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Segunda, 12 de abril de 2021

XV de Jaú homenageia goleiro Marolla com camisa retrô em ação beneficente

Pré-venda está disponível e pode ser feita pelos canais do clube na internet

01 de Mar 2021 - 18h:20 Créditos: Paulo César Grange
Crédito: Divulgação/XV de Jaú

Uma nova camisa com pegada retrô para homenagear um dos seus maiores ídolos aliada a uma ação beneficente em prol do Centro de Combate à Covid do Hospital Amaral Carvalho. Esta é a novidade no XV de Jaú, que criou uma camisa para celebrar o ex-goleiro Marolla. A camisa está disponível pelo sistema de pré-venda com acesso pelo site e redes sociais do clube.

Marolla começou no XV no fim dos anos 70, fez sucesso e foi para grandes clubes, chegando à Seleção Brasileira. Chegou a ser treinador do Galo e, há alguns anos, atua no setor de segurança do Hospital Amaral Carvalho, justamente a entidade que vai ser beneficiada com parte da venda da camisa em alusão à convocação do goleiro para a Seleção em 1979.


Marolla, 60 anos, transformou-se no ponto de referência nessa campanha do clube que ele defendeu em prol do hospital onde trabalha atualmente.  “É legal esse reconhecimento pelo que fiz pelo clube e, principalmente agora trabalhando no hospital. É legal poder ajudar de alguma forma”, comentou.

Ele conta que já tinha conversado com diretores do clube sobre criar uma camisa retrô para marcar a trajetória do goleiro. “Vai dar certo”, prevê.  Os amigos veteranos do XV  aprovaram a iniciativa e ficaram orgulhosos pela lembrança de um companheiro. “Quem sabe da próxima  um deles também seja lembrado”

ONDE ENCOMENDAR: https://bit.ly/3pUWvL4

CAMISA AZUL - Totalmente azul, a camisa traz uma inscrição em alusão à convocação do goleiro para a Seleção Brasileira de base em 1979, além da assinatura do ex-jogador e um escudo retrô da equipe do XV de Jaú. Ela custa R$ 120 e pode ser reservada pelo link https://bit.ly/3pUWvL4 - será entregue em breve aos compradores.

Na divulgação da ação, o XV faz uma alusão ao atual momento da pandemia. “Nunca desejamos tanto dizer: Vai ficar tudo azul! A pré-venda de uma camisa que não só resgata nossa linda história, mas também quer fazer parte desta luta, que é minha, é sua e é de todos! Compre a camisa comemorativa do Marolla e ajude o Centro de Combate à Covid-19, do Hospital Amaral Carvalho. Juntos defenderemos vidas!

Mano, Marolla e Níveo no XV em 2008

História de Marolla

Em 2008 eu, Paulo César Grange, então repórter do Comércio do Jahu e hoje editor do Jaumais, fiz uma reportagem com Marolla. Na época ele tinha 47 anos de idade e entrava para a comissão técnica do XV ao lado de amigos dos tempos da bola.

Abaixo, trechos daquela reportagem:

Fiodermundo Marolla Júnior, 47 anos, natural de Jaú, orgulha-se de ter sido goleiro titular do XV quando era um adolescente. Com 16 anos de idade, em 1978, ele já vergava a camisa verde e amarela do Galo. Essa precocidade na carreira comprovou que Marolla era um goleiro fora de série. Fez sucesso no Santos FC, defendeu a seleção brasileira de novos e jogou pelo Atlético-PR.

Hoje, integra a diretoria de futebol do XV, dividindo com Alfinete a tarefa de remontar um time para a disputa da Série A-3. Seu trabalho praticamente começou do zero na contratação de jogadores que vão estrear com a camisa do XV de Jaú em 1º de fevereiro.

Marolla é mais um dos “notáveis” da comissão técnica do XV de Jaú, formada pelo presidente eleito em 15 de novembro, José Antonio Construtor de Oliveira. Marolla e Alfinete são diretores de futebol. No trabalho de campo estão Wilson Mano, Márcio Griggio e Níveo (este a confirmar ainda).

XV 1978 - Sabará, Pedro Paulo, Marolla, Nilson Andrade, Donizetti, Vagner Benazzi – Frazão, Paulinho Jaú, Roberval Davino, Fernando Pirulito e Paulo Moisés

Marola começou muito cedo sua carreira. Desde garoto sempre foi apaixonado pelo futebol. Gostava de jogar no gol, posição que até hoje não recebe o devido respeito. Desde a adolescência o negócio dele era evitar gols. E começou a mostrar que sabia fazer isso bem feito nas divisões de base do XV, em 1977, um ano depois de o XV reconquistar um lugar na divisão de elite do futebol paulista.

No ano seguinte estava no elenco profissional, levado pelo técnico Otacílio Pires de Camargo, o Cilinho. Tinha 16 anos de idade quando virou titular. Era o dono da camisa 1. “A responsabilidade era muito grande, mas minha vontade de jogar e ajudar o XV era maior ainda e superava tudo isso”, relembra Marolla.

