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Segunda, 13 de julho de 2020

A RUA MAJOR PRADO DE OUTROS TEMPOS – 27

07 de Mai 2020 - 11h:10


A esquina das Ruas Major Prado e Amaral Gurgel sempre foi um dos locais preferidos da cidade, fosse pelo tradicional Bar do Vinício, que reunia políticos de quase todos os partidos e tendências ou pelos estabelecimentos comerciais que por ali existiram em diferentes épocas, como a Ótica Jorel defronte ao semáforo, Galeria Paulista ou a tradicionalíssima Banca de Revistas do Seu Alfredo Rodrigues. O passar dos anos e as transformações naturais dos usos e costumes alterou tudo. O Bar deixou de existir, outras lojas chegaram e tudo se modificou.

                                      Doutor Sylvio Pollini Júnior residiu por muitos anos nos fundos da Farmácia São Paulo, de propriedade de seu pai, situada onde atualmente existe uma das portas das Pernambucanas. Observou atentamente tudo o que ocorria por ali, naquela época de moleque travesso. Ele enviou suas lembranças da rua na década de cinquenta, explicando que, naqueles idos, as coisas eram assim: logo na esquina ficava o prédio do Jahu Club que está lá, intocado, enfeitando o centro. E nem poderia ser diferente. Embaixo a já citada banca de revistas e o salão de bilhar, propriedade do senhor Alfredo Rodrigues. Logo em seguida, o sobrado, que também ainda existe. Na parte superior funcionava A Rádio Jauense, a pioneira, em uma época em que oferecia atrações diversificadas, inclusive um programa de músicas clássicas toda manhã, às dez horas. 

                                      Prosseguindo sua narrativa, doutor Pollini informa que, no mesmo local, mas no andar térreo, situavam-se as escadarias que davam acesso à emissora e, nos fundos, a residência do senhor Arthur Correa, proprietário da Lotérica A Favorável. Para as gerações mais novas, no local, também muito alterado, existe atualmente uma loja de fotografias modernas, sem aquele aparato antigo que exigia filmes e revelações feitas só em São Paulo, principalmente as coloridas, que eram raras. As fotos em preto e branco, mais comuns, já eram processadas pela família Busnardo, do outro lado da rua. 

                                      Bem, nessas alturas da presente narrativa, já estamos próximo ao meio do quarteirão. Nesse local, onde hoje situa-se uma loja de roupas, funcionava a Casa Midena, com a venda de artigos finíssimos, inclusive vestidos para noivas. Bem ao lado, onde está uma sorveteria, ficava o corredor de entrada da residência do senhor José Grana. Nos dias atuais pode-se ver, em seguida, a Drogasil. Mas ela ainda não existia ali naqueles distantes anos cinquenta. Ali havia outro prédio, ocupado pela Relojoaria Safira, de propriedade do senhor Letty De Callis, que também vendia joias. A farmácia ficava na calçada da frente, um pouco mais abaixo onde, posteriormente, se instalou a loja do Salvador Bien. Informação repassada pelo companheiro Cau Contador que também passou anos por ali, desde a infância, em razão da loja de calçados da família. 

                                      Bem, considerando o panorama da rua no início da década de cinquenta, foi preciso pedir auxílio ao amigo Ítalo Poli, com a seguinte informação: “sou mais velho que o Sylvinho. Portanto, vamos lá. O Alfredo Rodrigues, antes de mudar para a esquina, no térreo do Jahu Club, tinha sua banca de jornal e salão de bilhar no local onde, depois, surgiu a loja do José Midena, embaixo do sobrado da Rádio Jauense. Logo abaixo da relojoaria do Letty De Callis vinha a Farmácia São Paulo, do Sylvio Pollini pai. No sobrado dos Irmãos Attanásio e colado à farmácia, ficava a Camisaria do Augusto Maiotto. Eu, com uns 14, 15 anos, trabalhava para o José Eduardo Teixeira de Carvalho, vindo de Guaratinguetá e era agente do IAPC. O escritório da autarquia ficava no andar superior do antigo prédio da Drogasil, no outro lado da rua, vizinho da Casa Barrientos. Esse meu chefe casou-se com Terezinha Auler, filha do Theodoro Auler...”.

                                      O enfoque de hoje, graças aos amigos, mostrou como era a rua há mais ou menos sessenta anos atrás. Mas vamos prosseguir a sequência de artigos mostrando detalhes daquilo que foi “a Rua Major Prado de Outros Tempos...”.


P. Preto é jornalista.

Paulo Oscar Ferreira Schwarz


p.preto@hotmail.com

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