SANTA CASA DE JAHU
Entrevista coletiva nesta segunda deve revelar situação financeira crítica da Santa Casa de Jahu e confirmar ou não renúncia dos gestores
A decisão será detalhada em uma coletiva de imprensa marcada para esta segunda-feira (1º), às 9h, no Espaço Cultural da instituição. Seria um blefe para pressionar as autoridades ou vai, de fato, confirmar a saída em massa dos gestores?

A decisão será detalhada em uma coletiva de imprensa marcada para esta segunda-feira (1º), às 9h, no Espaço Cultural da instituição. Seria um blefe para pressionar as autoridades ou vai, de fato, confirmar a saída em massa dos gestores?
A crise da saúde em Jaú e região ganhou novos contornos na sexta-feira (29). A Mesa Administrativa e o Conselho Fiscal da Irmandade de Misericórdia do Jahu — mantenedora da Santa Casa — anunciaram, em comunicado oficial, sua renúncia coletiva. A decisão será detalhada em uma coletiva de imprensa marcada para esta segunda-feira (1º), às 9h, no Espaço Cultural da instituição. Seria um blefe para pressionar as autoridades ou vai, de fato, confirmar a saída em massa dos gestores? Em outra época houve promessa de fim de atendimento no PS, mas não passou de forma de pressionar o Executivo,
O movimento escancara o agravamento de um quadro financeiro considerado insustentável pelos gestores. Nos bastidores, a avaliação é de que a renúncia também funcionaria como gesto político de pressão sobre as autoridades municipais, estaduais e federais, responsáveis pelo custeio das diferentes áreas do hospital.
Quem deixa a gestão?
A Mesa Administrativa da Santa Casa de Jaú é composta por:
- Provedor – Alcides Bernardi Júnior
- Vice-Provedor – Antônio Ângelo Rossi
- 1º Secretário – Dr. Carlos Roberto Guermandi Filho
- 2º Secretário – Dr. João Pacheco Galvão de França
- 1º Tesoureiro – Adhemar Galvanini
- 2º Tesoureiro – Adilson de Carvalho
O Conselho Fiscal é formado por Antenor Pelizzon, Alberto Magno Simões Rodrigues e Joviana Cristina Gasparotto Cremasco Nicola, além dos suplentes José Ayres Ferracini, Antônio Catto e Diomar Rosa. Todos entregaram seus cargos.
O tamanho do problema
A Santa Casa de Jaú é hospital referência e atende pacientes de dezenas de municípios. O déficit, segundo informações de fontes ligadas à instituição, decorre principalmente da defasagem nos repasses de verbas públicas e de contratos considerados insuficientes para cobrir os custos reais da operação.
Em junho, venceu o contrato firmado com a Prefeitura de Jaú para o custeio do Pronto-Socorro. O acordo previa R$ 2,8 milhões por mês, mais de R$ 33 milhões anuais, responsabilidade assumida pelo município apenas sobre a urgência e emergência. Ainda não está claro se o contrato foi renovado ou se a renúncia coletiva se conecta à tentativa de pressionar o Executivo local por novos valores.
O provedor Alcides Bernardi Júnior confirmou que “os números serão abertos à imprensa” na coletiva, mas evitou confirmar de forma direta se a saída coletiva da diretoria é irreversível.
Prefeito responde
Horas depois do anúncio, o prefeito Ivan Cassaro divulgou nota afirmando que “a administração municipal é responsável pelo custeio do Pronto-Socorro da Santa Casa. As demais áreas do hospital permanecem sob responsabilidade do Governo do Estado e do Governo Federal. Reforçamos que todos os compromissos assumidos pela Prefeitura de Jaú com a Santa Casa encontram-se rigorosamente em dia”.
A fala deixa em aberto se haverá novas negociações para ampliar os repasses ou se o município entende que seu papel já está cumprido.
Intervenção é saída?
Com a renúncia, surgem questionamentos sobre quem assumiria a gestão da Santa Casa de forma interina e quais caminhos restariam para evitar um colapso hospitalar. A possibilidade de uma intervenção administrativa, seja pelo município, pelo Estado ou até pelo Judiciário, começa a ser ventilada.
A crise em Jaú não é isolada: hospitais filantrópicos de toda a região relatam dificuldades semelhantes, diante do aumento da demanda, da inflação em insumos médicos e da defasagem histórica da tabela SUS. Alguns deles já vivem sob intervenção há vários anos.
E agora?
Seja com nova eleição interna, com apoio emergencial dos governos ou até com intervenção, a saída para a Santa Casa de Jaú exigirá gestão competente e dinheiro novo para cobrir o déficit. Enquanto a coletiva de segunda-feira não acontece, a expectativa é de apreensão entre pacientes, funcionários e autoridades. O temor é de que a renúncia coletiva da diretoria seja apenas o primeiro capítulo de uma crise que pode comprometer a principal estrutura hospitalar da região.