Ele ganhou logo a confiança do treinador e da torcida, antes temerosa por ver um moleque defendendo o gol de um clube de tanta tradição. A pressão dos torcedores era grande. Ele resistiu. Suas defesas chamaram a atenção de dirigentes de grandes clubes do Estado. Em 1980 foi vendido para o Santos FC, ficando no clube do litoral até 1985.

MAROLLA E MANO, COMISSÃO TÉCNICA NA PRIMEIRA VEZ DE AMBOS NO XV

Seleção - Nesse período foi convocado para a Seleção Brasileira. Em 1981, disputou as Eliminatórias da Copa do Mundo de 1982 como reserva de Valdir Peres. Antes, porém, passou pelas categorias menores da seleção - sub-15, sub-17 e sub-20. Sempre como titular.

Foi nesta época, em 1980, que disputou um tradicional torneio internacional, o de Toulon, e sagrou-se campeão com a seleção de novos. No time dele estavam jogadores como Luis Cláudio, Édson Boaro, Dudu, Mozer, João Luis, Robertinho, Cristóvão, Baltazar, Mário e João Paulo.

Do Santos foi para o Atlético-PR, por onde ficou por cinco anos, até 1990. Atuou ainda pelo Criciúma (1991), Botafogo de Ribeirão (1992), Paulista de Jundiaí (1993 a 1995), ocasião em que encerrou a carreira. “Poderia continuar e ter jogado muito mais, mas o fator família, o desejo de estar mais perto, pesou. E aí tomei a decisão de parar.”

MAROLLA NO ATLÉTICO-PR DE 1986

Técnico - Após abandonar as luvas, Marolla iniciou um novo trabalho, a de treinador de futebol. A primeira experiência foi no próprio XV de Jaú, sendo auxiliar-técnico de Wilson Mano em 1999 a 2000. Ao mesmo tempo acumulou a função de treinador da escolinha do Galo e do Galinho. Em 2001, Marolla foi treinador das equipes de base do Mogi Mirim.

No mesmo ano ele começou a ensinar futebol a garotos de Jaú em uma escolinha de futebol. Deu aulas em vários locais, como Clube América, Jardim Brasília, Jahu Clube, Vila Nova/Jardim Maria Luiza, Paulicéia, XV de Jaú e até em Mineiros do Tietê.

Hoje, Marolla divide seu tempo de diretor do XV com o trabalho na escolinha de futebol do Rachão Sports Bar. Ele trabalha ainda no | Hospital Amaral Carvalho, onde é chefe de segurança. “Estou feliz e quero, com a graça de Deus, continuar todo esse trabalho.”

SANTOS 83 - Gilberto Sorriso, Carlos Silva, Joãozinho, Marolla, Toninho Carlos e Mauro Campos - Paulinho Batistote, Cardim, Palhinha, Pita e João Paulo

Pênaltis - Marolla diz ainda que tem no currículo o título de recordista brasileiro em defender pênaltis. Em 1988, a CBF elaborava um ranking para saber qual o goleiro que mais defendia penalidades. Marolla contra que em 44 cobranças, ele defendeu 17. Chegou a receber da Revista Placar o prêmio Bola de Ouro. Depois, a CBF parou de fazer as estatísticas.

Em agosto de 2006, Marolla e uma série de ex-jogadores santistas foram homenageados pelo clube. Os jogadores tiveram seus nomes imortalizados nos camarotes, que foram restaurados e ganharam denominação em homenagem aos craques que passaram pela Vila Belmiro.  (Colaborou: José Roberto Soares)

No XV em 1981

Entrevista publicada em dezembro de 2008 no Comércio do Jahu

Comércio – Como você recebeu esse convite do José Construtor para trabalhar na diretoria de futebol do XV, ao lado de Alfinete, e ajudar o técnico Wilson Mano?

Marolla – Recebi com muita alegria, mesmo sendo para colaborar com o XV. Tecnicamente o clube está entregue em boas mãos, para pessoas que começaram a carreira no XV, jogaram no clube e podem ajudar o Galo.


Comércio - Você se sente um jogador profissional realizado?

Marolla - Sim, com certeza. Com muita humildade, respeito, determinação e trabalho eu já era goleiro principal do XV em 1978. Na seqüência, cheguei ao Santos FC e Seleção Brasileira. Só o fato de ser goleiro titular do XV é uma honra. Além disso, tive a felicidade de passar por tantos clubes, como Santos, Atlético-PR e até mesmo a Seleção.


Comércio - Ex-goleiro, treinador e atual diretor de futebol... Afinal, qual é sua formação?

Marolla – Sou formado em educação física, na Fefis, em Santos (Faculdade de Educação Física de Santos).


Comércio - Quais suas principais conquistas como goleiro?

