LAGO SUJO

Após denúncia e relatório da CETESB, Prefeitura anuncia limpeza no lago do Jardim Maria Luiza IV

Mais uma vez, a Prefeitura de Jaú demonstra que só age quando é cobrada. O caso do lago de contenção do Jardim Maria Luiza IV é um exemplo claro

Após denúncia e relatório da CETESB, Prefeitura anuncia limpeza no lago do Jardim Maria Luiza IV
Reprodução Rádio Clube FM
Publicado em 01/10/2025 às 8:40

A Prefeitura de Jaú anunciou nesta terça-feira (30) que dará início, no começo de outubro, à limpeza do lago de contenção do Jardim Maria Luiza IV. A decisão, no entanto, ocorre apenas depois da pressão exercida por vereadores e da fiscalização feita pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), que apontou irregularidades no local.

No mês passado, os vereadores Dr. Paulo de Tarso, Fábio Souza e Dani Rodrigueiro apresentaram requerimento à Câmara cobrando providências sobre a situação da represa. Em resposta, técnicos da CETESB estiveram no local no dia 26 de agosto e constataram problemas preocupantes.

O relatório, assinado pela engenheira Flávia Vasconcellos Figueiredo, revelou níveis de oxigênio dissolvido abaixo do limite mínimo estabelecido pela legislação, o que pode comprometer a qualidade da água. Além disso, a CETESB recomendou a remoção de macrófitas aquáticas do barramento e monitoramento constante por parte do município.

Apesar da gravidade apontada no documento, somente após a divulgação das informações pela imprensa e a cobrança política, a Prefeitura anunciou a medida de limpeza. Em nota oficial divulgada no fim do dia, a administração municipal confirmou que a ação será feita para “melhorar a funcionalidade do lago de contenção”, mas não mencionou que a iniciativa ocorreu em decorrência da pressão de vereadores e do relatório da CETESB.

O lago do Jardim Maria Luiza IV é uma estrutura essencial para segurar a água da chuva que desce pelo córrego da região, funcionando como barreira para evitar que o volume chegue com força à cidade e provoque enchentes. A falta de manutenção adequada pode comprometer esse sistema e colocar em risco moradores de diversos bairros.

A expectativa é de que a limpeza seja concluída ainda em outubro, mas até lá a população aguarda para ver se, de fato, a prefeitura seguirá o monitoramento e as demais recomendações técnicas feitas pela CETESB.

Reprodução Google, imagem de 2025

Editorial – Só na pressão

Mais uma vez, a Prefeitura de Jaú demonstra que só age quando é cobrada. O caso do lago de contenção do Jardim Maria Luiza IV é um exemplo claro: moradores, vereadores e agora até a CETESB já apontavam problemas sérios no local, mas a limpeza só foi anunciada depois da denúncia se tornar pública.

O relatório técnico da CETESB, emitido no fim de agosto, não deixa dúvidas. O documento assinado pela engenheira Flávia Vasconcellos Figueiredo revelou que o lago apresentava baixos níveis de oxigênio dissolvido, abaixo do permitido pela legislação, além da necessidade de remoção de vegetação aquática e monitoramento permanente por parte do município.

Mesmo assim, a prefeitura só anunciou medidas depois da divulgação da notícia, evitando em sua nota oficial reconhecer que foi a pressão política e a fiscalização que a obrigaram a agir. A limpeza, prevista para outubro, chega como resposta tardia a um problema que deveria ter acompanhamento constante, afinal, não se trata apenas da estética de um lago, mas de um reservatório de contenção de chuvas que ajuda a prevenir enchentes na cidade.

A lição que fica é clara: quando há fiscalização, denúncia e cobrança da sociedade, a máquina pública se movimenta. Quando não há, o risco é de abandono e descaso. É preciso romper esse ciclo da “ação pela pressão” e adotar a rotina da manutenção preventiva. Jaú não pode depender sempre do puxão de orelha da CETESB para garantir segurança e qualidade de vida à população.