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Segunda, 04 de julho de 2022

A RUA MAJOR PRADO DE OUTROS TEMPOS – 37

18 de Set 2021 - 10h:44

Muito bem, após os inúmeros comentários sobre o Hotel Jaú, vamos retornar à esquina da Major Prado com a Amaral Gurgel. Por ali ocorreram inúmeras modificações. Estamos falando do andar térreo do belíssimo prédio do Jaú Clube que acaba de completar seu primeiro centenário de existência. Segundo o escritor Nelson Prado Sampaio Filho, em seu livro “Avenças, Desavenças e Outras Histórias do Jahu”, o surgimento da sociedade deu-se da seguinte forma: “... Exatamente no dia 30 de abril de 1915 foi fundado o Jahu Club, em reunião na residência de Francisco de Paula Almeida Prado Filho, sob a presidência do cônego Bento Monteiro do Amaral. Diga-se de passagem, o cônego tornou-se o grande responsável pela concretização desse sonho, abraçou a idéia e conseguiu realizar a empreitada...”.

Mas, como nossos relatos procuram resgatar algumas memórias dos últimos sessenta anos retornemos, digamos assim, aos anos cinqüenta, época áurea da grande maioria dos leitores que acompanham esta série de textos. Alguns leitores informaram que, na esquina das supra mencionadas ruas, sob o prédio hoje bem conservado do tradicional clube, teria funcionado uma loja de móveis. Consultei um grande amigo que, mesmo no auge de seus oitenta e tantos anos, não se lembra de maiores detalhes, o mesmo ocorrendo com o ilustre professor Adonis Pirágine. Se algum leitor souber, favor informar.

A esquina ficou conhecida mesmo foi com a Banca de Jornal e Salão de "snooker" do senhor Alfredo Rodrigues, pai do senhor Rubens e avô do Alberto Magno, o Betão. Foi ele quem cobrou: “- não se esqueça da banca do meu avô”. Assim, chegou a hora de enfocarmos o assunto. Quando comecei a freqüentar o centro, no início dos anos cinqüenta, ela já funcionava naquele local. Ali, nós os moleques da época, íamos comprar as primeiras e disputadas figurinhas que apareceram no mercado, entre elas as cobiçadas “As Sete Maravilhas do Mundo Antigo, assim como os gibis do Tom Mix, X-9 e as revistinhas do Pernalonga, Pato Donald, Mickey, Pernalonga, Pendura, a revista Eu sei Tudo que era uma espécie de enciclopédia, a famosa O Cruzeiro e outros.  

Voltemos à Banca de Revistas. Segundo o doutor Sylvio Pollini Júnior, que morou no meio do quarteirão sentido Jardim de Baixo, a empresa do seu Alfredo, assim como o salão de bilhar, antes de se estabelecerem sob o prédio do Jahu Club, ocupou aquela espécie de sobrado que ainda existe. Seu Alfredo Rodrigues também residiu no mesmo prédio.  No local, para permitir uma visualização mais atual, funcionou, por muitos anos, a Casa Midena e, nos dias de hoje, existe uma loja de tecidos e roupas, com uma denominação até bem sugestiva. Acho que dá para os leitores mais jovens se localizarem. Nós, os mais vividos, temos uma idéia exata de tempo e espaço.

Retornando à Banca do seu Alfredo, segundo o doutor José Roberto- Beto - Grana, que passou sua infância e adolescência pelas imediações, no local trabalhavam o Nenê que morava com o proprietário e costumava colecionar as cordinhas que enrolavam os grandes pacotes de jornais e revistas, assim como o Coelho que era de nacionalidade portuguesa, o Jaime, seu filho Jaiminho e o Tai Tai. É bom ressaltar que, por muito tempo, a banca foi a única da cidade e, por isso mesmo, muito freqüentada. Existia, não sei se alguém se lembra, de um senhor que percorria as ruas de Jaú, com uma espécie de bolsa a tiracolo, vendendo as revistas que adquiria na banca do centro. Era um cara até simpático que, por vezes, insistia em mostrar as figuras para as crianças, o que era um tormento para os pais, evidentemente. Mas ninguém fazia birra, pois sabia que a manha terminaria com o chinelo ou a cinta cantando alto. Eram os costumes da época. 

Essa nossa viagem ainda irá perdurar por um tempo, trazendo ótimos relatos feitos pelos leitores sobre a “Rua Major Prado de Outros Tempos...”.

P. Preto é Jornalista - p.preto@hotmail.com

Texto publicado originalmente no Comércio do Jahu alguns anos atrás

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