Marolla - Foram várias, graças a Deus. Lembro dos títulos nas categorias sub-15, sub-17 e sub-20 com a Seleção Brasileira. Fui vice-campeão paulista em 1980 com o Santos. Em 1983, vice-campeão brasileiro. Em 1984, campeão paulista com o Santos. Nos anos de 1985, 1988 e 1990 fui campeão paranaense, defendendo o Atlético. Em 1991, fui campeão da Copa do Brasil pelo Criciúma/SC. Em 1992, campeão da primeira divisão de Goiás com o Goiatuba. Em 1995, campeão paulista da Série A-2, no Paulista de Jundiaí.


Comércio - Qual é o melhor goleiro da atualidade?

Marolla - O Marcos, do Palmeiras. É experiente, sabe muito, tem muita tranqüilidade e personalidade. Além de um profissional na parte técnica é uma pessoa de muita confiança, credibilidade e, acima de tudo, tem caráter. É um líder em campo e atleta exemplar. Eu fico mais feliz ainda porque ele é meu amigo particular. Tenho muita amizade com ele.


Comércio - E o melhor técnico com quem você trabalhou?

Marolla - Sempre tive bons treinadores, felizmente, e aprendi muito. Mas meu melhor treinador foi, sem sombra de dúvida, o professor Cilinho.


Comércio – O que marca mais entre suas conquistas como goleiro?

Marolla - Como já falei, foram várias, mas guardo com muita recordação a Bola de Ouro da Revista Placar. Recebi essa Bola de Ouro como melhor goleiro do País quando jogava pelo Santos. Recebi a homenagem das mãos do ex-goleiro Gilmar, após uma partida entre Santos e Corinthians.


Comércio - Teve alguma contusão em sua carreira de goleiro?

Marolla - Séria mesmo nenhuma, felizmente. Tive algumas, mas nenhuma com gravidade.


Comércio – Você trabalha no XV como diretor de futebol. Almeja algo mais? Pensa em ser treinador de futebol profissional?

Marolla - Já tive essa oportunidade no próprio XV, mas enfrentamos algumas dificuldades para implantar nosso trabalho na ocasião. Com minha experiência, além do aprendizado do dia-a-dia, tenho sim vontade e condição de entrar em definitivo para a carreira de treinador. Tem muita gente nesse meio que não entende nada. Eu tenho essa oportunidade, mesmo porque o XV é um caminho muito bom.


Comércio - Algum jogo em especial marcou sua vida?

Marolla - Bom, na verdade foram vários. Mas não dá para esquecer aquela vitória do XV de Jaú diante do Corinthians, por 1 a 0, em pleno Pacaembu, em uma noite de quarta-feira, em 1978. Ganhamos lá por 1 a 0, com gol do atacante Miro. Eles não acreditavam naquilo.


Comércio - Alguma decepção durante a carreira?

Marolla - O futebol tem alegrias e tristezas. Minha maior decepção foi em 1983, na final do Campeonato Brasileiro, quando jogava pelo Santos e perdemos o segundo jogo da final, para o Flamengo, por 3 a 0, no Rio de Janeiro, no Maracanã. Em Santos, no primeiro confronto, a gente ganhou por 2 a 1.


Comércio - Alguma curiosidade a destacar nesse tempo todo?

Marolla - Aconteceram sim. Uma que não esqueço e jamais poderia esquecer, pois fui o único goleiro a sofrer um gol do árbitro da partida. Foi em 1983, no Morumbi, jogando pelo Santos, contra o Palmeiras. O jogo estava 2 a 1 para a gente e, nos minutos finais, o Jorginho chutou a bola, ela bateu no juiz e foi para o fundo das redes. O árbitro José de Assis Aragão deu o gol e a partida acabou 2 a 2.


Comércio - Voltando a falar do XV, como está a montagem do time para 2009?

Marolla - Na medida do possível e dentro da condição financeira estipulada pela diretoria, a gente vem procurando montar um time competitivo. Tenho certeza de que, com muito trabalho e dedicação, poderemos fazer um bom campeonato. Trabalho, empenho e dedicação, não vão faltar dentro e fora de campo.


Comércio - Qual o seu time do coração?

Marolla - Com certeza o XV de Jaú.


Comércio - Qual mensagem deixa ao torcedor do XV, que espera pela estréia na Série A-3 com entusiasmo?

Marolla - A minha vontade e a de todos os torcedores do XV é ver um time forte e competitivo, buscando o objetivo, que é lutar pelo acesso novamente para a Série A-2. Temos de acreditar, ter muita confiança e apoiar a equipe do começo ao fim. O apoio dos torcedores, empresários, imprensa e outros segmentos da cidade é muito importante, pois o XV é de todos nós. (PCG e José Roberto Soares)

Seleção Brasileira de Novos que conquistou o Torneio de Toulon, na França, em 1980. Em pé vemos Luis Cláudio, Édson Boaro, Dudu, Marolla, Mozer e João Luis; agachados estão Robertinho, Cristóvão, Baltazar, Mário e João Paulo


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