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Segunda, 13 de julho de 2020

Com 1 mês de flexibilização no comércio, Jaú salta de 11 para 163 casos: 1.382% a mais

Decreto de Rafael Agostini em 23 de abril cria 'delivery' e 'drive thru', mas jauense dá ‘jeitinho’ e vende tudo na porta

24 de Mai 2020 - 21h:03 Créditos: Paulo César Grange
Crédito: Crescimento dos casos de coronavírus em Jaú: 163 no último informe da Prefeitura

Um mês atrás, dia 23 de abril, a cidade de Jaú tinha 11 casos confirmados de coronavírus. Naquele dia, o prefeito Rafael Agostini publicou decreto afrouxando a quarentena que já durava um mês e permitiu a flexibilização no comércio. Foram criados os sistemas “drive thru” e “delivery” para todo os estabelecimentos comerciais. Desde então, até o boletim do dia 23 de maio, a cidade viu um salto na pandemia, chegando a 163 casos. Um crescimento de 1.382%.

No primeiro mês de quarentena foram 11 casos de 23 de março a 23 de abril, sendo que o primeiro caso foi registrado no dia 4 de abril. Desde o decreto 7.697 de 23 de abril a pandemia desandou. Ao atender aos pedidos dos comerciantes, o prefeito Rafael Agostini criou regras para o funcionamento controlado, mas não foi isso o que se verificou desde então.


Jeitinho jauense - O jauense , então, logo deu um “jeitinho” e passou a vender no balcão. A aglomeração proibida no interior da loja passou para a calçada. Lotéricas, lojas de utilidades domésticas, produtos de utilidades domésticas, lanchonete, sorveteria, loja de roupas, depósito de doces... todas adotaram as filas na porta. Sem contar as agências bancárias, onde as filas passaram a “virar o quarteirão”

Taxa de isolamento - E a taxa de isolamento que estava na casa dos 60% baixou para em torno de 46% a 50%. Neste sábado, dia 23 de maio, foi de apenas 45%, conforme registro do governo do Estado e o sistema baseado em telefonia celular. As lojas passaram a funcionar com meia porta aberta e o atendimento não se restringiu a pedidos por telefone ou rede social. Todas, praticamente, começaram a vender na porta. 

Quando assinou o decreto, o prefeito disse que as medidas seriam para “ajudar o comércio a enfrentar atual momento da economia”. Lojas de serviços essenciais deveriam limitar o número de clientes no interior e fornecer álcool gel. Para não-essenciais só seriam permitidos os “deliverys”.


Vale tudo nas calçadas - Teve loja que o consumidor testou blusa e calçado na rua, já que o decreto proibe a entrada nas lojas. Outras lojas colocaram um balcão na porta e a venda corre solta de todos os itens. Basta o cliente chegar e pedir para o atendente ir até as prateleiras e voltar com as opções escolhidas.

Sem contar aquelas lojas que têm faixa zebrada na porta, mas sempre dão um jeito de colocarem os clientes para dentro. Seja seja para comprar doce, bijuterias, celular, roupas... Soma-se a isso tudo, os estabelecimentos essenciais passaram a funcionar sem restrições – mercados, padarias, oficinas, construção civil, autopeças....

Imagem ilustrativa de fila em banco - Reprodução: internet


Máscaras viram obrigatórias - Ao perceber que os casos dispararam tanto em Jaú como em todo o Estado, o prefeito Rafael Agostini baixou novo decreto em 29 de abril endurecendo um pouco as normas e exigindo o uso de máscaras em filas e dentro dos estabelecimentos – depois, lei estadual estendeu o uso para qualquer ambiente público. 

Também começou a fechar locais como kartódromo e Lago do Silvério. Jaú tinha 20 casos confirmados. Desde então o prefeito tem feito apelos aos jauenses para “ficarem em casa”, chegou a falar em “lockdown”, mas pouco adiantou. No último dia 22 de maio decidiu criar barreiras sanitárias nas entradas da cidade.

Barreira sanitária na entrada de Jaú pela Avenida Netinho Prado


Buteco na calçada - A prova de que o sistema “delivery” fracassou ficou evidente em muitas lojas, mas nos bares o abuso é gritante. Neste domingo, por exemplo, logo cedo bares da Avenida do Café atendiam clientes com uma mesinha na porta. O povo não entra no bar, mas toma a cerveja ou a pinga ali mesmo, usando a mesinha como apoio. 

Quando o mês de maio chegou e as filas estavam em todos os lugares, os casos deram um salto dia após dia.  Eram 31 casos no dia primeiro. Uma semana depois, dia 7, os casos já dobravam para 62.

Mais sete dias e Jaú já tinha 103 infectados. Na semana seguinte surgiram quase 50 casos, subindo para 151. A semana terminou com 163 casos e cinco mortes e vai começar uma outra com 50 pessoas esperando resultado do exames.



DECRETO DE 23 DE ABRIL - FLEXIBILIZAÇÃO

DECRETO DE 29 DE ABRIL – MÁSCARA OBRIGATÓRIA


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