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Sexta, 18 de setembro de 2020

A RUA MAJOR PRADO E OUTRAS HISTÓRIAS

21 de Mai 2020 - 11h:52

Há duas semanas abordei, aqui neste espaço, o que foi a rua Major Prado em outros tempos. Atualmente ela está feia, triste, com a maioria de seus estabelecimentos fechados pela pandemia do Corona Vírus. Talvez, quem sabe, depois que acabar a reforma pela qual está passando, ela volte a se revitalizar e voltar a ser o que foi nas décadas de quarenta a setenta, quando as coisas começaram a mudar. As antigas, bonitas e bem cuidadas lojas desapareceram, assim como suas iluminadas vitrinas que permaneciam abertas à noite e, principalmente nos finais de semana, quando proporcionavam os passeios das famílias, sem preocupação. 

                                      Pois bem, logo após a esquina com a rua Campos Salles, à direita de quem sobe, mais ou menos onde atualmente está a Loja Marisa, tudo era muito diferente. Por ali existiu a Camisaria Maiotto, tradicionalíssima na confecção perfeita desses produtos e, também a conceituada Alfaiataria De Callis que, de tão perfeita, não era para qualquer bolso. Aproveito aqui as recordações do meu amigo Celso Kuntz Navarro que escreveu o seguinte: “Você poderia ter fechado o quarteirão, até a esquina porque, logo abaixo do Manezinho Maia, ficava a famosa Alfaiataria DeCallis, irmão do Letty. O Tosseli DeCallis era italiano, como o irmão...”.


                                      Mais adiante ele prossegue suas reminiscências contando que: “... o Tosselli ganhou fama como o melhor alfaiate da região. Seu corte era perfeito e seus tecidos todos importados, eram belíssimos. O mais famoso era o linho 120, caríssimo que só os prósperos empresários e fazendeiros de Jaú podiam mandar fazer. Isso tudo lá no início dos anos cinquenta. O Tosselli também era o único que cortava e costurava os famosos tailleurs femininos das madames chiques a bastadas. Ele era casado com a minha tia Cacilda e eram pais do Haylton, conceituado dentista, entre outros filhos, que se mudaram para São Paulo. O tradicional alfaiate era amante da boa música e uma das primeiros “high fidelity” Telefunken da cidade, era dele. Possuía extensa discoteca. O grave da vitrola era tão profundo, que mexia no estomago da gente. Tremia os quadros das paredes e vibrava os vidros das janelas...”

                                      Já que estamos no centro da cidade, desejo destacar aqui uma figura que respeito muito em razão de sua trajetória de sucesso. Nessas alturas, já estou na rua Lourenço Prado, quase esquina com a Major Prado, ali naquele prédio que sediou, durante décadas, a agência do antigo Banco Francês e Italiano Para a América do Sul, que muitos diziam pertencer ao Vaticano. Se era verdade ou não, nunca fiquei sabendo realmente. Também ele se transformou em Sudameris e, finalmente, virou Santander. Mas o que tudo isso tem a ver com a história de hoje?  Apenas o prédio que hoje abriga uma loja dessas estilo R$.1,99”. Ao lado existe uma porta na qual funciona uma lanchonete e café. 

                                      Pois bem, esse café que se chama Supremo, pertence a um jovem músico chamado Odair José Claro. É uma pessoa de sucesso. Começou humildemente trabalhando para os sócios Robertinho Galvanini, de saudosa memória e o Zamunaro. O Odair começou lavando xícaras, batalhou muito, formou uma clientela grande e fixa e, ao longo de mais de dez anos, trabalha de segunda a domingo ao lado da esposa, Larissa, da sogra Silvana e da cunhada Laís. Ele merece o sucesso que fez, construído com muito sacrifício e trabalho. Hoje ele já faz parte da história da cidade.


Paulo Oscar Ferreira Schwarz

P. Preto. 

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