PEGA O RODO

Entre o discurso e a poça d’água: combate à dengue exige coerência em Jaú

Imagem recebida pela redação do Jaumais traz um contraponto preocupante. A foto, registrada na manhã de domingo passado mostra uma grande extensão de água acumulada dentro do Parque de Lazer instalado no antigo kartódromo

Entre o discurso e a poça d’água: combate à dengue exige coerência em Jaú
Publicado em 12/02/2026 às 16:19

Imagem recebida pela redação do Jaumais traz um contraponto preocupante. A foto, registrada na manhã de domingo passado mostra uma grande extensão de água acumulada dentro do Parque de Lazer instalado no antigo kartódromo

Com a chegada das chuvas, a Prefeitura de Jahu reforça as ações de combate à dengue e pede a colaboração da população para eliminar possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti. Em materiais oficiais e campanhas nas redes sociais, a orientação é clara: não deixar água parada, manter caixas d’água vedadas, colocar areia nos pratinhos de plantas, verificar ralos, lajes e quintais após as chuvas e dedicar ao menos dez minutos por semana para a prevenção.

“Água parada vira convite aberto para o mosquito da dengue, da zika e da chikungunya. E ele aceita.” A frase, usada nas campanhas, resume o alerta. E ele é necessário. A prevenção, de fato, começa dentro de casa — mas não pode terminar no portão.

📌 Vacinação dos agentes

Dentro do conjunto de ações anunciadas, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde, iniciou nesta quinta-feira (12) a aplicação da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. O primeiro grupo contemplado foi o de Agentes de Combate às Endemias, conforme orientação técnica do Governo do Estado de São Paulo.

O imunizante é aplicado em dose única e oferece proteção contra os quatro sorotipos da dengue. De acordo com autorização da Anvisa, pode ser aplicado em pessoas de 15 a 59 anos. Quem já recebeu a vacina QDenga não poderá receber o novo imunizante.

Segundo a Prefeitura, assim que novas doses forem enviadas ao município, o público-alvo será ampliado, conforme critérios definidos pelos órgãos competentes.

A iniciativa é importante — especialmente porque os agentes são justamente aqueles que entram nas casas, enfrentam áreas de risco e lidam diariamente com possíveis focos do mosquito.

Mas a realidade também fala

No entanto, uma imagem recebida pela redação do Jaumais traz um contraponto preocupante. A foto, registrada na manhã de domingo passado, dia 8, mostra uma grande extensão de água acumulada dentro do Parque de Lazer instalado no antigo kartódromo.

Choveu durante a noite. Mas a água permaneceu. O motivo, segundo frequentadores do local, é a ausência de um sistema eficiente de drenagem. O problema se agrava pelo fato de o acúmulo estar ao lado de brinquedos infantis, pista de caminhada e quadra poliesportiva — um espaço público, de responsabilidade direta do poder público.

Com a chegada das chuvas de verão, o risco aumenta.

Se a orientação é olhar para o quintal, para a calçada e para as calhas, também é preciso olhar para os próprios equipamentos públicos. Folhas e sujeira acumuladas em calhas viram criadouros silenciosos — mas áreas extensas com água parada são convites ainda mais explícitos.

⚠️ Vale reforçar:
✔️ Não deixe recipientes com água parada
✔️ Mantenha caixas e reservatórios bem vedados
✔️ Coloque areia nos pratinhos de plantas
✔️ Verifique ralos, lajes e quintais após as chuvas
✔️ Limpe e desobstrua calhas regularmente

⏱️ Dez minutos por semana fazem diferença.
Dez minutos podem proteger uma família inteira.
Dez minutos ajudam a proteger uma cidade.

Mas a prevenção também precisa de planejamento urbano, manutenção constante e exemplo vindo do próprio poder público.

Dengue não é problema “do outro”.
É um desafio coletivo.