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Segunda, 04 de julho de 2022

ALEGRIAS DO FUTEBOL

09 de Ago 2021 - 09h:25

Está chegando a hora da onça beber água. Isto é, a partir da próxima semana o Brasil estará vivendo em ritmo de Copa do Mundo e o assunto será o futebol, em todas as rodas, apesar do  pessimismo que cerca a grande maioria dos torcedores. Outros, mais otimistas, já estão pintando muros e até fuscas nas cores verde e amarelo, esperando uma vitória da mais cara equipe do mundo. 

O esporte, sem dúvida, faz parte do dia a dia de muitos, como por exemplo o palmeirista Aracito, o homem que já foi, um dia, um grande craque profissional. E, como quem já foi rei não perde a majestade, segunda feira ele celebrava, com alegria, a derrota do seu esquadrão de veteranos, no Caiçara, pela contagem de 7 a 1. E completava, sorridente: “- só não levamos mais porque fomos embora. E tem mais. A culpa foi do Celso Polini que não conseguiu achar o caminho do gol.”

O último final de semana foi, mesmo, dos palmeiristas - ou palmeirenses, sei lá qual a forma correta- que vibraram com a conquista de uma vitória há muito esperada. Assim, dois jauenses fanáticos, o Rubinho barbeiro e o Jair não tiveram dúvidas. Apesar do frio rumaram para São Paulo e foram conferir, no Morumbi, a atuação da equipe. De quebra, levaram um amigo, que é torcedor do São Paulo, para fazer companhia. E tem mais. Com o bolso cheio foram, inclusive, comer num badalado restaurante, o que resultou numa foto publicada num jornal especializado em esportes, para alegria do pessoal. Como diz o Rubinho, com aquela sua calma costumeira: “- miséria pouca é bobagem. Comer bem é comigo mesmo e não tem essa de ficar contando as moedinhas, não. Só freqüento lugar bom mesmo. E daí?  ”

Bem, até aí não teria nada demais. Eram torcedores incentivando o seu “time”, numa esperança danada depois dos últimos resultados. Com aquele frio do último sábado, aquela imensidão do estádio até que era aconchegante. A expectativa ajudava a amenizar os efeitos das baixas temperaturas. Foram noventa minutos de sofrimento, mas, no final, a compensação com a vitória do Palmeiras sobre o Cruzeiro de Belo Horizonte.

Na terça feira pela manhã passei pelo salão para acertar o bigode. O Rubinho, estava radiante com a sua foto no jornal. Durante o trabalho,  contava os detalhes da peleja de sábado. Parecia, inclusive, que ele ainda estava lá, em pleno campo. E nesse ponto da conversa, ele relatou o outro lado dos acontecimentos. “- o amigo que levamos, todo mundo sabe, é sãopaulino fanático e só foi junto com a gente para passar, é claro. Ele estava lá, ao nosso lado, mas sem sentir a nossa emoção, porque o seu “time” não estava em campo. Quando o jogo terminou, que todos explodiram naquela alegria, ele ficou ali, na sua, acompanhando a marcha dos acontecimentos. Foi aí que um pessoal da torcida do Palmeiras nos cercou, naquela comemoração e um grandalhão chegou perto do nosso colega. Esticando a bandeira, falou “ô companheiro, beija a nossa bandeira pr’a gente comemorar”. 

E o Rubinho arrematou, então: “- e o nosso companheiro não teve outro jeito. Beijou a bandeira do Palmeiras. Já imaginaram ele ali, naquela hora, falar que era Sãopaulino e dizer não?” 

Saí do salão pensando no assunto. Afinal, de um jeito ou de outro, esses casos fazem parte das “alegrias do futebol...”

P. PRETO É JORNALISTA

coluna publicada originalmente no Comércio do Jahu anos atrás

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