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Terça, 11 de maio de 2021

Mortes de pacientes com até 40 anos crescem 185% em Jaú, mostra reportagem do JC

Médicos da Santa Casa dizem que essa mudança de perfil e maior gravidade dos casos podem ter relação com nova variante

05 de Mar 2021 - 10h:52 Créditos: JC Baruru/por Lilian Grasiela
Crédito: Arquivo

O número de pacientes com até 40 anos que morreram neste início de ano na Santa Casa de Jaú (47 quilômetros de Bauru) em decorrência de complicações causadas pela Covid-19 cresceu 185% em relação a todo o ano passado. Para médicos que atuam na linha de frente do combate à doença, essa letalidade maior entre os mais jovens pode estar relacionada à circulação da variante brasileira do coronavírus no município, constatada na primeira quinzena de fevereiro. Nesta quinta-feira (4), o governo do Estado divulgou que a nova cepa está presente em mais cidades da região (leia mais abaixo).

Segundo dados da Santa Casa de Jaú, as mortes por Covid-19 de pacientes até 40 anos saltaram de 7 em 2020 para 20 neste ano. O levantamento leva em conta registros até 2 de março. Das sete vítimas do ano passado, três tinham menos de 30 anos e quatro tinham entre 31 e 40 anos. Em 2021, foram registrados seis óbitos no hospital de pessoas com menos de 30 anos e 14 óbitos de pacientes na faixa entre 31 e 40 anos. A reportagem também solicitou informações à Prefeitura de Jaú durante dois dias, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Entre as mais recentes jovens vítimas da doença em Jaú, está Jussara dos Santos da Silva Motta, 27 anos. Recepcionista do Pronto Atendimento de convênios da Santa Casa desde o início de 2015, ela estava grávida e foi internada na UTI Covid do hospital no dia 4 de fevereiro. No dia 23, com 25 semanas de gestação, sofreu aborto espontâneo. No dia 2 de março, acabou não resistindo às complicações da Covid-19.

No mesmo dia, um jovem de 25 anos, também vítima do coronavírus, foi enterrado sem direito a velório no Cemitério Municipal de Jaú. Apesar de o levantamento da Santa Casa levar em conta apenas os registros até o dia 2, a morte de jovens jauenses pela doença continuou ocorrendo. Nesta quarta-feira (3), um homem de 20 anos e uma mulher de 37 anos também morreram no município em decorrência da Covid-19.

MAIS GRAVES

Além do aumento no número de mortes de pacientes mais jovens, médicos que atuam em Jaú têm notado crescimento nos casos positivos da doença e quadros de saúde cada vez mais graves. "Notamos que não só a transmissibilidade é muito maior, como a agressão ao paciente também é. Pacientes dão entrada na UTI com queda de saturação importante, poucos sintomas e já com insuficiência renal", revela Leonardo Avila Lins, médico coordenador da UTI Covid da Santa Casa de Jaú.

A mesma constatação é feita pelo médico responsável pelo PS do hospital, Christiano de Luca Nassif. "Ao longo de 2021, o que nós acreditamos que tenha acontecido é que a população idosa deve ter aderido de forma mais séria às medidas de isolamento social e, consequentemente, o que nós observamos foi uma redução de faixa etária (dos pacientes) que adentravam a nossa instituição acometidos pela Covid-19", avalia.

"Além disso, nós observamos que a forma evolutiva dos casos, a apresentação clínica inicial e os achados radiológicos mostravam gravidade muito diferente do que foi constatado no ano de 2020". Nassif pondera que, apesar da confirmação da circulação da variante P1 em Jaú, não é possível identificar se os pacientes infectados por essa nova cepa representam a maioria ou a minoria das internações na unidade.

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