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Terça, 14 de julho de 2020

HISTÓRIA NÃO FAZ MAL A NINGUÉM

02 de Abr 2020 - 18h:37

Lá pelos meados dos anos setenta – faz tempo, né? – escrevi um texto sobre o nome das ruas, no tempo em que eles eram publicados pelo inesquecível jornal O COMÉRCIO DO JAHU e a reação dos leitores foi muito grande e enfoquei a figura do doutor Júlio Esperança, personagem que originou a denominação da Alameda que se inicia nas margens do Córrego da Figueira, próximo ao Instituto de Educação Caetano Lourenço de Camargo e segue até os trilhos da linha do trem. Mais ou menos nesse local existiu o primeiro campo do XV de Jaú, o Estádio Arthur Simões que era, então, todo de madeira.
Pois bem, naqueles idos quem me procurou para falar sobre o assunto foi o inesquecível Romeu Frisina que era uma espécie de enciclopédia sobre a história da cidade e com aquele seu jeito alegre, voz pausada, contou que o doutor Júlio Esperaza – assim mesmo, com “z” – foi um médico italiano que, tendo se estabelecido na cidade, tornou-se muito querido por todos, principalmente pelos mais pobres, aos quais tratava com atenção especial, doando inclusive os medicamentos necessários. Contou ainda, o Frisina, que mencionado médico era natural de Lavito, na Itália, tendo nascido em dois de abril de 1846, graduando-se cirurgião na cidade de Nápoles. Já no Brasil, casou-se na cidade de Itu e chegou a Jaú antes da libertação dos escravos. Faleceu em 1915.
Naqueles idos dos anos setenta eu costumava fazer grandes caminhadas e passando lá pelas bandas do Jardim América, sem querer ouvi um curioso diálogo entre dois jovens. Fingi que arrumava o tênis e fiquei ouvindo a troca de ideias. Um, sem camisa e de bermudão, perguntou ao outro: “ô cara, então foi para esta rua que você se mudou? E olhando a placa na casa da esquina, perguntou: “afinal, quem foi o ilustre cidadão cujo nome tá aí em cima?”. O outro, mais jovem, apoiando os cadernos em uma janela, olhou para o alto e disse: “meu, não sei, não quero saber e tenho raiva de quem saber”. Esperei que eles se afastassem e observei a indicação da rua para satisfazer a curiosidade. Era – e deve ser ainda – de importante membro de uma tradicional comerciante de origem libanesa que, juntamente com a família, possuía um grande comércio atacadista no centro da cidade.
A história tem dessas coisas. Outro dia, conversando com um amigo, ele comentou sobre um filme interessante que havia assistido e que enfocava o conflito da Bósnia. Ele comentou que gostou da película, mas não havia entendido a causa de toda aquela briga. Disse-lhe para procurar a razão de tudo aquilo no famoso Congresso de Viena, em 1814, que redesenhou o mapa da Europa, após as estripulias de Napoleão Bonaparte. O meu amigo deu um sorriso e argumentou: “você acha que vou ter todo esse trabalho só para entender um filme? Pensei comigo: realmente “um pouco de história não faz mal a ninguém...”
Paulo Oscar Ferreira Schwarz

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