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Quarta, 03 de março de 2021

QUAL O FUTURO DO CINEMA?

04 de Fev 2021 - 11h:29

Sou um cinéfilo de carteirinha, apreciador de bons filmes, principalmente daquelas obras que marcaram a história da sétima arte. Ao contrário de muitos, ainda não vi o famoso “Titanic” por pura preguiça de sair de casa, enfrentar filas e, principalmente, suportar as manifestações inoportunas de parte das plateias juvenis. Estou esperando que ele apareça nas prateleiras das locadoras para que possa curti-lo comodamente, na minha poltrona favorita.

                                      O gosto pelo cinema surgiu já na minha infância, ao frequentar o cineminha do Padre Serra e as vesperais do Cine Jaú, que a gente chamava de “matiné”. Bons tempos aqueles. Além do jornal - que era exibido em virtude de lei imposta por Getúlio Vargas- curtiam-se os “trailers” dos filmes que seriam exibidos durante a semana e, não raras vezes, desenhos animados e até documentários que complementavam os programas. O cinema do Padre Serra, de saudosa memória, oferecia um leque muito grande de atrações sem qualquer contra indicação. Afinal, naquele tempo a gente costumava torcer pelo mocinho, vibrar pela vitória da justiça e, principalmente, aplaudir quando o bem triunfava sobre o mal. 

                                      Outro dia tive oportunidade de ver um filme novinho, feito ao estilo dos anos 50: “Amor em tempo de guerra”, uma história ambientada nos últimos dias da ocupação nazista na Itália, onde uma jovem se apaixona pelo pároco da aldeia e, juntos, enfrentam as adversidades próprias daquela época, com um final trágico, triste até e aí vieram, evidentemente, as boas lembranças de uma época em que cinema era diversão e não fazia apologia da violência, como atualmente, onde o correto parece ser a difusão da ideia do vale tudo e da lei do mais forte. 

                                      No último final de semana, tive a oportunidade de ver outro bom filme dos velhos tempos: “A angústia de tua ausência”, uma produção do final dos anos 50, com um belíssimo tema musical, um colorido diferente dos atuais e uma história sensível de um casal que resolve adotar uma criança, ao mesmo tempo em que a esposa apresenta um problema cardíaco. Muito bom para se ver com o lenço na mão, mas para  notar, também, como se fazia cinema com sensibilidade. 

                                      E os bons e velhos faroestes, então? Representam, até hoje, o melhor tipo de passatempo que existe e as produções modernas, no estilo, não chegam nem perto daqueles trabalhos que foram elaborados há mais de trinta ou quarenta anos. Revi, dia destes, três excelentes exemplares dessa fase expressiva do “bang-bang” : “Minha vontade é lei”, onde o xerife tem problemas de consciência, mas acaba fazendo a sua tarefa; “Convite a um pistoleiro”, com um roteiro recheado de pretensões sociais, mostrando as mazelas da guerra civil americana, coisa pouco usual nos anos 50 e o conceituado “Sem lei e sem alma”, um verdadeiro duelo de interpretação entre os dois astros do filme: Kirk Douglas e Burt Lancaster.

                                      A juventude não gosta dos velhos filmes. Prefere as produções atuais, preocupadas com uma verdadeira parafernália de efeitos especiais e uma movimentação deliberada para ganhar as plateias adolescentes. O conteúdo é que se torna preocupante. Enquanto os filmes antigos se pautavam pela a sensibilidade, as realizações atuais, em nome do realismo, parecem estar fazendo apologia da violência. Fico pensando, então, numa coisa muito importante e que envolve as novas gerações: “qual o futuro do cinema?...”

Paulo Oscar F. Schwarz é colunista

Texto publicado originalmente no Comércio do Jahu anos atrás

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