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Terça, 14 de julho de 2020

DETALHES HISTÓRICOS DA CIDADE – 40

15 de Mar 2020 - 19h:55


Paulo Oscar Ferreira Schwarz

                                      Foram vários textos falando sobre a importância do imigrante italiano nas plantações de café, em substituição à mão de obra escrava que seria extinta em 1888, com a promulgação da Lei Áurea, assinada em 13 de maio daquele ano pela princesa Isabel, em substituição à figura do imperador Pedro II que se encontrava em viagem pela Europa. Mas existiu, também, a figura dos imigrantes espanhóis que para cá vieram, em menor número, é verdade, mas muito contribuíram para o desenvolvimento dos trabalhos nos campos e, consequentemente, também, para o desenvolvimento da então incipiente cidade de Jaú.

                                      E é o livro “Jaú, a semente e a terra”, de autoria do sempre lembrado Waldo Claro, editado pelo jornal “O Comércio do Jahu”, por ocasião da passagem do 90º aniversário daquele sempre lembrado diário. E é nele que encontramos a história: “O primeiro grupo de imigrantes espanhóis – 122 ao todo -desembarca no Brasil na década de 1850, quando aqui ainda vigorava uma lei agrária extremamente reacionária e elitista, que o senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro compõe a quatro mãos com a burguesia agrária. É o sistema de parceria, segundo o qual o imigrante supre a mão de obra nos cafezais, trabalhando lado a lado com o negro trazido da África como escravo. Contrapondo-se ao primeiro sistema de colonização agrícola, o novo modelo tem por objetivo básico, impedir que o imigrante se torne proprietário de terras, estabelecendo cláusulas draconianas para que isso não aconteça...”

                                      O insigne jornalista que deixou uma lacuna muito grande com sua partida para o além, prossegue contando que: “... em compensação, permite a concessão de subsídios, tornando gratuita, tanto a passagem marítima do imigrante, quanto a sua movimentação de Santos para a Hospedaria do Imigrante e, desta, para as fazendas contratantes. E são os espanhóis os que, em maior número, se valem desses contratos subsidiados que Cuba e Argentina – seus destinos preferidos – não podem oferecer. Os demais grupos europeus também se servem desses contratos, embora em menor número. Os italianos, por exemplo, cujo primeiro grupo chega bem antes que os espanhóis, em 1836, integrado por 180 pessoas e os portugueses que, por sua vez, aportam em 1839, com 141 trabalhadores...”.

                                      Depois dos italianos e portugueses, são os espanhóis o terceiro e mais importante grupo que chega ao país exclusivamente para desenvolver a lavoura cafeeira. Os portugueses se fixam, preferencialmente, nas cidades, dedicando-se ao comércio, não sendo relevante sua contribuição ao setor rural. Os espanhóis, por sua vez, caracterizam-se por sua ligação quase sentimental com a terra, com o manejo das grandes plantações e, acima de tudo, com o estilo de vida pacato e tranquilo que o campo oferece. Agricultores natos, tal como os japoneses, têm, como estes, profundo apego à família e é sempre com ela que aportam no Novo Mundo, guardando-a sob severos princípios de religião e moralidade. Entre 1880 e 1900, chegam ao Brasil 199.193 espanhóis, o que representa apenas 12% de todo o movimento imigratório. No mesmo período chegam 332.293 portugueses e 987.160 italianos. Esses povos, vindos da Europa, muito contribuíram com os “detalhes históricos da cidade...”.

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