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Quinta, 25 de fevereiro de 2021

FEVEREIRO MORTAL: 46 pessoas de Jaú morrem vítimas de covid-19 em sete dias

Número se aproxima dos 56 óbitos de janeiro; 2021 já tem 102 mortes na cidade

08 de Fev 2021 - 08h:59 Créditos: Paulo César Grange
Crédito: Reprodução/montagem: algumas das vítima das últimas horas. Nossos sentimentos a todos e aos demais que também morreram sem chance de derrotar o vírus

O ano de 2020 todos queriam que acabasse logo para iniciar um 2021 com mais esperança. A vacina estava prestes a começar a ser aplicada. Era um ano novo. A pandemia tinha dado um refresco em outubro e novembro, apesar de um repique em dezembro. Mas era mês de Natal, de virada de ano, de férias... . Tudo isso dava a esperança de dias melhores em 2021. Mas não.

Veio janeiro e o recorde de casos positivos surpreendeu a todos, passando de 1.700. Foi muito maior do que dezembro, que já tinha sido o pior mês de todo o ano passado. Janeiro também começou com procura maior pelas unidades de saúde, pela Santa Casa de Jahu e isso acabou se refletindo na ocupação de leitos no hospital regional de referência de tratamento de covid-19. Veio o colapso.

Passou a faltar leitos na UTI e na enfermaria. Improvisos foram sendo feitos e salas de médicos, administrativas e corredores viraram centro de tratamento de pacientes. Logo o número de pacientes passou de 100, chegou a 135... E as mortes começaram a surgir. Janeiro teve 56 pessoas mortas de Jaú por causa do coronavírus. Um recorde. Representava mais da metade do total de mortes do ano todo anterior.

A mobilização na cidade começou em busca de se criar um hospital de campanha ou outra alternativa para dar conta da crescente demanda. Surgiu o Hospital Amaral Carvalho que colocou em prática a construção de um centro de combate à covid, com previsão de inaugurar na segunda quinzena fevereiro. O governo do Estado vai pagar O custeio. Da mesma forma autorizou a Santa Casa de Jahu a abrir mais leitos.

Jaú virou notícia no principal jornal do mundo, o Washington Post. O caos na cidade foi escancarado para o mundo. A cidade passou a ter o maior índice de letalidade do Brasil. E um dos maiores do mundo naquela conta de mortos por milhão de habitantes.

Também pudera. Uma cidade de 150 mil habitantes tem mais falecimentos diárias do que Bauru, com o triplo de habitantes, ou até mesmo que Ribeirão, que é mais de quatro vezes maior do que Jaú.

Logo no início de fevereiro tivemos 12 mortes na cidade - dez de Jaú e dois de fora. Nos dias seguintes 5, 6, 7, 8..... o número continua alto, tanto é que a média diária neste mês mais mortal de todos é de sete óbitos por dia. Gente nova, de menos de 30 anos, na faixa de 30, 40 e 50 anos.  Morrem mais pessoas em idade produtiva do que idosos, que era a grande preocupação no início da pandemia.

O site da Prefeitura de Jahu, na seção do cemitério, é possível acompanhar parte das mortes da cidade - as que são sepultadas no cemitério da Frederico Ozanan. É um sepultamento atrás do outro. Neste dia 8, por exemplo, já tivemos enterros às 8h, às 9h e tem outros ao longo do dia. Enterros diretos, sem cerimônia. Sem chance de despedida.

A guerra contra covid-19 é séria. E até agora o cidadão de Jaú está perdendo a batalha.

print da tela no site do cemitério municipal por volta das 9h

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