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Segunda, 12 de abril de 2021

COMO SERÁ O FUTURO DO CARNAVAL?

08 de Abr 2021 - 11h:09

Amanhã estaremos às vésperas de mais um reinado de Momo, como se dizia antigamente. Mas, o carnaval, como o conhecíamos há décadas, acabou. Dele restam algumas imagens já esmaecidas e algumas letras de músicas inesquecíveis como “Mamãe eu quero”, “Touradas em Madrid”, “Lata d´água”, “Chiquita bacana”, entre outras. A festa, tal como a curtimos, ficou para atrás, deixando de existir lá em meados dos anos setenta. Não se trata de saudosismo. Não mesmo! Todos sabemos que nada mais será como dantes, apesar de muitos o desejarem. Não tem volta. Os tempos são outros e as mudanças que eles trouxeram foram grandes. Podemos até tentar preservar as coisas como uma espécie de herança cultural, mas um dia deixarão de existir. Afinal, neste nosso país não se faz como na Europa. Veja-se, por exemplo, o famoso Carnaval de Veneza. As novas gerações não querem saber de nada a respeito da História. Não tem ideia de como as coisas aconteciam e o mais importante, não estão nem aí. Pode ser até que exista uma meia dúzia que se interesse por alguns detalhes, mas eu duvido.

Com todas as alterações trazidas pelo modernismo, além daquele tríduo Momístico tradicional, também estão desaparecendo palavras como “por favor”, “com licença” e até “muito obrigado”. Hoje estão se tornando raras, assim como o comportamento das pessoas, inclusive várias delas altamente instruídas. O individualismo e a pressa tomaram conta da grande maioria. Faz muita falta aquela forma educada de ser de outras gerações. Mas, como afirmei acima, este espaço semanal não se pauta pela saudade. Nem mesmo nostalgia. Eu diria que é um pretenso resgate, para o futuro de memórias de muitas coisas próprias de outros tempos. E o carnaval era, então, uma das festas mais esperadas pela grande maioria das pessoas, menos os carolas – que existiam aos montes – os quais atribuíam a Momo a façanha de proporcionar três dias de pura libertinagem, o que apenas em parte era verdade. Sempre existiam os que extrapolavam. E era aí que, de vez em quando, surgiam os chamados amores de carnaval. Alguns até acabavam durando. Mas a grande maioria terminava com a última serpentina, na madrugada da quarta-feira.

Fiquemos, então, nos limites desta cidade centenária. Os inesquecíveis bailes que lotavam todos os clubes durante as quatro noites, sempre contavam com a cadência musical de grandes grupos instrumentais, formados por membros das orquestras que ainda existiam. Podem crer, trompetes, clarinetes e saxofones, aliados a bons músicos que cuidavam da percussão, garantiam a música a noite toda. Algumas vezes, até ao raiar do dia. Tá certo, lá nos anos sessenta e parte dos setenta, de vez em quando alguns foliões se estranhavam no meio do salão e a pancadaria corria solta. Era justamente nessas ocasiões que os músicos salvavam a noite. Os metais se abriam e lá vinha o famoso “Frevo Vassourinhas”, uma das mais famosas composições carnavalescas, datado de 1909. Até aí a turma do “deixa disso” já havia entrado em cena. E o baile prosseguia tranquilamente.

Mas, nada daquilo existe mais. Nem mesmo o carnaval de rua. Ficaria até perigoso para as famílias caminharem despreocupadamente, em plena madrugada. E mesmo nas grandes cidades as coisas mudaram muito. Restaram os grandes desfiles do Rio de Janeiro, São Paulo e muitos locais do Nordeste. Os repertórios musicais também já não são os mesmos. Ao invés das marchinhas, aquelas inocentes, estão aparecendo outros ritmos, sertanejos adaptados e até os “funks” com letras maliciosas. Nada contra. Afinal já existiram letras esquisitas. São os sinais dos tempos. Acredito mesmo que nem poderia ser diferente. Como já disse no início, nada será para sempre. Um dia, lá num futuro não muito remoto, os jovens da atualidade, já sentindo o peso dos anos, também sentirão o poder das lembranças. Não é possível prever o poder das mudanças que ainda virão. E agora que tudo mudou muito, fica no ar uma pergunta bem séria, difícil de prever “e o carnaval, hein gente?”

P. Preto é Jornalista, p.preto@hotmail.com

Texto publicado originalmente no  Comércio do Jahu anos atrás

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