CONFLITO DO CEASINHA

Vereadores se mobilizam em defesa dos comerciantes do Ceasinha após interdições e exigem mais prazo para desocupação

A mobilização foi impulsionada por protestos organizados pelos comerciantes durante a sessão legislativa, com cartazes e gritos de indignação.

Vereadores se mobilizam em defesa dos comerciantes do Ceasinha após interdições e exigem mais prazo para desocupação
Reprodução HoraH Notícia
Publicado em 27/05/2025 às 8:14

A mobilização foi impulsionada por protestos organizados pelos comerciantes durante a sessão legislativa, com cartazes e gritos de indignação.

A decisão da Prefeitura de Jahu de interditar parte do entreposto de hortifrutis conhecido como Ceasinha — em funcionamento há 52 anos na Avenida João Ferraz Neto — gerou forte repercussão política e social. Após a demolição de barracões com base em laudos técnicos que apontaram risco de colapso estrutural, os permissionários foram notificados a desocupar o local em até 30 dias, o que causou revolta entre comerciantes e trabalhadores.

Em resposta à pressão popular, 16 dos 17 vereadores da Câmara Municipal assinaram, nesta segunda-feira (26), um requerimento conjunto ao prefeito Ivan Cassaro, pedindo a suspensão da ordem de desocupação por, no mínimo, 100 dias e solicitando a realização urgente de uma audiência pública com os afetados. O documento foi lido em plenário pela vereadora Daniela Rodrigueiro e protocolado oficialmente no Paço Municipal, com entrega prevista diretamente ao chefe do Executivo.

A mobilização foi impulsionada por protestos organizados pelos comerciantes durante a sessão legislativa, com cartazes e gritos de indignação. Cerca de 80 famílias dependem economicamente da estrutura do Ceasinha — entre pequenos agricultores, feirantes, ambulantes e trabalhadores informais.

Comerciantes denunciam abandono e promessas não cumpridas

Na campanha de 2020 o prefeito prometeu levar a gente para o antigo DER, com boxes decentes para todos. Nós acreditamos e votamos nele. Agora vem essa ordem pra sair em 30 dias, sem dizer pra onde. Para onde vamos?”, desabafou o comerciante Vardo Vieira, que há duas décadas atua no local com um trailer de produtos alimentícios.

A indignação também foi ecoada pelos vereadores. Fábio de Souza afirmou que a medida é insensível e incoerente com a lentidão da própria Prefeitura em concluir obras simples: “Se o banheiro da Rodoviária faz mais de um ano que não fica pronto, como exigir que essas pessoas deixem o Ceasinha em 30 dias?”. Já Dr. Paulo de Tarso criticou duramente a falta de planejamento: “Há interesses políticos por trás. Estão sacrificando 80 famílias. Isso é desumano”.

Vereador Lampião, autodeclarado porta-voz do governo na Câmara, também se posicionou contra a pressa do Executivo: “Não fazem o dever de casa nem em seis meses, e querem tirar gente que trabalha há décadas em 30 dias?”.

O presidente da Câmara, Jé Vieira, que tem parentes atuando no Ceasinha, reconheceu que a retirada do entreposto é irreversível, mas garantiu que a luta agora é pelo prazo justo: “O que vocês estão pedindo, vocês vão ter. O prazo vai ser estendido”.

João Pacheco: único vereador que não assinou o requerimento é criticado nas redes

O único parlamentar que não assinou o requerimento foi João Pacheco. Sua ausência no apoio à causa dos comerciantes gerou forte reação negativa da população, como esses selecionados do Facebook do Hora H Notícia,

Na página Hora H Notícia, internautas dispararam críticas contundentes. Márcia Burriguel ironizou: “João Pacheco mostra que é mais uma bolacha do pacote! Nunca mais você entra!”. Já Maria Conceição Ramazzini Marchi comentou: “João Pacheco vive no mundo da lua! Parece fora da casinha”. O internauta Egidio Dias foi ainda mais direto: “João Pacheco é contra o município, só pensa no umbigo”.

A ausência de posicionamento favorável a um tema que mobilizou praticamente toda a Câmara e grande parte da cidade isolou politicamente o vereador — e poderá ter repercussão direta nas eleições de 2024.

Prefeitura alega risco estrutural e problemas sanitários

Em vídeo enviado à imprensa, o secretário de Agricultura, Alan Gomes da Silva, afirmou que as interdições foram motivadas por laudos técnicos que apontaram risco à integridade física de comerciantes e consumidores. “Detectamos danos estruturais sérios. Realizamos a interdição para garantir a segurança de todos”, declarou. Segundo ele, a Prefeitura não deixará ninguém desamparado e está promovendo um recadastramento completo dos permissionários.

O titular da Defesa Civil, Rodrigo de Paula, detalhou os problemas encontrados: trincas, infiltrações, telhados comprometidos, risco de incêndio devido ao armazenamento inadequado de materiais inflamáveis e ausência de equipamentos de segurança como extintores. “É uma operação preventiva para evitar uma tragédia. Estamos pensando na preservação de vidas”, enfatizou.

A Prefeitura também indicou que a área pode ser destinada futuramente a outros projetos de interesse público, como a possível cessão para o Senai, que manifestou interesse na construção de um teatro no terreno — embora essa informação ainda não tenha sido oficialmente confirmada.

Destino incerto, tensão crescente

O Ceasinha de Jaú, nascido nos anos 1970 e até hoje ponto estratégico de distribuição de hortifrutigranjeiros, vive uma crise sem precedentes. Embora haja consenso sobre a precariedade da infraestrutura, a forma como o processo foi conduzido acendeu um alerta sobre a ausência de planejamento, diálogo e alternativas concretas para as famílias afetadas.

Enquanto a Prefeitura sustenta que atua com base em critérios técnicos e de segurança, a pressa para a desocupação, sem solução apresentada, é o principal foco de críticas da sociedade e da maioria dos vereadores.

O embate promete continuar nos próximos dias, com expectativa de uma resposta formal do prefeito Ivan Cassaro ao requerimento legislativo. Até lá, comerciantes seguem trabalhando em meio à incerteza, enquanto parte da cidade se organiza para manter vivo um espaço que, além de abastecer Jaú, também carrega décadas de história e identidade comunitária.

COM INFORMAÇÕES DE HORA H NOTÍCIA E PLANTÃO DA NOTÍCIA

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