REGIÃO
Pressão do setor coureiro leva CETESB a rever prazos e evita impacto imediato em empresas de Bocaina
Diante das reclamações, representantes do setor buscaram apoio político para abrir diálogo com o órgão ambiental.

Diante das reclamações, representantes do setor buscaram apoio político para abrir diálogo com o órgão ambiental.
O setor coureiro de Bocaina — responsável por grande parte dos empregos da cidade — ganhou fôlego nesta semana após negociações que resultaram na prorrogação de prazos ambientais exigidos pelo órgão estadual. A decisão veio depois de reuniões envolvendo empresários, lideranças locais e representantes políticos com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB).
Nos últimos anos, empresas do município vinham enfrentando dificuldades para atender novas exigências ambientais, entre elas a impermeabilização do solo nos varais utilizados para a secagem da raspa de couro, etapa comum no processo produtivo. Segundo empresários do setor, as mudanças passaram a travar renovações de licenças e gerar insegurança para a continuidade das atividades.

A situação acendeu um alerta em uma cidade onde as indústrias ligadas ao couro sustentam boa parte da economia local. Estimativas apontam que cerca de 70% dos empregos diretos e indiretos em Bocaina dependem desse segmento.
Reuniões e pressão do setor
Diante das reclamações, representantes do setor buscaram apoio político para abrir diálogo com o órgão ambiental. A articulação envolveu o deputado federal suplente Paulo Soares e o deputado estadual Fábio Faria de Sá, que participaram de conversas com a CETESB em São Paulo.
Antes disso, o tema já havia sido debatido em Bocaina, em reunião organizada pelo presidente da Câmara Municipal, Jonas Marques. O encontro também contou com a presença do prefeito Caio Crepaldi e empresários ligados ao setor.
A principal reclamação das empresas é que algumas exigências passaram a ser aplicadas de forma generalizada, sem considerar as características de cada indústria ou estrutura existente.



O que muda na prática
Após a rodada de negociações, ficou definido que não haverá imposição automática de novas medidas antes de análises técnicas específicas em cada empresa. Até que esses estudos sejam concluídos, os prazos de adequação ficam prorrogados.
Na prática, isso evita que empresas enfrentem paralisações ou dificuldades imediatas para renovar licenças ambientais — um temor que vinha crescendo entre trabalhadores e empresários.
Segundo participantes das reuniões, o entendimento foi de que as regras ambientais precisam ser cumpridas, mas também devem levar em conta a realidade econômica de municípios pequenos e altamente dependentes de um único setor.
Economia local em jogo
Em Bocaina, o couro faz parte da identidade econômica da cidade. Pequenas e médias empresas movimentam a cadeia produtiva e mantêm centenas de famílias empregadas. Por isso, qualquer mudança regulatória costuma gerar preocupação imediata entre trabalhadores e fornecedores.
Durante as discussões, o argumento mais ouvido foi o de que decisões técnicas precisam considerar as condições locais e a viabilidade das adaptações, evitando medidas que possam sufocar a atividade produtiva.
A CETESB ainda deverá realizar avaliações individualizadas nas empresas do município para definir quais adequações serão realmente necessárias. Enquanto isso, o setor ganha tempo — e tenta encontrar um caminho para continuar produzindo sem entrar em choque com as regras ambientais.