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Segunda, 03 de agosto de 2020

RELEMBRANDOO JARDIM DE CIMA

02 de Jul 2020 - 12h:13

Como podem observar pelo título, este é um texto de e para jauenses. No início, uma informação importante: estas linhas foram elaboradas com base em uma publicação do nosso COMÉRCIO DO JAHU, inserida em edição de, digamos, por baixo, coisa aí de uns dez anos, no tempo em que existia uma coluna sabiamente denominada “Nossa História”, na qual os jornalistas da época, José Renato de Almeida Prado, principalmente, embora jovens, passeavam pelos acontecimentos que marcaram a trajetória da cidade. A praça mencionada acima pode ser considerada, também, responsável por muitos namoros, casamentos e até grandes desilusões. Afinal, ela sediava o famoso e sempre lembrado “footing”, ou seja, o desfile de moças em busca de um relacionamento. 

                                      Pelo título, dá para notar que as sessenta linhas de hoje, sem qualquer pretensão histórica e sem cronologia precisa, versarão sobre o que a grande maioria conhece como Jardim de Cima ou, para os habitantes de outras localidades que também leem este espaço, trata-se daquele jardim situado entre a imponente igreja Matriz do Patrocínio e a Rua Lourenço Prado, onde, durante anos, aconteceu o já citado passeio das jovens, com toda a elegância e pompa, como se fazia necessário na época. Ela, a praça, foi a pioneira da pequena cidade, lá no longínquo final do século 19 quando, em 1895, chamou-se Praça da Independência.

                                      O Jahu tinha, então, por volta de uns quinze mil habitantes entre população citadina e os habitantes da área rural. Um dia, já no século seguinte, os políticos da época – que não tinham salário – resolveram alterar seu nome para Praça Carlos de Campos, em homenagem ao 12º presidente do Estado de São Paulo, filho do presidente Bernardino de Campos e fundador da Academia Paulista de Letras.Mais tarde, os representantes dos jauenses deliberaram alterar a denominação para Praça Siqueira Campos, talvez em homenagem ao jovem tenente que participou da revolução de 1924 e da famosa Coluna Prestes. Em 2012, os vereadores de então pretendiam alterar sua denominação para Praça João Ribeiro de Barros, mas esbarraram na preservação. Elaboraram, então, um espaço em um pedaço do local, denominando-o “Espaço João Ribeiro de Barros” e ali colocaram uma placa com seus nomes. 


                                      Pode-se dizer que o local teve vários formatos, desde sua criação. Segundo o mencionado “Nossa História”, durante a época áurea do cultura cafeeira, a praça era suspensa, com muros, grades e escadas que levavam para seu interior, incluindo o coreto, onde aconteciam retretas dominicais e, obviamente, os primeiros desfiles de damas elegantemente trajadas. Em 1953, ano do centenário, foi erguido o monumento ao herói jauense e sob ele, repousam seus restos mortais. Para quem examina imagens dos anos 20, pode observar as comemorações que ocorreram em todo país, quando da realização do monumental voo. E aí começaram os trabalhos para a transformação do local em nome da modernidade. Mas aquele velho jardim tinha muitas histórias que, atualmente, embora conhecidas sobejamente, jamais serão escritas. Se eram verídicas, nem o tempo dirá.

                                       Foi justamente aí que os desfiles de jovens se mudou para o jardim de baixo, ou melhor, Praça da República. Mas, convenhamos, o percurso naquele local era muito grande. Sorte dos homens que ficavam parados em alguns pontos, observando as meninas e moças, sempre muito bem trajadas. O “footing” transferiu-se, então, para a Rua Lourenço Prado, naquele quarteirão entre as ruas Major Prado e Edgard Ferraz e por ali ficou anos, ou seja, do final da década de cinquenta até quase o início dos anos setenta, quando usos e costumes já não eram os mesmos.

                                      Aí aconteceram mais modificações. Diziam que ela voltaria ao aspecto tradicional. Mas não foi o que aconteceu. Retirados os tapumes os jauenses observaram que apenas pouco ou quase nada foi alterado. Agora, quando chove, os jauenses que estacionam seus veículos na perpendicular da rua Lourenço Prado, podem desfrutar da lama que escorre dos canteiros que a circundam. Resta-nos relembrar outros tempos e, remexendo a memória, ficar “relembrando o jardim de cima...”.


P. Preto é Jornalista.

p.preto@hotmail.com

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