EXPOJAHU SOB INVESTIGAÇÃO

Gastos com Expo Jaú 2025 sob investigação do MP expõem desequilíbrio nas políticas culturais da cidade

A Prefeitura tem agora 15 dias para responder ao MP,

Gastos com Expo Jaú 2025 sob investigação do MP expõem desequilíbrio nas políticas culturais da cidade
Publicado em 01/08/2025 às 9:07

A Prefeitura tem agora 15 dias para responder ao MP,

Enquanto Jaú lida com um Festival de Inverno esvaziado, obras públicas paralisadas e uma rede de saúde precarizada, a Expo Jaú 2025 caminha na direção oposta: ostentação e cifras milionárias. Os shows contratados para o evento, marcado para agosto de 2025, já somam R$ 3.764.575,00, pagos integralmente com recursos públicos. Diante da disparidade de prioridades, o Ministério Público abriu investigação e exige explicações da Prefeitura.

A ação, movida pelo cidadão e fotógrafo Flávio Augusto Melges, e com parecer da 3ª Promotoria de Justiça, tem como alvos o prefeito Jorge Ivan Cassaro (PSD), o secretário de Finanças Nelson Ricardo Sanches e o secretário de Cultura Murilo Ronchesel. A principal crítica: não há qualquer justificativa técnica, jurídica ou orçamentária para gastos dessa magnitude com dinheiro público.

Cachês pagos com verba municipal

Segundo o Ministério Público, a Prefeitura contratou os seguintes artistas:

  • Simone Mendes – R$ 800.000,00
  • Ana Castela – R$ 750.000,00
  • Bruno & Marrone – R$ 720.000,00
  • César Menotti & Fabiano – R$ 430.000,00
  • Gustavo Mioto – R$ 400.000,00
  • Pedro Sampaio – R$ 374.500,00
  • Padre Fábio de Melo – R$ 290.000,00
  • Israel Salazar – R$ 75.000,00

Total: R$ 3.764.575,00

Tudo isso, segundo o MP, sem estudo de preços, sem análise de impacto orçamentário e sem transparência. A promotoria afirma que faltam dados que justifiquem a escolha dos nomes, o valor pago e o impacto desses gastos no restante da política cultural e social do município.


O que diz o Ministério Público?

O promotor Rogério Rocco Magalhães aponta que a Prefeitura não apresentou nenhuma explicação formal sobre a pertinência dos shows diante da situação financeira da cidade. Entre os principais problemas, estão:

  • Ausência de estudo técnico de preços;
  • Falta de justificativa sobre notoriedade dos artistas;
  • Não apresentação de impacto orçamentário e de onde sairão os recursos;
  • Violação dos princípios de publicidade, transparência e motivação na administração pública.

A Prefeitura tem agora 15 dias para responder ao MP, apresentando:

  1. Previsão completa de despesas com a Expo 2025 (estrutura, segurança, iluminação etc.);
  2. Prova de dotação orçamentária ou quais áreas sofreram corte para cobrir os custos;
  3. Documentos que justifiquem as contratações dos shows.

Uma cultura concentrada em um único evento

A crítica à centralização dos recursos da Cultura na Expo Jaú 2025 não é nova. Jaú, que já teve Festivais de Inverno com mais de 100 atrações e atividades simultâneas em diferentes pontos da cidade, viveu em 2025 um festival esvaziado, com apenas 13 atrações divulgadas, sendo a maioria de baixo custo e realizadas no centro.

Já o Festival Caipira perdeu o brilho, e a festa de aniversário da cidade sequer tem data ou orçamento definidos. Enquanto isso, o gasto com uma única semana de shows representa grande parte da verba anual da Cultura.


Cultura para poucos, problemas para muitos

Além do desequilíbrio cultural, a população convive com postos de saúde sem medicamentos, consultas especializadas fora da cidade, salários atrasados na saúde e obras inacabadas, como a piscina pública, o campo municipal e o Museu. Tudo isso alimenta a percepção de que a atual gestão inverte prioridades e trata a cultura como espetáculo pontual, e não como política pública contínua e democrática.


Modelo terceirizado e impacto questionado

Segundo o vereador Mateus Turini, em entrevista ao HoraH Notícia, “esse modelo de contratar uma empresa que cuida do recinto e dos shows, iniciado em 2023, continua, mas sem o mesmo impacto. A população, carente de lazer pós-pandemia, acaba se encantando com qualquer festa.” Mas o encantamento tem custo — e quem paga é o contribuinte. A investigação do Ministério Público promete aprofundar esse debate e cobrar responsabilidade de quem administra um orçamento público que deveria priorizar a coletividade.