ele é necessário. A prevenção, de fato, começa dentro de casa — mas não pode terminar no portão.
📌 Vacinação dos agentes
Dentro do conjunto de ações anunciadas, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde, iniciou nesta quinta-feira (12) a aplicação da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. O primeiro grupo contemplado foi o de Agentes de Combate às Endemias, conforme orientação técnica do Governo do Estado de São Paulo.
O imunizante é aplicado em dose única e oferece proteção contra os quatro sorotipos da dengue. De acordo com autorização da Anvisa, pode ser aplicado em pessoas de 15 a 59 anos. Quem já recebeu a vacina QDenga não poderá receber o novo imunizante.
Segundo a Prefeitura, assim que novas doses forem enviadas ao município, o público-alvo será ampliado, conforme critérios definidos pelos órgãos competentes.
A iniciativa é importante — especialmente porque os agentes são justamente aqueles que entram nas casas, enfrentam áreas de risco e lidam diariamente com possíveis focos do mosquito.

Mas a realidade também fala
No entanto, uma imagem recebida pela redação do Jaumais traz um contraponto preocupante. A foto, registrada na manhã de domingo passado, dia 8, mostra uma grande extensão de água acumulada dentro do Parque de Lazer instalado no antigo kartódromo.
Choveu durante a noite. Mas a água permaneceu. O motivo, segundo frequentadores do local, é a ausência de um sistema eficiente de drenagem. O problema se agrava pelo fato de o acúmulo estar ao lado de brinquedos infantis, pista de caminhada e quadra poliesportiva — um espaço público, de responsabilidade direta do poder público.
Com a chegada das chuvas de verão, o risco aumenta.
Se a orientação é olhar para o quintal, para a calçada e para as calhas, também é preciso olhar para os próprios equipamentos públicos. Folhas e sujeira acumuladas em calhas viram criadouros silenciosos — mas áreas extensas com água parada são convites ainda mais explícitos.
⚠️ Vale reforçar:
✔️ Não deixe recipientes com água parada
✔️ Mantenha caixas e reservatórios bem vedados
✔️ Coloque areia nos pratinhos de plantas
✔️ Verifique ralos, lajes e quintais após as chuvas
✔️ Limpe e desobstrua calhas regularmente
⏱️ Dez minutos por semana fazem diferença.
Dez minutos podem proteger uma família inteira.
Dez minutos ajudam a proteger uma cidade.
Mas a prevenção também precisa de planejamento urbano, manutenção constante e exemplo vindo do próprio poder público.
Dengue não é problema “do outro”.
É um desafio coletivo.