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Segunda, 12 de abril de 2021

NADA MAIS SERÁ COMO ANTES

04 de Mar 2021 - 12h:38

Comecei a redigir este texto no último dia vinte e seis, quando o mês de setembro chegava ao fim trazendo, ainda, os últimos resquícios do inverno que se preparava para ir embora, mas fazia questão de relembrar como ele pode ser chato e desagradável. Já deu para os leitores perceberem que não sou fã dessa época. No dia anterior, domingo, havia lido que as novas autoridades federais pretendem mexer no ensino médio, deixando as coisas mais práticas para os alunos. No Programa do Faustão, o ilustre apresentador havia reclamado muito pela retirada da Educação Física só porque um atleta estava entre os membros do corpo de jurados da Dança dos Famosos. Acho que toda discussão é válida. Mas acredito que o país tenha, no momento, prioridades muito maiores. 

Aí fiquei pensando nos meus tempos de ginasiano, lá nos anos cinquenta, tempo glorioso do Instituto de Educação Caetano Lourenço de Camargo ou Ginásio do Estado, denominação que também lhe era atribuída. Nesses sessenta anos que nos separam daquela época, ninguém conseguiu me explicar qual a importância de dois triângulos serem iguais. Também nunca utilizei nada daquilo que ensinavam em Trabalhos Manuais. Realmente, talvez seja hora de se pensar nas mudanças pretendidas para os métodos escolares atuais, com a dinâmica existente sempre em evolução em todos os detalhes de nossas vidas. Acho que deveria se introduzir uma matéria sobre educação geral, para que os professores sejam mais valorizados pelos alunos, inclusive os universitários. 

Nem era essa a abordagem que eu gostaria de fazer. A ideia era comentar fatos marcantes dos últimos dias, como os assaltos ocorridos nesta outrora pacata cidade, no mês findo. Graças às câmeras de segurança foi possível ver a violência usada pelos marginais, além do ultraje psicológico sofrido pelos comerciantes. O que nos falta, atualmente, é punição exemplar aos que violam as leis. Mas a culpa, acredito eu, é de boa parte da população. Afinal, quando apanhados pela polícia, muitos passam a achar que eles são coitadinhos e apelam para os “direitos humanos”. Mas, será que eles só valem para um lado? E para os que sofrem violência por parte dos malfeitores, nada? Dois pesos e duas medidas são coisas que não dão muito certo. Acaba ficando aquela coisa de “podemos fazer. Não vai dar em nada mesmo!”.

O texto de hoje ficou diferente. Afinal, estamos no presente e nada nos levará de volta aos tempos deliciosos que se foram. Tá certo, é gostoso relembrar. Faço isso todas as semanas, levando as lembranças dos leitores para um passeio pela época de jovens, quando tudo era uma maravilha. A vida era mais tranquila mesmo, o trânsito de veículos, por exemplo, era calmo, as ruas sempre bem limpas, os jardins com canteiros floridos e muito bem cuidados. Tá certo, um pedido de ligação para São Paulo, por exemplo, podia demorar de quatro a cinco horas. Mas, quem tinha pressa? Não raras vezes podíamos dormir com as janelas abertas, mesmo que abrissem para fora. Muitos motoristas deixavam os carros abertos e, em muitas ocasiões, com as chaves nos contatos. Quase sempre eles ficavam na rua durante a noite, pois garagens eram coisas que poucas casas possuíam. Podíamos caminhar tranquilamente, mesmo depois de anoitecer, sem maiores preocupações. Também não tínhamos celulares caros para aguçar a cobiça dos amigos do alheio, como se dizia então.

O que mudou, afinal? Simplesmente tudo. As cidades cresceram, a vida ficou difícil e o progresso trouxe inúmeras novidades. Veio a televisão com imagens cada vez mais perfeitas e o hábito de ir aos cinemas desapareceu. As ruas tornaram-se desertas e mais escuras, até por falta de trocas de lâmpadas queimadas. As relações de trabalho ficaram complexas. O custo toma proporções angustiantes em todos os níveis, exigindo sempre mais empenho de todos para satisfazer os desejos de consumo sempre crescentes. Enfim, a vida se modificou. Para quem pode comparar, como nós, os mais velhos, ficou melhor embora muito difícil.

Este texto tornou-se apenas desabafo. Afinal, todos nós sabemos que “nada mais será como antes...”.

Paulo Oscar F. Schwaz é jornalista

texto publicado originalmente no Comércio do Jahu anos atrás


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