SANTA CASA DE JAHU

Entrevista coletiva nesta segunda deve revelar situação financeira crítica da Santa Casa de Jahu e confirmar ou não renúncia dos gestores

A decisão será detalhada em uma coletiva de imprensa marcada para esta segunda-feira (1º), às 9h, no Espaço Cultural da instituição. Seria um blefe para pressionar as autoridades ou vai, de fato, confirmar a saída em massa dos gestores?

Entrevista coletiva nesta segunda deve revelar situação financeira crítica da Santa Casa de Jahu e confirmar ou não renúncia dos gestores
Divulgação
Publicado em 31/08/2025 às 21:02

A decisão será detalhada em uma coletiva de imprensa marcada para esta segunda-feira (1º), às 9h, no Espaço Cultural da instituição. Seria um blefe para pressionar as autoridades ou vai, de fato, confirmar a saída em massa dos gestores?

A crise da saúde em Jaú e região ganhou novos contornos na sexta-feira (29). A Mesa Administrativa e o Conselho Fiscal da Irmandade de Misericórdia do Jahu — mantenedora da Santa Casa — anunciaram, em comunicado oficial, sua renúncia coletiva. A decisão será detalhada em uma coletiva de imprensa marcada para esta segunda-feira (1º), às 9h, no Espaço Cultural da instituição. Seria um blefe para pressionar as autoridades ou vai, de fato, confirmar a saída em massa dos gestores? Em outra época houve promessa de fim de atendimento no PS, mas não passou de forma de pressionar o Executivo,

O movimento escancara o agravamento de um quadro financeiro considerado insustentável pelos gestores. Nos bastidores, a avaliação é de que a renúncia também funcionaria como gesto político de pressão sobre as autoridades municipais, estaduais e federais, responsáveis pelo custeio das diferentes áreas do hospital.

Quem deixa a gestão?

A Mesa Administrativa da Santa Casa de Jaú é composta por:

  • Provedor – Alcides Bernardi Júnior
  • Vice-Provedor – Antônio Ângelo Rossi
  • 1º Secretário – Dr. Carlos Roberto Guermandi Filho
  • 2º Secretário – Dr. João Pacheco Galvão de França
  • 1º Tesoureiro – Adhemar Galvanini
  • 2º Tesoureiro – Adilson de Carvalho

O Conselho Fiscal é formado por Antenor Pelizzon, Alberto Magno Simões Rodrigues e Joviana Cristina Gasparotto Cremasco Nicola, além dos suplentes José Ayres Ferracini, Antônio Catto e Diomar Rosa. Todos entregaram seus cargos.

O tamanho do problema

A Santa Casa de Jaú é hospital referência e atende pacientes de dezenas de municípios. O déficit, segundo informações de fontes ligadas à instituição, decorre principalmente da defasagem nos repasses de verbas públicas e de contratos considerados insuficientes para cobrir os custos reais da operação.

Em junho, venceu o contrato firmado com a Prefeitura de Jaú para o custeio do Pronto-Socorro. O acordo previa R$ 2,8 milhões por mês, mais de R$ 33 milhões anuais, responsabilidade assumida pelo município apenas sobre a urgência e emergência. Ainda não está claro se o contrato foi renovado ou se a renúncia coletiva se conecta à tentativa de pressionar o Executivo local por novos valores.

O provedor Alcides Bernardi Júnior confirmou que “os números serão abertos à imprensa” na coletiva, mas evitou confirmar de forma direta se a saída coletiva da diretoria é irreversível.

Prefeito responde

Horas depois do anúncio, o prefeito Ivan Cassaro divulgou nota afirmando que “a administração municipal é responsável pelo custeio do Pronto-Socorro da Santa Casa. As demais áreas do hospital permanecem sob responsabilidade do Governo do Estado e do Governo Federal. Reforçamos que todos os compromissos assumidos pela Prefeitura de Jaú com a Santa Casa encontram-se rigorosamente em dia”.

A fala deixa em aberto se haverá novas negociações para ampliar os repasses ou se o município entende que seu papel já está cumprido.

Intervenção é saída?

Com a renúncia, surgem questionamentos sobre quem assumiria a gestão da Santa Casa de forma interina e quais caminhos restariam para evitar um colapso hospitalar. A possibilidade de uma intervenção administrativa, seja pelo município, pelo Estado ou até pelo Judiciário, começa a ser ventilada.

A crise em Jaú não é isolada: hospitais filantrópicos de toda a região relatam dificuldades semelhantes, diante do aumento da demanda, da inflação em insumos médicos e da defasagem histórica da tabela SUS. Alguns deles já vivem sob intervenção há vários anos.

E agora?

Seja com nova eleição interna, com apoio emergencial dos governos ou até com intervenção, a saída para a Santa Casa de Jaú exigirá gestão competente e dinheiro novo para cobrir o déficit. Enquanto a coletiva de segunda-feira não acontece, a expectativa é de apreensão entre pacientes, funcionários e autoridades. O temor é de que a renúncia coletiva da diretoria seja apenas o primeiro capítulo de uma crise que pode comprometer a principal estrutura hospitalar da região.