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Segunda, 13 de julho de 2020

UM ACONTECIMENTO IMPORTANTE

23 de Abr 2020 - 10h:29


Na década de cinqüenta as eleições das misses eram transmitidas pela Televisão Tupi, ainda em preto e branco, com audiência total aonde chegavam os sinais da emissora pioneira. Na noite fria de dezenove de junho de 1958 acontecia no Rio de Janeiro, ainda então a capital do Brasil, no recinto do Ginásio do Maracanazinho, a quinta edição do concurso de Miss Brasil que escolheu a carioca Adalgisa Colombo como a mais bonita do país. A cerimônia foi grandiosa, com a participação da Banda dos Fuzileiros Navais e da orquestra do maestro Edmundo Peruzzi. Entre os jurados estavam o poeta J. G. de Araujo Jorge e a escritora Dinah Silveira de Queiroz.  No mesmo ano ela representou o Brasil no concurso Miss Universo, obtendo a segunda colocação, perdendo o primeiro posto para a colombiana Luz Marina Zuluaga. Adalgisa Colombo faleceu em 2013 aos setenta e três anos.  

                                      Mas, o que nós, jauenses, que só pudemos ver os detalhes do concurso através dos jornais e da revista O Cruzeiro temos com isso? O fato foi relembrado pelo ilustre doutor Rui Carvalho Piva. Adalgisa Colombo foi a primeira miss Brasil a visitar a cidade.  A iniciativa coube ao Rotary Clube. Segundo a brilhante memória do Sérgio de Souza Gomes “... o clube de serviços organizou a rifa de uma jóia doada pela minha mãe. O sorteio ocorreu durante o baile de gala, no Aeroclube, cadenciado pela Orquestra Continental. A ornamentação do salão coube a Francisco Canhos que utilizou uma iluminação feérica, com lâmpadas colocadas em nichos de ferro e vidro, suspensos em pequenos postes de ferro. Para o palco ele utilizou o mesmo arco que fez sucesso no grande desfile do centenário, com lâmpadas fluorescentes que acendiam e apagavam de forma seqüenciada. O então jovem Ronald Antonio Franceschi foi escolhido para ser seu par e com ela dançar a valsa especial...”. 

                                      A moça mais bela do Brasil veio no trem de luxo, como era costume na época em que todos ainda viajavam pela impecável Paulista. Ela foi recepcionada na “estação nova” pelos rotarianos que organizaram a festa e pela fanfarra do Instituto de Educação Caetano Lourenço de Camargo de Camargo. Segundo a professora Vera Lúcia de Toledo, quem teve a honra de entregar-lhe a flâmula da corporação foi o Domício dos Santos, principal corneteiro. Ele comentava com os amigos que não lavaria as mãos por um bom tempo. À tarde, como parte das cerimônias, ela visitou alguns estabelecimentos comerciais, entre eles a Loja A Funcional que ficava na entrada da galeria do Hotel Jáú. No local foi recebida por René Alegro, o proprietário e as senhoritas Ignez Santini, Ivanilde Cesar, Ana Lucila Eleutério, que depois se tornou senhora Bollini e sua mãe Nair Bernardi Eleutério. A leitora Ivanilde Galante contou: “eu estava lá e pude vê-la bem de perto. Depois ela foi para a piscina municipal onde, apesar do grande número de populares e outros curiosos, pode exibir sua plástica invejável, trajando um elegantíssimo maiô todo dourado...”. Os garanhões da época estavam lá, boquiabertos.

                                      Mas a grande festa foi mesmo o baile de gala, com traje a rigor e ingressos relativamente salgados. Todos queriam ver a mulher mais bela do Brasil. Afinal, Adalgisa Colombo teve o prazer de ser a primeira miss a pisar na terra roxa. Muitos jovens da época queriam ter a honra de, pelo menos, chegar bem próximo à ela. Entre outros, quem conseguiu essa espécie de façanha foi o doutor Valdir Barchi. Foi ele mesmo quem contou: “- Paulo, eu era um garotão de dezoito anos. Criei coragem e fui lá tirá-la para dançar. E ela aceitou...”. A grande noitada chegou ao fim às quatro da manhã, como era costume. Não se passava do horário. Tudo era muito rígido. Pelo menos nas aparências. 

                                      Anos depois tivemos o orgulho de ter duas misses, a do Turismo Maria Ofélia Toffano Scortecci e a miss São Paulo Francine Pantaleão. Mas a visita de Adalgisa Colombo representou muito para a cidade ainda pequena e provinciana daqueles ainda pacatos anos cinqüenta. Foi, sem dúvida, “um acontecimento importante...”.

P. Preto é Jornalista.

p.preto@hotmail.com

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